Na TV 247, Murilo Hidalgo afirma que endividamento não vem das bets e chama proibição de “tiro no pé”

Apostas I 17.10.26

Por: Magno José

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Em entrevista a Leonardo Attuch, Murilo Hidalgo afirma que o governo atribuiu às bets uma dívida que nasce do orçamento apertado e dos juros altos, e que a MP das Bets medida mexeu com clubes e torcidas organizadas e prejudicou Lula no 1º turno

A proibição das apostas esportivas e dos jogos online foi “um tiro no pé” do presidente Lula. A avaliação é de Murilo Hidalgo, diretor do Paraná Pesquisas, em entrevista ao jornalista Leonardo Attuch, fundador do portal Brasil 247 e da TV 247, veículo alinhado ao PT e ao presidente. A conversa foi gravada na terça-feira (6/10), dois dias depois do primeiro turno, em que Flávio Bolsonaro (PL) terminou cerca de dois pontos à frente de Lula nos votos válidos.

Foi o próprio Attuch quem levou o tema à mesa, ao perguntar a Hidalgo qual tinha sido o impacto das bets na eleição. A resposta veio sem rodeios.

“Tiro no pé. Vou te explicar. A prova de que foi um tiro no pé: o presidente Lula anuncia numa sexta-feira e nunca mais fala sobre as bets. O assunto bets morreu”, disse o pesquisador, referindo-se ao anúncio da Medida Provisória nº 1.394/2026, feito em 25 de setembro, a nove dias do primeiro turno.

“Colocaram para ele que a dívida é por causa das bets”

Para Hidalgo, o erro de origem foi o diagnóstico que chegou ao presidente. “Colocaram para ele que a dívida do brasileiro é por causa das bets. Não é por causa das bets. As bets são um dos motivos”, afirmou.

O diretor do Paraná Pesquisas citou levantamentos do próprio instituto segundo os quais entre 75% e 80% de quem aposta o faz por diversão, e não por vício. E recorreu a comparações para mostrar o que considera desproporcional na medida: “É a mesma coisa de dizer: vamos acabar com as loterias da Caixa, porque tem 10%, 20% que são viciados nisso. É acabar com a cerveja, por exemplo. Eu gosto de tomar cerveja”. Attuch concordou: “Exatamente. Vamos acabar com a cerveja”.

Hidalgo apontou ainda um efeito que, na avaliação dele, o governo não previu. “Foi uma atitude precipitada do presidente Lula e, principalmente, eles não esperavam que fosse mexer com as torcidas organizadas de futebol, que fosse mexer com os times de futebol. Por isso que, ao meu ver, foi um tiro no pé.”

 

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O endividamento tem outra origem

Na sequência, Attuch perguntou se os endividados atribuem suas dívidas às bets. Hidalgo foi direto: “Por outras questões”. Segundo ele, todas as pesquisas apontam o mesmo motivo principal. “O dinheiro não dá até o final do mês. Todo mês a pessoa vai se endividando R$ 50, R$ 60, R$ 80. Chega no final do mês, não está fechando as contas. Esse é o grande problema.”

Attuch sugeriu então outra explicação, recorrente no discurso do presidente, a do estímulo ao consumo e de um consumismo exacerbado. Hidalgo admitiu o fenômeno, mas o tratou como mundial e ligado à facilidade de crédito, que considerou um acerto do governo. E descartou que cortar o crédito seja solução. Para ele, o que pesa contra Lula é outra coisa: “O maior problema hoje é mostrar uma luz de como vai resolver a dívida das pessoas. Quem deve hoje reclama do quê? Não consegue pagar por causa das taxas de juros, que são muito altas”.

Na mesma entrevista, Hidalgo listou os três fatores que, segundo as pesquisas quantitativas e qualitativas do instituto, levaram Flávio a terminar na frente: a economia (endividamento e preço do supermercado), a segurança pública e a crise envolvendo o STF. As bets não aparecem como causa da dívida, mas como um erro de estratégia.

Pesquisa como base da medida

A avaliação contrasta com a lógica que sustentou a MP. Na véspera do anúncio, pesquisa Atlas/Bloomberg indicava 75% de apoio à proibição, e a campanha passou a associar o adversário às apostas com o slogan “Flávio é bet. Lula é o caminho”. Após o primeiro turno, reportagens de Estadão, Folha, CNN Brasil e O Globo registraram que integrantes da própria campanha passaram a ver a medida como um dos erros da reta final.

Hidalgo ressalvou que a disputa não está decidida. A diferença de dois pontos é reversível, e os debates do segundo turno devem pesar. Mas previu que as primeiras pesquisas mostrariam Flávio à frente acima da margem de erro, e resumiu: “Nesse momento há um favoritismo para o Flávio Bolsonaro”.

O peso da declaração está no lugar onde foi feita. Em um dos principais canais da imprensa alinhada ao governo, um diretor de instituto que esteve entre os que mais se aproximaram do resultado de 2022 disse, com dados das próprias pesquisas, que o governo errou ao culpar as bets pelo endividamento das famílias.

Assista à entrevista completa: https://www.youtube.com/watch?v=wxcNDB-Fqeg

 


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