Debate sobre o Brasil na G2E 2025 reforça a ambição do país em se tornar um dos maiores mercados de jogos do mundo

Apostas I 06.10.25

Por: Magno José

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Debate sobre o Brasil na G2E 2025 reforça a ambição do país em se tornar um dos maiores mercados de jogos do mundo 1
Fábio Augusto Macorin, subsecretário de Monitoramento e Fiscalização da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda; Leonardo Baptista, CEO da Pay4Fun; André Santa Rita, sócio do Pinheiro Neto Advogados; com moderação de Lindsay Slader, GeoComply Solutions

Las Vegas — A 25ª edição da Global Gaming Expo (G2E) começou nesta segunda-feira (5) no Sands Expo do Venetian Resort, em Las Vegas, reunindo de 6 a 9 de outubro operadores, fornecedores e autoridades de diversas partes do mundo. Na abertura do programa de educação G2E 2025, voltado a executivos e profissionais do setor, um painel inteiro foi dedicado ao “Lançamento do mercado brasileiro: insights e dados importantes”, com a participação de Fábio Augusto Macorin, subsecretário de Monitoramento e Fiscalização da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda; Leonardo Baptista, CEO da Pay4Fun; André Santa Rita, sócio do Pinheiro Neto Advogados; com moderação de Lindsay Slader, GeoComply Solutions.

Em janeiro de 2023, após décadas de discussão legislativa, o Brasil passou a exigir licenciamento federal para operadores de apostas esportivas e iGaming, com regras rígidas de prevenção à lavagem de dinheiro e de jogo responsável. “Já temos hoje 78 operadores licenciados e um conjunto de portarias que abordam toda a cadeia, de métodos de pagamento a requisitos de sistema e jogos”, explicou Fábio Macorin, que atuou na elaboração das normas ao longo de 2024.

As normativas publicadas pela SPA abrangem sistemas de pagamento, medidas anti-lavagem de dinheiro e procedimentos de KYC (Conhecer Seu Cliente), visando aumentar a segurança e transparência nas operações.

Mercado em rápido crescimento 

Dados apresentados no painel mostram que, só no primeiro semestre de 2025, o volume de apostas reguladas chegou a US$ 3,5 bilhões de receita bruta de jogo (GGR), sem contabilizar transações em sites ilegais. A GeoComply, especialista em geolocalização, ainda registrou 3 bilhões de transações e 15 milhões de usuários em sua plataforma de compliance. Apesar desses números, estudos de associações setoriais apontam que quase metade dos apostadores brasileiros permanece em canais ilegais, o que reforça a estimativa de potencializar o mercado regulamentado para algo acima de US$ 10 bilhões anuais de GGR.

Desafios e combate ao ilegal 

O principal entrave ao crescimento pleno é a concorrência com sites offshore, que operam sem licenciamento e chegam a oferecer condições mais atraentes a apostadores menos exigentes. Para frear o fluxo de clientes para o mercado negro, o Banco Central tem endurecido as regras sobre instituições de pagamento e PIX – principal meio de transação no país –, exigindo que todas as empresas se regulamentem até março de 2025. “Com a proibição do banking-as-a-service indireto para o PIX, criamos barreiras eficazes ao financiamento de plataformas não autorizadas”, destacou Baptista.

Além disso, desde fevereiro de 2025, processadores de pagamento foram responsabilizados por operações com sites ilegais, o que elevou a taxa de canalização (passagem de apostadores para o mercado licenciado) de apenas 5% no início do ano para patamares que, segundo os especialistas, podem chegar a 70% a 80% até o fim de 2026.

O PIX consolidou-se como o método de pagamento predominante no setor de apostas no Brasil, respondendo por cerca de 90% das transações. Uma portaria específica responsabiliza instituições financeiras que mantêm relações com operadores ilegais, buscando interromper o fluxo de recursos para sites não autorizados.

O Banco Central implementou restrições temporárias para novas autorizações de fintechs que operam com PIX no setor de apostas, válidas até março de 2025. A instituição também proibiu o modelo “banking as a service” indireto para o mercado de jogos, como parte dos esforços para direcionar as transações financeiras exclusivamente para canais legalizados.

Estratégias de educação e publicidade responsável 

Outro foco apontado na G2E foi a importância de campanhas educativas para conscientizar o público sobre riscos de fraudes e golpe na internet. “O apostador precisa entender que, em plataformas não regulamentadas, não há a quem recorrer em caso de problema. Ele pode perder tudo sem ter seus direitos protegidos”, afirmou André Santa Rita. Para reforçar essa mensagem, entidades do setor têm firmado parcerias com redes sociais, Google Play, Meta, Apple e operadoras de telecomunicações, além de lançar cursos online sobre jogo responsável.

Os palestrantes defenderam ainda a ampliação do licenciamento para toda a cadeia de fornecedores — de desenvolvedores de jogos a afiliados e influenciadores digitais —, de modo a garantir que todos os participantes sejam aliados na fiscalização e na promoção de práticas seguras. Na avaliação dos reguladores, esse modelo colaborativo é fundamental para replicar, no Brasil, boas experiências internacionais de combate ao mercado ilegal.

Debate sobre o Brasil na G2E 2025 reforça a ambição do país em se tornar um dos maiores mercados de jogos do mundo 1
Durante painel de abertura em Las Vegas, reguladores e executivos brasileiros detalharam avanços da nova regulamentação, desafios com o jogo ilegal e estratégias para educar consumidores

Perspectivas futuras 

Encerrando o encontro, o subsecretário Fábio Macorin destacou que novas normas de jogo responsável, com regras mais detalhadas sobre acessibilidade financeira e monitoramento de padrões de apostas, devem ser publicadas ainda em 2026. Com investimentos crescentes dos operadores em tecnologia de KYC (conhecimento do cliente), geolocalização e inteligência de dados, o Brasil mira consolidar-se como uma das mais promissoras jurisdições de iGaming no mundo.

G2E 2025

A G2E 2025 segue até quinta-feira (9) com debates sobre inovação, responsabilidade social e tendências tecnológicas, enquanto a comunidade global de jogos acompanha de perto a evolução do mercado brasileiro em sua fase inicial de regulação.

Promovida pela American Gaming Association (AGA) e organizada pela RX, a G2E 2025 celebra seu 25º aniversário como principal encontro mundial da comunidade global de jogos de cassino, reunindo a indústria no Sands Expo de Las Vegas, no The Venetian Resort, de 6 a 9 de outubro.

A AGA, como grupo comercial nacional que representa a indústria de cassinos dos EUA, promove um ambiente político e comercial propício ao desenvolvimento de jogos legais e regulamentados. Sua diversificada associação, com operadores de cassinos comerciais e tribais, empresas de apostas esportivas e iGaming, fornecedores de jogos e outros, lidera um setor de US$ 329 bilhões que gera 1,8 milhão de empregos em todo o país.

 

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