Paralimpíada chega com atletas brasileiros preparados para vencer

O Brasil inicia nesta terça-feira, com 260 atletas, a disputa dos Jogos Paralímpicos de Tóquio com o objetivo, traçado pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), de se manter entre os dez primeiros países no quadro de medalhas, patamar que o Brasil obtém desde Pequim, em 2008.
Na última Paralimpíada, no Rio de Janeiro há cinco anos, o país terminou no oitavo lugar, com 72 medalhas, sendo 14 de ouro, 29 de prata e 29 de bronze.
Este ano, a delegação brasileira competirá em 20 modalidades, inclusive no parataekwondo e no parabadminton, que estreiam este ano no Japão. Os 164 homens e 96 mulheres brasileiras em Tóquio ficarão de fora apenas do basquete em cadeira de rodas e do rugby em cadeira de rodas.
Para atingir os objetivos traçados, o CPB contou com um orçamento anual de R$ 130 milhões neste ciclo paralímpico, com a maior parte vindo de recursos de loterias destinados aos comitês Olímpico e Paralímpico. A instituição paralímpica fechou, em março, a renovação do contrato com a Loterias da Caixa, garantindo R$ 24,7 milhões entre junho deste ano e junho de 2022.
O CPB tem ainda Braskem e Toyota como patrocinadores; EY, Estácio e o governo de São Paulo como parceiros; Ajinomoto e Havaianas, marca da Alpargatas, como apoiadores. Edifier e Max Recovery são fornecedores.
O objetivo do CPB de se manter entre os dez foi atingido pela primeira vez em Pequim, em 2008. Naqueles jogos, o Brasil terminou em nono lugar, com 47 medalhas no total. A melhor posição, o sétimo lugar, veio quatro anos depois, em Londres, quando a delegação nacional conseguiu 43 medalhas. No Rio, o Brasil bateu o recorde no número de medalhas.
O país chega a Tóquio com alguns favoritos em suas modalidades, mas talvez a maior “barbada” seja a Seleção brasileira de futebol de 5, para cegos, que busca o pentacampeonato. Na prática pode-se dizer que apenas o Brasil subiu no degrau mais alto do pódio desde que a modalidade passou a integrar o programa paralímpico.
Nos esportes individuais, o paraibano Petrucio Ferreira, da classe T47, para atletas com deficiência no membro superior, é o corredor paralímpico mais rápido do mundo, com 10,42 segundos nos 100 metros rasos, e vai em busca do bicampeonato. A expectativa de Petrucio é buscar sua melhor marca em Tóquio, mas ele descarta o favoritismo e diz que a meta é obter um pódio totalmente brasileiro.
Sobre o apoio ao esporte paralímpico, ele ressalta que o patrocínio cresceu à medida que os resultados das equipes brasileiras foram aparecendo. “Houve uma mudança nos patrocínios para os atletas paralímpicos. Teve uma melhora sim. Melhora que veio de acordo com os resultados e avanço no quadro de medalhas. Isso atraiu o olhar de vários patrocinadores que vêm nos ajudando nessa caminhada”, diz Petrucio.
Entre os novatos, a nadadora pernambucana Carol Santiago, da classe S12, para atletas com baixa visão, começou a praticar o esporte em 2018 e no ano seguinte já conquistou o título de campeã mundial nos 50 metros e nos 100 metros livre. Em junho deste ano, bateu o recorde mundial dos 50 metros livre durante a seletiva da natação para os Jogos de Tóquio.
Ela ressalta que o maior desafio não é cuidar apenas da parte física, mas da psicológica, para lidar com a pressão dos Jogos. “Apesar da pandemia, fizemos um trabalho muito bom de velocidade e já conseguimos resultado na seletiva, onde consegui o melhor resultado da minha vida. E é o que espero para a competição: obter o melhor resultado da minha vida”, afirma.
A preparação para os Jogos foi realizada pelo CPB dentro do Centro de Treinamento em São Paulo, a partir de julho do ano passado. Inicialmente foram admitidos no centro os atletas das modalidades de atletismo, natação e tênis de mesa, com a intensificação dos treinamentos e ampliação para outras modalidades a partir deste ano. De julho de 2020 até o primeiro trimestre deste ano, apenas três atletas testaram positivo para covid-19. (Valor Econômico – Rafael Rosas – Do Rio)


