“Não vou pedir desculpas por defender o mercado regulado”

Opinião I 03.08.26

Por: Magno José

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Governança, compliance e combate ao mercado ilegal de jogos foi a tônica do GAT Brasil 15
Amilton Noble*

Há mais de 30 anos dedico minha vida profissional ao mercado de jogos e loterias. E faço isso com convicção inabalável, transparência e a plena consciência de que estou defendendo uma atividade legítima, regulamentada e absolutamente essencial, que quando conduzida com responsabilidade gera empregos, arrecadação, investimento social e proteção real ao consumidor.

Nunca foi e nunca será o caminho mais fácil.

Defender esse setor significa, muitas vezes, enfrentar o desconforto, a incompreensão e até o julgamento público.

Significa ser atacado por quem, em muitos casos, não faz a menor ideia de como essa indústria funciona na prática. Significa ver argumentos técnicos sendo esmagados por manchetes sensacionalistas, narrativas simplistas e discursos carregados de emoção, mas vazios de conhecimento.

Esse é o preço de não se omitir. E eu nunca escolhi a omissão.

Ao longo da minha trajetória, acompanhei a evolução do mercado, participei da construção de produtos, vivi diferentes modelos regulatórios e testemunhei, repetidas vezes, o mesmo erro histórico sendo cometido.

Sempre que o Estado abre mão de regular uma atividade com forte demanda social, ele não elimina essa atividade. Ele apenas entrega esse espaço, sem qualquer controle, para quem não respeita regra alguma.

Quem ainda acredita que proibir resolve o problema dos jogos precisa encarar uma verdade incômoda.

Em que lugar do mundo a proibição eliminou a demanda? Já ouviram falar de Al Capone?

Ela não elimina.

Ela empurra.

Ela distorce.

Ela alimenta o submundo.

E o mercado ilegal não tem rosto, não tem responsabilidade e não tem limites. Não faz verificação de identidade, não combate lavagem de dinheiro, não protege menores de idade, não oferece mecanismos de autoexclusão, não respeita limites de jogo, não paga tributos e não deve absolutamente nada à sociedade.

Cada aposta feita nesse ambiente clandestino é um passo a mais na direção do descontrole e um passo a menos na proteção do cidadão.

É por isso que sempre defendi a regulamentação.

Não porque acredito em um mundo idealizado.

Mas porque sei, com a experiência de décadas, que um mercado regulado, ainda que imperfeito, é infinitamente mais seguro do que um mercado abandonado à ilegalidade.

Dito isso, também é preciso ter coragem para olhar para dentro. Colocar o dedo na ferida.

A regulamentação, por si só, não é um selo de virtude.

Ela exige postura. Exige compromisso. Exige responsabilidade diária.

Precisamos abandonar, de forma definitiva, qualquer prática que incentive o jogo impulsivo, que alimente ilusões de enriquecimento fácil ou que trate apostas como solução financeira. E é notório que certos operadores regulados, por despreparo, desespero, ganância ou, por qualquer que seja a razão, estão testando os limites da regulamentação.

Nosso compromisso deve ser com o entretenimento responsável, sem exceções, sem atalhos, sem hipocrisia.

Precisamos investir de forma contínua e séria em prevenção, educação, monitoramento preventivo dos hábitos dos apostadores, proteção aos vulneráveis, tecnologia, compliance e integridade.

Jogo responsável não pode ser um detalhe decorativo escondido no rodapé de um site.

Ele precisa ser o alicerce.

Precisa estar, genuinamente, no DNA das empresas reguladas. Não porque elas precisam cumprir a lei, mas porque elas acreditam que somente assim, protegendo os apostadores, teremos um mercado saudável, equilibrado e sustentável.

Precisa orientar decisões comerciais.

Precisa moldar produtos.

Precisa influenciar campanhas.

E, acima de tudo, precisa estar presente nas atitudes reais, não apenas no discurso.

Se falharmos nisso, o risco é profundo.

Não estamos falando apenas de perder mercado.

Estamos falando de perder algo muito mais grave, a confiança da sociedade.

E uma indústria sem confiança não sobrevive, ela desmorona.

Por isso, faço um chamado direto a todos que atuam no mercado regulado.

É hora de elevar o padrão. E não de forma simbólica, mas concreta, visível, mensurável.

Vamos provar, com ações, que é possível conciliar liberdade econômica, inovação, arrecadação e, acima de tudo, proteção ao consumidor.

Não basta defender a regulamentação.

É preciso honrá-la todos os dias, com coerência e coragem.

Eu continuarei defendendo esse mercado, como faço há mais de três décadas.

Não por conveniência.

Mas porque sei, com absoluta clareza, que a alternativa é muito mais sombria.

Quem defende a proibição está, mesmo que de forma inconsciente, expondo 25 milhões de apostadores ao perigo de ter que recorrer ao jogo ilegal, sem direito de escolha.

Regular é proteger.

Fiscalizar é proteger.

Educar é proteger.

E é preciso repetir isso sem hesitação: o verdadeiro inimigo nunca foi o mercado regulado.

O verdadeiro inimigo sempre foi, e continua sendo, a ilegalidade.


(*) Amilton Noble é profissional com mais de 30 anos de atuação no mercado de jogos e loterias, com experiência em regulação, compliance, integridade e jogo responsável, e defensor de um setor transparente, ético e sustentável

 

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