Site falso do governo cobra Pix para ‘liberar’ dinheiro inexistente de apostas

Apostas I 21.10.26

Por: Elaine Silva

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Site falso do governo cobra Pix para 'liberar' dinheiro inexistente de apostas 1
Fraude usa domínio similar ao oficial e pede “Imposto de Liberação” sobre suposto saldo para enganar usuários que buscam valores a receber

Um site falso que imita a página do governo federal destinada à consulta de valores a receber de casas de apostas cobra uma taxa via Pix para supostamente liberar saldos inexistentes. A fraude usa o domínio brasilsembets.org, visualmente semelhante ao endereço oficial brasilsembets.gov.br, que está fora do ar desde o encerramento do prazo para consulta e devolução dos recursos.

A reportagem da Veja Negócios identificou o esquema durante testes; a página clandestina informou a existência de R$ 1.800 a receber mesmo para uma repórter que nunca criou conta em qualquer plataforma de apostas. Para consultar e liberar o suposto saldo, o usuário precisa informar o CPF e pagar o chamado “Imposto de Liberação”, cobrado à alíquota de 15% sobre o valor exibido.

O golpe segue um padrão já registrado em clonagens recentes de sites de casas de apostas autorizadas a operar no Brasil. Carlos Lima, presidente do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), afirma que criminosos reproduzem nomes, logotipos e elementos visuais das operadoras, alterando apenas os domínios para enganar os consumidores.

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O site clandestino brasilsembets.org mostra saldos fictícios a receber, mesmo que o usuário nunca tenha aberto conta em bets

Ausência do site oficial facilita fraude

A saída de ar do endereço oficial do governo amplia a vulnerabilidade dos usuários. “Agora, como o consumidor não tem mais o site legalizado para ajudá-lo a identificar qual é o verdadeiro e qual é o falso, esse golpe tem crescido”, declarou Lima.

Plataformas clandestinas não oferecem as mesmas proteções das operadoras regularizadas. Entre as salvaguardas ausentes estão a verificação de identidade por reconhecimento facial, o bloqueio de acesso a crianças, adolescentes e beneficiários de programas sociais, além de ferramentas de autoexclusão para quem deseja interromper as apostas.

Bloqueio financeiro como solução

Para Lima, derrubar as páginas falsas não é suficiente para conter o problema. “A facilidade de se criar um site falsificado novo é muito fácil, muito rápido”, afirmou. O presidente do IBJR defende que o combate às fraudes passe, sobretudo, por dificultar a circulação dos recursos financeiros que sustentam as operações ilegais.

 

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