Só mais um a ultrapassar

Jockey I 28.10.04

Por: sync

Compartilhe:

Dois anos e meio é o tempo estimado por Jorge Ricardo para seu nome estar em primeiro plano na história do turfe mundial. Transformar-se no maior jóquei de todos os tempos em número de vitórias é o que faz o brasileiro encontrar motivação para dar continuidade a uma exigente rotina que já dura 27 anos. Há pouco mais de uma semana, Ricardinho alcançou a vitória de número 8.834, que o alçou ao posto de segundo do mundo. Hoje, já soma 8.841.
Correndo uma média de 38 páreos por semana (de sexta-feira a segunda-feira), ele quer superar o panamenho Laffit Pincay Jr., dono do recorde de 9.530 triunfos. Na cola de Ricardinho, vem o americano Russel Baze, que leva a vantagem de montar todos os dias, e tinha 8.715 vitórias em 18 de outubro. Aos 43 anos, o pai de Júnior e Nicole não acredita que os filhos continuarão a tradição da família. ”No começo, queria que o Júnior fosse jóquei, mas fui percebendo que ele não vai ter biotipo para isso. Confesso que até gostei, depois. É uma carreira que exige muitos sacrifícios e você corre riscos. No caso da Nicole, não gostaria que seguisse porque é muito arriscado para uma menina. É melhor ela fazer balé”, se diverte Ricardinho.
Ele conhece como ninguém o preço da vitória. A rotina começa às 5h, com os treinos na Gávea, passa pela preparação física, à tarde, e pelos páreos. Sem contar o rígido regime para manter o peso, sua maior dificuldade com o passar dos anos, que lembra os das modelos de passarela. No cardápio, verduras, legumes e grelhados. Massa só de vez em quando e em pouca quantidade. “Passei a controlar meu peso a partir dos 25 anos. Sinto falta de arroz e feijão, de um pudim, uma goiabada. Só como essas coisas uma vez na semana”, lamenta Ricardo, que se mantém com 55kg.
O regime perto do perigo das quedas parece não ser tão ruim assim. Ricardinho já perdeu as contas de quantas já sofreu. Já quebrou clavícula, pernas, braços, mas somente duas quedas foram mais sérias. A primeira em 1981, quando fraturou o úmero. A mais grave em 1998, que poderia ter abreviado sua carreira nas pistas: “Cai em cima de uma cerca. Tive um corte profundo no braço que quase atingiu meus tendões”.
E parar é palavra que não faz parte do vocabulário de Ricardinho. Compreende bem o sentimento de Oscar Schmidt quando dizia que gostaria de jogar basquete por toda a vida e que sofria com a dúvida do que fazer depois que deixasse as quadras.”Nunca tive dúvidas do que seria na vida. Nem fiz faculdade porque me tornei profissional. Sempre tive amor por cavalos e pelo que faço e por isso nunca pensei em parar. Tenho pelo menos mais dez anos de turfe. Quando alcançar o recorde, quero aumentar a vantagem. Está cada vez mais difícil. A concorrência está aumentando e não sou mais garoto. Só que não sei o que farei quando parar. Ser treinador seria a tendência, mas não sei se terei tanto sucesso”.
Mais conhecido no exteriorRicardinho admite que houve um tempo em que só era reconhecido pelos freqüentadores do Jockey Club. Hoje, apesar de reclamar da pouca divulgação e admitir que o turfe nacional passa por momento difícil, fica contente ao sair às ruas e ser apontado. Mas nada que se compare ao assédio na Argentina: ”Lá, sou mais reconhecido que aqui. Entro em várias lojas e o pessoal me conhece. Eles adoram corridas de cavalos”.
Este ano, recebeu um convite para montar durante quatro meses nos Emirados Árabes. Preferiu abrir mão porque só correria uma vez por mês e também por ser um país estranho aos seus olhos. Só trocaria o Brasil pela Argentina, EUA ou Europa. As bolsas americanas e européias chegam a US$ 2 milhões e o jóquei vencedor ganha 10% deste valor. Em Dubai, há um GP com prêmio de US$ 6 milhões. “No Brasil, o que paga mais é o GP Brasil (R$ 290 mil) e o prêmio maior por páreo chega a R$ 4.400. Não tenho do que me queixar. Mas se tivesse este número de vitórias em outro país, estaria muito melhor financeiramente”, analisa Ricardinho.O Dia – Danielle Rocha

Apostou - 728 x 90 1Apostou - 728 x 90

Compartilhe: