Restituição das bets: prazo dos bancos acaba sem balanço final, e os números do governo já mudaram quatro vezes

Apostas I 15.10.26

Por: Magno José

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Caixa assume a partir de hoje os saldos que não chegaram aos apostadores; governo ainda não informou quanto ficou pendente nem quais empresas descumpriram o cronograma

Terminou ontem, quarta-feira (14), o prazo para os bancos devolverem aos apostadores os saldos que ficaram nas plataformas fechadas pela MP 1.394/2026. A partir de 15 de outubro, a Caixa Econômica Federal passa a responder pela devolução dos valores ainda não transferidos. Até a manhã desta quinta-feira, o governo não havia divulgado o balanço consolidado da operação.

O que se tem são números parciais, e eles mudaram a cada atualização. Em 28 de setembro, a Agência Brasil informava que os apostadores tinham até o dia 5 para retirar R$ 1,7 bilhão retidos nas plataformas. Depois, a coluna de Matheus Leitão, no Metrópoles, falou em 28,6 milhões de CPFs com saldo de R$ 1,45 bilhão. Em 6 de outubro, a Fazenda informou que cerca de 26,5 milhões de apostadores ainda tinham R$ 1,32 bilhão a receber. O próprio noticiário registrou a oscilação: os dados oficiais indicavam entre R$ 1,325 bilhão e R$ 1,453 bilhão a devolver, conforme a atualização considerada.

No balanço mais recente, o universo encolheu. Os dados enviados pelas empresas cobriam 22,5 milhões de apostadores em 70,5 milhões de contas. Segundo o governo, mais de R$ 1 bilhão havia sido devolvido até 10 de outubro, e o valor pendente caiu para R$ 159 milhões. O mesmo levantamento traz um alerta: oito empresas ainda não tinham enviado aos bancos todas as informações necessárias para a devolução. O governo não divulgou quais são essas empresas nem quanto elas devem aos apostadores.

O perfil das contas também desmonta parte do discurso oficial. Segundo a Fazenda, 90% das contas têm menos de R$ 1 a receber e 97% têm saldo inferior a R$ 10. O boletim da SPA aponta 86,2 milhões de contas com saldo entre R$ 0,01 e R$ 0,99. Na outra ponta, uma das atualizações citou 48 contas com saldo acima de R$ 500 mil, dado que o governo não detalhou.

Fica a pergunta que o BNLData já levou à Fazenda, ao MJSP e ao Banco Central via Lei de Acesso à Informação: quanto efetivamente voltou ao bolso do apostador, quanto ficou com a Caixa e qual o prazo para que esse dinheiro chegue ao dono. Sem esses números, o balanço da proibição segue, mais uma vez, escondendo mais do que informa.

 

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