Do digital ao físico: painel analisa o próximo movimento do mercado de apostas

BNL I 21.09.26

Por: Magno José

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Do digital ao físico: painel analisa o próximo movimento do mercado de apostas
Painel ‘Sports Bar e a Economia da Experiência Esportiva’ contou com a participação de Fábio Tibéria, Vice-presidente da BetConstruct; Lucinéia Souza, Diretora Jurídica e de Compliance da Bethanus  e Joberto Porto, Chief Legal Officer da CDA Gaming

Durante o BiS SiGMA João Pessoa, realizado nos dias 16 e 17 de setembro, Fábio Tiberia, Vice President LATAM da BetConstruct, participou dos debates sobre o desenvolvimento do setor e chamou atenção para uma questão que tende a ganhar espaço nos próximos anos: à medida que o mercado online recebe novas restrições, qual será o papel do jogo físico? A participação de Tiberia como vice-presidente da BetConstruct no evento foi registrada pela programação oficial e pela cobertura especializada. (Brazilian iGaming Summit)

Os detalhes técnicos são deliberadamente reduzidos aqui por uma questão de espaço. O ponto central é observar o mercado como um ecossistema, e não como uma sucessão de canais independentes.

O Brasil está aumentando progressivamente os mecanismos de controle sobre as apostas online. Bolsa Família, BPC e, mais recentemente, participantes de programas de renegociação de dívidas e do Fies passaram a integrar bases de impedimento utilizadas pelo SIGAP. Segundo o Ministério da Fazenda, cerca de 10% dos aproximadamente 40 milhões de usuários ativos cadastrados no sistema estavam, em agosto de 2026, enquadrados em alguma categoria de impedimento, considerando também autoexclusão. (Serviços e Informações do Brasil)

Para Tiberia, existe aqui uma reflexão histórica importante. O Brasil não é o primeiro mercado a percorrer um caminho de maior restrição. A Itália, por exemplo, adotou em 2018 uma ampla proibição da publicidade de jogos e apostas através do chamado Decreto Dignità.

“Discutir hoje simplesmente a proibição da publicidade como uma solução inédita seria quase como assistir a Rocky I em 2026 esperando um final diferente”, observa.

A questão, porém, vai além da publicidade.

Tiberia compara o mercado a um rio. Quando seu curso natural é bloqueado, a água não desaparece: procura uma nova saída. Da mesma forma, restringir progressivamente o canal digital não significa necessariamente eliminar a demanda por jogo. Parte dela pode ser deslocada para outros canais.

E é aqui que o mercado físico volta ao centro da discussão.

A Itália novamente oferece uma referência interessante. Em 2024, o mercado legal movimentou aproximadamente €157 bilhões, com o online representando cerca de 58,5% do volume apostado. Mesmo assim, AWP, VLT e outras modalidades físicas continuam possuindo peso econômico relevante.

O paradoxo é que determinadas modalidades físicas podem operar com RTP inferior ao de muitos produtos online. Assim, migrar o consumo do digital para o físico não significa automaticamente reduzir a perda financeira do jogador.

Além disso, aparecem novos desafios: KYC presencial, utilização de dinheiro em espécie, origem dos recursos, pagamentos e rastreabilidade financeira.

A conclusão de Tiberia é simples: o futuro da regulação precisa considerar o ecossistema completo.

“É possível construir barreiras no curso de um rio. O problema começa quando não estudamos para onde aquela água será desviada. Uma regra criada para reduzir determinado risco pode simplesmente fazê-lo reaparecer em outro ponto do mercado.”

 

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