Turfe carioca caminha para duas reuniões semanais

As dificuldades financeiras permanentes do Jockey Club Brasileiro, sufocado por um Movimento Geral de Apostas (MGA) estacionado em torno de R$ 600 mil, a despesa semanal com a promoção de três corridas, os gastos com a indenização da dispensa de inúmeros funcionários, a redução gradativa e inexorável do rebanho de equinos no país, e a dificuldade da diretoria do clube para aumentar as dotações dos páreos, são alguns dos problemas que devem proporcionar, em breve, a diminuição de três, para duas reuniões por semana no Hipódromo da Gávea.
A informação é de fonte ligada a diretoria do JCB. A diminuição dos custos com a realização de menos uma corrida por semana, permitiria ao clube dar um aumento de prêmios nas dotações dos páreos. Na atualidade, os proprietários de puros–sangues de corrida são massacrados, financeiramente, com a relação desfavorável entre a receita arrecadada por seus cavalos nas pistas, e a expressiva despesa proporcionada por eles, no dia a dia das cocheiras. Neste momento doloroso de pandemia, o JCB tem conseguido dar 27 páreos por semana, com 9 deles, por reunião, entre domingo, segunda e terça–feira. A ideia seria dividir, mais ou menos, este mesmo número de páreos em dois dias. E, com isso, economizar quantia suficiente para melhorar as dotações das provas.
A despesa com a promoção de um dia de corrida engloba vários fatores indispensáveis. As programações turfísticas, mesmo tendo início em horário vespertino, se encerram à noite, sob a luz dos refletores. A despesa de energia é alta. Além disso, existe gigantesca infraestrutura montada para permitir a largada dos páreos. São necessários funcionários da Repesagem, balança, serviço de veterinária, atendimento médico, tratoristas, seguradores, starter, punga, encilhadores, condutores das máquinas de pista, etc. e tal. Além disso, tem os funcionários dos guichês, a turma da limpeza e outros mais. E, vale lembrar, as horas extras.
MGA da semana na Gávea
As três reuniões da última semana tiveram resultados financeiros bem parecidos. A segunda–feira teve o melhor faturamento, com R$ 671.041,86. Na terça–feira, este valor caiu pouca coisa, para R$ 650.670,40. E, como quase sempre acontece, a exceção das ocasiões de grandes eventos, o pior arrecadador foi o programa de domingo, com R$ 641.335,38. É preciso enfatizar que apenas o clube hípico carioca tem conseguido, com enorme esforço, promover três programações semanais. Nos clubes hípicos do Rio Grande do Sul e Paraná nunca passa de uma reunião. Em São Paulo também, com a exceção de algumas semanas, com uma corrida extra de sete ou oito páreos, na sexta–feira, e depois a principal, no sábado, com nove ou 10 provas. Os tempos de soberania da Gávea, a cada dia que passa, parecem ter os seus dias contados. (Raia Leve – Paulo Gama)


