Site falso do governo cobra Pix para ‘liberar’ dinheiro inexistente de apostas

Um site falso que imita a página do governo federal destinada à consulta de valores a receber de casas de apostas cobra uma taxa via Pix para supostamente liberar saldos inexistentes. A fraude usa o domínio brasilsembets.org, visualmente semelhante ao endereço oficial brasilsembets.gov.br, que está fora do ar desde o encerramento do prazo para consulta e devolução dos recursos.
A reportagem da Veja Negócios identificou o esquema durante testes; a página clandestina informou a existência de R$ 1.800 a receber mesmo para uma repórter que nunca criou conta em qualquer plataforma de apostas. Para consultar e liberar o suposto saldo, o usuário precisa informar o CPF e pagar o chamado “Imposto de Liberação”, cobrado à alíquota de 15% sobre o valor exibido.
O golpe segue um padrão já registrado em clonagens recentes de sites de casas de apostas autorizadas a operar no Brasil. Carlos Lima, presidente do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), afirma que criminosos reproduzem nomes, logotipos e elementos visuais das operadoras, alterando apenas os domínios para enganar os consumidores.

Ausência do site oficial facilita fraude
A saída de ar do endereço oficial do governo amplia a vulnerabilidade dos usuários. “Agora, como o consumidor não tem mais o site legalizado para ajudá-lo a identificar qual é o verdadeiro e qual é o falso, esse golpe tem crescido”, declarou Lima.
Plataformas clandestinas não oferecem as mesmas proteções das operadoras regularizadas. Entre as salvaguardas ausentes estão a verificação de identidade por reconhecimento facial, o bloqueio de acesso a crianças, adolescentes e beneficiários de programas sociais, além de ferramentas de autoexclusão para quem deseja interromper as apostas.
Bloqueio financeiro como solução
Para Lima, derrubar as páginas falsas não é suficiente para conter o problema. “A facilidade de se criar um site falsificado novo é muito fácil, muito rápido”, afirmou. O presidente do IBJR defende que o combate às fraudes passe, sobretudo, por dificultar a circulação dos recursos financeiros que sustentam as operações ilegais.


