Petistas e bolsonaristas se unem contra aprovação do PL dos Jogos de Azar

Destaque I 09.07.25

Por: Magno José

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Petistas e bolsonaristas se unem contra aprovação do PL dos Jogos de Azar
O presidente do Senado (sentado) disse que tomou a decisão devido ao quórum baixo, à divisão de opiniões entre os senadores e aos pedidos de adiamento feitos por líderes partidários (Foto:Carlos Moura/Agência Senado)

Em campos políticos opostos, senadores bolsonaristas e petistas concordaram em um ponto nesta terça-feira (8): barrar a aprovação do PL dos Jogos de Azar. Na sessão plenária, discursaram representantes do governo e da oposição, todos contrários à legalização de cassinos, bingos e jogo do bicho, registra reportagem do NDMais.

Mesmo assim, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), alegou divergências e complexidade da matéria para retirar o item da pauta. Assim, em uma data futura, os senadores devem discutir o mesmo texto que foi criticado nesta tarde.

O senador Humberto Costa (PT-PE) foi o primeiro a subir à tribuna e não poupou críticas ao projeto. De acordo com Humberto Costa, a aprovação do PL dos Jogos de Azar reforçaria o que chamou de “pandemia sobre a saúde mental”

“A aprovação deste projeto selaria um pacto do estado com o vício, com o fomento à criminalidade, com a ilusão e com a destruição silenciosa de lares e consciências”, afirmou Humberto Costa. “Jogo de azar não é entretenimento, é vício, é compulsão, é doença.”

Durante sua fala, o senador questionou as justificativas para a aprovação do PL dos Jogos de Azar. Segundo o presidente interino do PT, os jogos não geram benefícios à economia dos países que os legalizaram.

“Os defensores do projeto dizem que a legislação traria empregos e turismo, mas essa visão é enganosa. A realidade de outros países mostra que o dinheiro gasto em jogos é subtraído da própria economia local, apenas deslocando o consumo de bens essenciais para o jogo”, afirmou Humberto Costa.

Como um de seus argumentos sobre os malefícios da aprovação do PL dos Jogos de Azar, Humberto Costa citou os efeitos da regularização das Bets, que foram alvo de CPIs nos últimos anos. O senador ainda afirmou que a melhor abordagem sobre o tema não é a legalização de atividades criminosas, e sim o reforço do monitoramento e combate às práticas ilegais.

“Se é para combater o jogo ilegal, que fortaleçamos a repressão, que aparelhemos o Estado brasileiro, que tenhamos um desenvolvimento Izalci inclusive tecnológico para a fiscalização adequada dessa atividade hoje ilegal”, comentou Humberto Costa.

Outro petista a se manifestar contra a aprovação do PL dos Jogos de Azar foi Paulo Paim (PT-RS). O senador concordou com as ponderações de Humberto Costa sobre o projeto de legalização dos jogos de azar e também afirmou que seu voto seria contrário.

“O Senado não pode apunhalar a sociedade com um projeto dessa natureza que é irresponsável com a vida das pessoas. Que tenhamos a coragem de dizer não ao vício, a essa falácia que o jogo é solução”, afirmou Paim.

Bolsonaristas são contra a proposta

O discurso de Humberto Costa sobre aumento de fiscalização para combater jogos de azar ilegais não é inédito. Em entrevista ao ND Mais, após a realização da CPI das Bets, o senador Izalci Lucas (PL-DF) já havia se posicionado, de forma inflexível, contra aprovação do PL dos Jogos de Azar. Em junho, o senador sugeriu que o melhor caminho seria via investimentos em segurança pública.

“Hoje eu votaria contra todo o projeto porque de fato as consequências são muito ruins”, afirmou o senador Izalci. “Tem que aumentar a fiscalização e as penalidades. Porque se houver fiscalização, você reduz realmente muito o jogo clandestino. De fato, o jogo de azar existe, mas quando você regulamenta, você oficializa e vai incentivar cada vez mais.”

Esse não é o único ponto de convergência do discurso entre os dois lados da chamada polarização. Em sua fala, o senador Eduardo Girão (Novo-CE) usou o mesmo termo que Humberto Costa para se referir às apostas: pandemia.

“Hoje tem mais viciados em apostas, jogos eletrônicos, Tigrinho, esses lixos todos, do que em crack, do que em cocaína, do que em maconha. Você acredita nisso? Hoje virou uma pandemia”, comentou Girão.

Por sua vez, o senador Márcio Bittar (União-AC) iniciou criticando o governo PT e gestões anteriores. De acordo com Bittar, o narcotráfico se alastrou durante os mandatos de Lula e Dilma Rousseff. No entanto, na prática, o seu posicionamento foi similar aos dos senadores petistas Humberto Costa e Paulo Paim.

“Você acha que eu vou colocar a minha digital no governo da esquerda? É o sétimo governo que o Brasil enfrenta da esquerda”, comentou Márcio Bittar. “Parte da economia no Brasil está na mão do narcotráfico, das facções criminosas e eu vou colocar a minha digital legalizando os jogos de azar em um país como o nosso?”

Na sequência, foi a vez do senador Plínio Valério (PSDB-AM) defender sua posição contra a aprovação do PL dos Jogos de Azar. Em seu discurso, ele afirmou que o Amazonas não precisa de cassinos que podem causar problemas mentais, econômicos e sociais, mas sim de investimentos para alavancar a economia local.

O senador Cleitinho (Republicanos-MG) foi outro senador identificado com as pautas do ex-presidente Jair Bolsonaro que adotou discurso contrário à aprovação do PL dos Jogos de Azar. Segundo o parlamentar, este é “o momento da gente dar uma resposta à população brasileira.”

Crítico contumaz do governo Lula, Magno Malta (PL-ES) foi outro que compôs a união contra a aprovação do PL dos Jogos de Azar. No pronunciamento, Magno Malta se referiu diretamente ao vice-líder do governo no Senado, Randolfe Rodrigues (PT-AP), para citar outras ocasiões que estiveram do mesmo lado.

“Hoje nós tivemos uma grande vitória, senador Randolfe. Nós lutamos por dois mandatos, eu e vossa Excelência, para não aprovar a jogatina no Brasil. Tem muita gente que nem sabe disso”, afirmou Malta. “Nós queríamos que votassem logo de uma vez, para acabar com essa sanha de uma só vez.”

No mesmo sentido, o senador Marcos Rogério (PL-RO) afirmou que queria “sepultar de vez o tema da jogatina no Brasil.” Após classificar como uma “desgraça para o país”, Marcos Rogério também alertou para os desdobramentos da legalização dos jogos de azar no país.

“Aprovar ou rejeitar a legalização dos jogos é uma escolha política, mas as consequências são inevitáveis para o Brasil inteiro, especialmente para a família brasileira”, comentou.

Por sua vez, o senador Zequinha Marinho (Podemos-PA) justificou seu entendimento contrário à aprovação do PL dos Jogos de Azar com princípios do cristianismo.

“A Bíblia, a Palavra de Deus, nos ensina sobre a temperança, a responsabilidade e o cuidado com o próximo. O jogo em sua essência contraria esse princípios, estimulando a ganância”, afirmou Zequinha.

Nenhum parlamentar discursou a favor da aprovação do PL dos Jogos de Azar. No entanto, Soraya Thronicke (Podemos-MS) e Sergio Moro (União-PR) afirmaram que o projeto pode ser benéfico, desde que haja um aprofundamento do debate.

 

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