Sites de apostas reduzem consumo em shoppings e movimentam R$ 30 bi por ano, diz Abrasce

Apostas I 05.02.26

Por: Magno José

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Sites de apostas reduzem consumo em shoppings e movimentam R$ 30 bi por ano, diz Abrasce
Presidente da associação afirma que bets impactam negativamente o varejo brasileiro, especialmente entre consumidores endividados, apesar do faturamento recorde de R$ 200,9 bilhões em 2025

A Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) identificou que os sites de apostas online estão impactando negativamente o consumo no setor varejista brasileiro. O presidente da entidade, Glauco Humai, afirmou que as bets movimentam aproximadamente R$ 30 bilhões por ano no país. A informação foi apresentada nesta quarta-feira (5/2) durante a divulgação dos resultados do setor em 2025.

O faturamento dos shoppings centers no Brasil totalizou R$ 200,9 bilhões no ano passado, representando crescimento de 1,2%. Segundo informações do Estadão, esse percentual ficou abaixo da previsão inicial de 1,6% e do resultado de 2024, quando houve elevação de 1,9% nas vendas. Apesar do crescimento menor, o volume de vendas alcançado em 2025 foi o maior já registrado na história do setor.

“As bets estão tirando, sim, dinheiro do consumo e dos shoppings”, declarou Humai. O presidente da Abrasce também afirmou que “as pessoas que estão com pouco dinheiro, muito endividadas e ainda jogando nas bets têm mais dificuldade para comprar”.

Além das apostas online, o comércio eletrônico representa outro desafio para os centros comerciais. “Antes as pessoas pegavam o carro para ir ao shopping, mas hoje podem comprar certos itens pela internet”, reconheceu o presidente da entidade.

O setor encerrou 2025 com 658 shoppings em atividade, distribuídos por 253 cidades no Brasil. A área bruta locável aumentou 0,9%, chegando a 18,3 milhões de metros quadrados. O número total de lojas cresceu 1,2%, totalizando 124,7 mil estabelecimentos. O contingente de trabalhadores também registrou aumento de 0,9%, alcançando 1,082 milhão de pessoas empregadas.

A taxa de ocupação média dos shoppings foi de 95,4%. “O que temos hoje é uma vacância técnica. Se o shopping estiver 100% ocupado, não cabem novas lojas, nem chegadas de marcas”, ponderou Humai.

Dez novos shoppings foram inaugurados em 2025, e a Abrasce prevê mais 11 inaugurações para 2026. O presidente da associação explicou que os 81 shoppings inaugurados desde 2020 ainda estão em fase de amadurecimento. “Isso puxa a média de vendas do setor para baixo, mas tende a mudar quando eles amadurecerem”, disse.

Sobre o desempenho de 2025, Humai avaliou: “O crescimento poderia ter sido maior que 1,2%, mas o ano foi confuso. O juro foi muito alto no ano passado, pode ter tirado um pouco do afã dos lojistas em crescer.” Mas contamos com o aumento do emprego e da massa salarial, o que ajudou as vendas.

Apesar do crescimento abaixo do esperado, o presidente da Abrasce mostrou satisfação com os resultados. “As vendas ficaram muito próximas do que esperávamos para este ano. O crescimento de 1,6% foi importante, ainda mais se comparado com outros setores, como a indústria, com resultados abaixo. Então, estamos satisfeitos”, afirmou.

Para 2026, a Abrasce projeta crescimento de 1,4% no faturamento, que deve atingir R$ 203,7 bilhões. “Estamos animados, confiantes, mas com cautela para 2026”, declarou Humai.

A entidade espera que a isenção do imposto de renda para pessoas que ganham até R$ 5 mil contribua positivamente para o desempenho do setor. “Isso vai gerar uma sobra de bilhões de reais no orçamento das famílias, e uma parte disso deve ir para o varejo”, estimou o presidente.

A Copa do Mundo também é vista como fator positivo para os shoppings. “As pessoas saem do trabalho e podem ir ver o jogo nos shoppings, ficando ali depois. Se fosse no meio da manhã ou da tarde isso seria mais difícil”, destacou.

Por outro lado, Humai apontou fatores de preocupação: “O rumo das eleições provoca muita instabilidade e dúvida por aqui. E no cenário internacional, os EUA estão colocando pressão em muitos países. Tem muita bravata, mas de todo modo, isso causa muita insegurança entre investidores, cadeias produtivas e empresas”.

 


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