Bets demitem após veto do governo: 36 empresas cortam funcionários

Apostas I 07.10.26

Por: Magno José

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Bets demitem após veto do governo: 36 empresas cortam funcionários
Reportagem da Folha de S.Paulo registra que levantamento mostra que plataformas de apostas online já dispensaram centenas e fecharam vagas devido a medida provisória, impacto se estende a fornecedores e prestadores de serviço

Ao menos 36 das 188 marcas de apostas online que operavam com autorização no Brasil iniciaram rodadas de demissões após o veto do governo federal às bets. Os dados são de levantamento da Amig (Associação de Mulheres da Indústria do Gaming) publicado até segunda-feira (5/10). Os cortes se concentram, até o momento, em empresas de pequeno e médio porte, registra reportagem da Folha de S.Paulo.

A dimensão do impacto ainda está em apuração. A ANJL (Associação Nacional de Jogos e Loterias) convocou todas as empresas do setor a preencher um formulário sobre as dispensas. “Ainda não conseguimos dizer quantas pessoas foram demitidas ou qual a dimensão que isso terá, mas essa onda já começou na semana passada”, declarou a entidade. Um estudo da consultoria LCA, encomendado pelas próprias bets, estima que o setor de apostas online emprega diretamente cerca de 10 mil pessoas no país e gera outros 5 mil postos de trabalho de forma indireta, segundo os dados da pesquisa.

Demissões por empresa

O site H2Bet dispensou 170 de seus 270 funcionários. A informação foi divulgada pelo diretor de operações da empresa, Diego Breda de Carvalho, em publicação no Instagram. “Hoje é seguramente o pior dia da minha vida de empreendedor, há 28 anos empreendendo nessa selva chamada Brasil”, escreveu o executivo. Ele também afirmou que “mais de 170 pessoas foram comunicadas que perderam seus trabalho simplesmente porque Lula decidiu que o trabalho delas não existiria mais”. Pessoas a par do assunto indicam que a H2Bet deve manter atividades no clube de pôquer H2 Club e no patrocínio a competições de carteado, entre elas o BSOP (Campeonato Brasileiro de Pôquer).

O site Rivalo dispensou quase toda a sua equipe de cerca de 100 pessoas. Os pedidos de aviso prévio começaram na semana anterior à publicação desta reportagem, segundo ex-funcionários. O diretor da Rivalo para o Brasil, Daniel Eskinazi, atribuiu os cortes à medida provisória n.º 1.394 de 2026, que interrompeu as operações da empresa. “A empresa mantém colaboradores para uma possível retomada das operações, caso o mercado retorne à regulamentação”, disse em nota.

O Rei do Pitaco, site que recebeu investimento do Grupo Globo em sua fase inicial, afastou mais da metade de sua equipe de 100 pessoas; 40 foram demitidas e 30 receberam férias coletivas, conforme relatos de ex-funcionários confirmados por um executivo da empresa.

Entre as grandes empresas, a Ana Gaming, dona das marcas Bet 7K e Cassino, também realizou demissões, sem detalhar quantidades. “Encerrar operações por determinação legal compromete as condições que sustentam postos de trabalho e contratos. Mesmo uma eventual reversão da medida não elimina os danos já provocados”, disse a companhia em nota.

Impacto nos fornecedores

Os cortes se estendem além das plataformas de apostas. A Alob Sports, empresa de promoção de eventos, divulgação com influenciadores e live marketing que fornecia serviços à Betano, precisou demitir funcionários após a suspensão das bets. O sócio-fundador Bernardo Pontes descreveu o fenômeno como um “efeito em cascata”. “As empresas de cenografia, de segurança, de promotores de eventos e de brindes que a gente contratava também foram impactadas”, declarou, sem detalhar o número de demissões.

A startup portuguesa Hoopers, presente no Brasil desde 2023, também teve seu futuro no país colocado em xeque. André Costa, fundador da empresa de promoção de eventos esportivos, relatou no LinkedIn que teve dois contratos suspensos, além de outros dois ou três paralisados e reuniões canceladas.

Perspectivas do setor

Empresas com estrutura multinacional e caixa acumulado, como Betano e Superbet, optaram por preservar seus quadros de funcionários, sob o argumento de que os postos seriam difíceis de repor. Já os menores negócios enfrentavam dificuldades mesmo antes do veto, com queda no número de jogadores ativos nos primeiros meses de 2026 e concentração da clientela nos maiores sites.

Executivos ouvidos sob condição de anonimato afirmam que parte das bets sem reservas em caixa deve encerrar as operações permanentemente. A insegurança jurídica sobre os próximos meses é vista como um “golpe fatal”, segundo um executivo ouvido sob reserva. As associações do setor aguardam reversão do veto na Justiça.

 

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