História dos baralhos pelo mundo
América Latina O aparecimento e o desenvolvimento das cartas de jogar nos países da América Latina estão diretamente vinculados à atividade colonizadora de Espanha e Portugal. Em 1576, estabeleceu-se no México a Central das cartas, com a qual estas passaram a ser diretamente controladas pela Fazenda Real espanhola até 1811 quando a venda e distribuição no México é liberada. Quanto a Portugal, exportou regularmente para o Brasil suas cartas (com característico dragão que figurava nos ases). Em geral, tanto no Brasil como nos países que foram colônias espanholas, a fabricação de cartas só passaria a diversificar-se e a adquirir uma sólida identidade própria no século XX. Ilhas Britânicas Na Grã-Bretanha, as cartas sofreram grande influência do baralho francês, do qual adotaram os desenhos básicos. As denominações dos naipes foram adaptadas para hearts (corações ou copas), spades (espadas), diamonds (losangos ou ouros) e clubs (bastões ou paus). Os termos spades e clubs constituem também uma evidente referência às espadas ou lanças e aos bastões (bastos) do baralho espanhol. Os jogos mais destacados nas Ilhas Britânicas foram o Whist, criado em 1670 e o Bridge. O baralho inglês compõe-se de 52 cartas, com quatro naipes de treze cartas cada um. No princípio do século XX acrescentou-se o curinga, que surgiu como carta suplementar para alguns tipos de jogos. França Na França, as primeiras referências documentais às cartas de jogar datam de 1381. Elas foram introduzidas através da Espanha e da Itália, o que explica a importância alcançada naquele país tanto pelo baralho de jogos quanto pelo de tarô. O baralho francês, essencialmente semelhante ao inglês, constitui-se de 52 cartas, cada naipe constando de nove delas numeradas e outras quatro figuradas (ás, rei, dama e valete). Os naipes têm os seguintes nomes originais: losangos (carreaux), corações (coeurs), lanças (piques) e trevos (trèfles), correspondentes respectivamente aos naipes de ouros, copas, espadas e paus do baralho inglês. Nos baralhos franceses antigos era costume aproveitar as cartas figuradas para homenagear personagens históricos ou lendários como Carlos Magno, Lancelot, etc. De 1780 em diante difundiu-se em toda a França o chamado “Portait de Paris”(Retrato de Paris), baralho com novos desenhos que passou a servir como referência-padrão para todos os fabricantes de cartas, e que era impresso num papel filigranado fornecido pelo Estado. O baralho de Tarô de Marselha, muito divulgado em toda a França, compõe-se de 78 cartas, tal como o Tarocchi de Veneza e Milão. Ele se utiliza dos mesmos símbolos e figuras, só que os textos são em francês. Países Germânicos O mais antigo documento sobre cartas de jogar conservado na Alemanha data de 1377. No século XV destacaram-se alguns pintores que elaboraram cartas de grande tamanho, nas quais apareciam símbolos relacionados à arte da caça, quase sempre utilizando figuras de animais para distinguir os quatro naipes do baralho. O baralho alemão compõe-se de dez cartas numeradas e três figuradas em cada um dos naipes. As figuras são o Untermann (valete), o Obermann (calaveiro) e o König (rei). Países Baixos As cartas de jogar já eram conhecidas em Flandres no sinal do século XIV. Já no século XIX começa a desenvolver-se na cidade de Turnhout uma forte atividade de produção de cartas, onde hoje se situa o principal centro desse setor industrial. Quanto à Holanda, no final do século XVII suas cartas caracterizam-se por refletir, de um ponto de vista crítico, os acontecimentos políticos e religiosos que ocorreram na Grã-Bretanha. Em séries seguintes produzem-se em Amsterdã cartas ilustradas com cenas de guerras e fortificações. Portugal Os primeiros naipes portugueses seguem o modelo dos naipes espanhóis, tendo, desse modo, os mesmos símbolos: ouro, copas, espadas e paus. Uma particularidade exclusiva e que sempre apresentou as cartas portuguesas é o símbolo do dragão que se inclui nos quatro ases do baralho. A criação da gráfica Real supôs, em 1769, a consolidação do monopólio real quanto à produção de cartas para Portugal e suas colônias. Em 1820, a gráfica Real passou a chamar-se Gráfica Nacional e ampliou sua produção aos desenhos do tipo francês e inglês. Finalmente em 1832, estabeleceu-se por decreto o fim do monopólio estatal para a produção de cartas. Itália O mais antigo testemunho escrito sobre cartas de jogar na Itália encontra-se em um documento conservado em Viterbo, datado de 1379. O baralho tradicional italiano usa os mesmos quatro naipes do baralho espanhol: denari (ouros), coppe (copas), spade (espadas) e bastoni (bastões). Cada naipe tem dez cartas com números (de 1 a 10), mais o valete, o cavaleiro e o rei (que sempre aparece sentado). Uma grande contribuição da Itália à história das cartas de jogar é o tarô, que consta de 78 cartas – em cada naipe, dez com números e quatro com figuras, mais os 22 arcanos (atuttis), que, em alguns exemplares, chegam a ser até 41. Os símbolos esotéricos do tarô derivam de antigas filosofias egípcias e gregas, combinadas com a teoria dos números de Pitágoras. Os primeiros tarôs conhecidos são o de Milão e o de Veneza, ou piemontês. Posteriormente, esse último recebeu adaptações, para exportação à Franca. Foi essa a origem do tarô de Marselha. Resto da Europa Nos demais países do continente europeu adotaram-se, em geral, os símbolos e figuras usados na França, na Inglaterra e na Alemanha, com exceção de Portugal, cujas primeiras cartas seguem o padrão das espanholas. A partir desses modelos surgiram diversas particularidades em cada um dos países variando de fabricante para fabricante. Países Exóticos Com exceção de China, Japão, Índia e Irã (antiga Pérsia), onde os baralhos se incluem entre as mais antigas tradições e apresentam formas e estilos de extraordinária riqueza, a difusão das cartas de jogar no mundo esteve muito vinculada à expansão colonial dos países europeus. Os navegantes e colonizadores espanhóis, franceses, ingleses e portugueses levaram suas cartas às novas colônias, que logo adotaram esses modelos. Nesses países, a produção de cartas não se tornou efetiva até o século XX. O único baralho árabe conhecido é datado do século XV, e encontra-se em conservação em Istambul. Os naipes desse baralho são os italianos (ouros, copas, espadas e bastões), mas nenhuma figura é representada. As cartas chinesas, caracterizadas pela forma alongada, eram originalmente produzidas em osso ou marfim. Na Índia, por outro lado, as cartas mais antigas, de forma redonda, são pintadas e envernizadas sobre cartão. Em muitos casos, trata-se de autênticas obras de arte, tal como acontece com os baralhos tradicionais persas e japoneses. Site da Copag


