TVs temem proibição de apostas e se mobilizam contra veto de Lula

As principais redes de televisão do Brasil se articulam nos bastidores para tentar impedir uma eventual proibição das casas de apostas esportivas no país. A possibilidade, que está sendo cogitada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, provocou apreensão imediata entre executivos das maiores emissoras nacionais.
Segundo apuração da Coluna Canal D do O Dia, as emissoras mobilizaram representantes em Brasília com o objetivo de evitar a edição da Medi Provisória. Donos de afiliadas que também exercem mandatos no Congresso já foram alertados para atuar pela inconstitucionalidade da medida, caso a proibição saia do papel.
O temor das redes tem base financeira direta. As bets respondem por uma parcela relevante do faturamento das emissoras, e algumas delas mantêm sociedades com plataformas do setor. A Globo é sócia da BetMGM, o SBT tem participação na Bet do Milhão e a Band opera a BandBet.
Queda de receita e pressão dupla
O cenário se agrava porque as principais marcas de apostas já vinham reduzindo investimentos em publicidade em canais lineares. Após um período de crescimento acelerado durante a Copa do Mundo, as líderes do setor cortaram suas verbas no segundo semestre. Uma eventual proibição total agravaria ainda mais esse quadro.
Na avaliação das emissoras, o veto também seria ineficaz do ponto de vista da saúde pública. As redes argumentam que a medida fortaleceria plataformas ilegais de apostas, sem produzir efeito prático sobre os problemas associados ao setor.
O argumento central das emissoras é de que uma proibição feriria o livre-arbítrio da população. Um executivo de um importante canal disse o seguinte: “É a mesma coisa de querer proibir facas por conta de uma minoria que usa facas para esfaquear pessoas.”


