Rede Lotérica começa a vender álbum e figurinhas da Copa do Mundo 2026

A Caixa Econômica Federal estabeleceu parceria com a Apache para comercializar álbuns e figurinhas da Copa do Mundo de 2026 nas casas lotéricas brasileiras. O acordo foi anunciado nesta segunda-feira (6/4). A Apache é uma das distribuidoras master da Panini no Brasil e coordenará a operação.
O convênio define que os estabelecimentos receberão 15% de comissão sobre o valor de venda. A Caixa fica com 5%. A margem total alcança 20%.
Modelo operacional replica sistema da Tele Sena
O sistema de funcionamento replica o modelo já utilizado pela Tele Sena nas lotéricas. O lotérico recebe a comissão no decêndio posterior à leitura imediata da guia de arrecadação. O débito correspondente ao lote adquirido é processado 30 dias após a leitura da guia.
A distribuição dos produtos acontecerá pelos mesmos canais da Tele Sena ou por distribuidores escolhidos pela Apache. Os pedidos devem ser feitos exclusivamente pela rede de distribuição da empresa.
Quando o cálculo da comissão é aplicado sobre o custo de aquisição, o percentual alcança cerca de 17,70%. A Caixa orienta os estabelecimentos a verificarem a base de cálculo da comissão, que pode incidir sobre o custo ou sobre o valor de venda.
Grupos nacionais de lotéricos em plataformas como Mercado Livre e Itaú, além de outros distribuidores, registram movimentação intensa em torno do produto. O portal Conexão Parceiro disponibilizará todo o material informativo e operacional sobre o convênio.
FEBRALOT destaca quebra de paradigma no setor
A Federação Brasileira das Associações de Lotéricos (FEBRALOT) divulgou comunicado oficial sobre o convênio. Ricardo Amado Costa, presidente da entidade, avaliou a iniciativa como oportunidade de ampliação de atuação para a rede lotérica.
“É com grande satisfação que anunciamos este novo convênio da rede lotérica, uma iniciativa que representa não apenas a ampliação de portfólio, mas sobretudo uma verdadeira quebra de paradigma em nosso setor. Ao incorporar a comercialização de álbuns e figurinhas da Copa do Mundo de Futebol — um produto de enorme aceitação popular — damos um passo estratégico rumo à modernização e à diversificação dos serviços oferecidos à população. Essa parceria reforça o papel das unidades lotéricas como pontos de conveniência, proximidade e conexão com o cotidiano dos brasileiros. Especial agradecimento aos executivos da Caixa pela sensibilidade e empenho para que o convênio de fato acontecesse”, declarou Ricardo Amado Costa.
Coleção reúne 980 figurinhas de 48 seleções
A Panini já disponibiliza a pré-venda do álbum da Copa do Mundo de 2026 em seu site oficial. A coleção reúne 980 figurinhas, das quais 68 são especiais. A edição abrange as 48 seleções que disputarão o Mundial entre junho e julho no México, Estados Unidos e Canadá.
O álbum é oferecido em diferentes versões, com preços entre R$ 24,90 e R$ 79,90, conforme divulgado pela Panini. Os pacotinhos com sete figurinhas custam R$ 7 cada — o maior valor da história das coleções de Copa. Completar a coleção pode demandar investimento superior a R$ 6,2 mil sem realizar trocas. A prática de trocas entre colecionadores pode reduzir esse valor para aproximadamente R$ 1,5 mil, segundo cálculos do matemático Gilcione Nonato, da Universidade Federal de Minas Gerais.
O valor mínimo para completar o álbum é de R$ 980, mas a probabilidade de conseguir isso sem nenhuma figurinha repetida é a mesma de ganhar na Mega-Sena, com uma aposta simples, 55 vezes consecutivas, segundo Nonato. Ele explica que serão gastos, em média, R$ 980 (140 pacotes) para efetivamente preencher o álbum, e outros R$ 5.220 com as figurinhas repetidas — totalizando os R$ 6.200.
A ampliação para 48 seleções participantes torna esta uma das maiores edições da história do produto. A coleção contempla todas as equipes classificadas para o Mundial, além de cromos especiais que detalham aspectos da competição. O álbum tem 112 páginas, estabelecendo novo recorde.
Tradição familiar e estratégias de colecionadores
A febre das figurinhas voltou em escala inédita. Na última semana, o início da pré-venda do álbum oficial escancarou o tamanho da expectativa: site da Panini fora do ar, corrida por pacotes e um produto que já nasce recordista.
A jornalista e influenciadora Giovanna Attili Moura, de 23 anos, que faz coleção desde a Copa de 2006, na Alemanha, é uma das que vão à luta. Sua estratégia inicial foi não comprar o álbum na pré-venda e sim esperar chegar às bancas. A previsão é 1º de maio.
Para a moradora de Franca, no interior de São Paulo, completar o álbum da Copa é tradição familiar importante. É quando ela se reúne com o pai e a mãe para abrir os pacotinhos. Foi o pai José Eduardo Moura de Jesus, de 57 anos, que a incentivou na infância.
Para ela, o álbum mais marcante é o de 2010, da Copa da África do Sul, quando a mãe o comprou de surpresa, e uma tia lhe presenteou com 100 pacotinhos. Uma época com outra realidade, na qual o pacote saía a 75 centavos. O preço não parou de subir desde então: R$ 1 em 2014 (Brasil); R$ 2, em 2018 (Rússia); e R$ 4, em 2022 (Catar).
Assim, a principal estratégia segue sendo a ajuda mútua entre colecionadores nos tradicionais pontos de troca. Para incentivar essa prática, a Panini promete realizar promoções, ativações e eventos espalhados por todo o Brasil. A programação será divulgada nas redes sociais da editora.
Neste momento, já estão confirmados dois eventos. Aproveitando o boom das corridas, a editora vai realizar duas corridas de rua: uma em Belo Horizonte e outra em São Paulo, ambas em maio e com o mote de troca dos cromos. A ideia é juntar os colecionadores no pós-prova para essa troca. Em ambas corridas haverá área específica para juntar essa turma. Além disso, quem comprar o kit premium, ganha um álbum e um pacote de figurinha. As inscrições estão abertas no Tickets Sports.
Matemática das trocas reduz custos
O matemático Gilcione Nonato explica que, se houver um grupo de dez pessoas trocando figurinhas, o custo com as repetidas tende a ser dividido pelas pessoas do grupo. Dessa forma, cada uma gastaria R$ 980 para preencher o álbum e cerca de R$ 520 com as figurinhas repetidas, totalizando R$ 1.500. Quanto maior o grupo, menor o custo com as figurinhas repetidas.
O matemático calculou ainda que para preencher somente uma seleção específica, com 20 jogadores, a pessoa gastaria em média R$ 3.525, equivalente a pouco mais de 500 pacotes. Ou seja, para preencher somente uma seleção, a pessoa compraria 3.500 repetidas, em média.
— Além de diminuir os custos, montar álbum de figurinha é um incentivo à interação entre as pessoas. Trocar figurinha é muito bom, é uma socialização, uma brincadeira. É melhor do que ficar preso às redes sociais — opina Gilcione, que ao lado dos filhos, Gael e Bianca, terá também um álbum. — E queremos gastar o mínimo possível, ou seja, menos de R$ 1 mil. E olhe lá (risos).
A competição começa em 11 de junho. O Brasil já está garantido na competição. A partir de 1º de maio, os colecionadores podem adquirir os álbuns nos pontos de venda autorizados, incluindo agora as casas lotéricas.
O envio dos produtos está previsto para a segunda quinzena de maio de 2026. A previsão vale para as compras feitas em pré-venda. O sistema segue padrões já estabelecidos em outros produtos comercializados pela rede.


