Bets registram receita bruta de R$ 37 bilhões em 2025, aponta Secretaria de Prêmios e Apostas

As empresas de apostas esportivas e jogos online, conhecidas como bets, registraram receita bruta de R$ 37 bilhões no acumulado de 2025, segundo dados divulgados pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda. Este montante representa o saldo entre valores recebidos em apostas e prêmios pagos, conhecido tecnicamente como GGR (receita bruta de jogos). É sobre este montante que recai a obrigação de que 12% sejam convertidos em destinações legais. O valor total de prêmios pagos aos apostadores não foi divulgado no balanço anual.
Além disso, foram arrecadados, aproximadamente, R$ 2,5 bilhões referentes às outorgas de autorização pagas pelos agentes operadores autorizados e R$ 95,5 milhões em taxas de fiscalização, também pagas pelas empresas do setor, até dezembro.
Paralelamente, mais de 217 mil brasileiros solicitaram autoexclusão de contas em sites de apostas nos primeiros 40 dias de funcionamento da Plataforma Centralizada de Autoexclusão. A ferramenta, lançada pelo governo em dezembro de 2025, permite que usuários bloqueiem simultaneamente todas as suas contas em plataformas de apostas.
O principal motivo alegado pelos apostadores para solicitar a autoexclusão foi “Perda de controle sobre o jogo – saúde mental”, representando 37% dos casos. Em segundo lugar, com 25% das solicitações, aparece a razão “Prevenir que meus dados sejam utilizados por plataformas de apostas”.
A maioria das autoexclusões (73%) foi solicitada por período indeterminado, enquanto 19% dos pedidos correspondem a autobloqueio pelo prazo de um ano.
As bets autorizadas já eram obrigadas a oferecer aos cidadãos mecanismos de autoexclusão em seus respectivos sites e aplicativos (essa possibilidade permanece disponível). Com o sistema do governo federal, no ar desde 12 de dezembro, as pessoas podem solicitar, voluntariamente, de uma só vez, o bloqueio de seus acessos a todas as contas que tenham em sites de apostas. O sistema também fornece informações sobre pontos de atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS) onde o cidadão pode buscar ajuda para tratar da saúde mental.
Perfil dos apostadores brasileiros
O balanço apresentado pela SPA revela que 25,2 milhões de brasileiros realizaram apostas nas 79 empresas autorizadas a operar legalmente no país durante 2025. Do total de apostadores, 68,3% são homens e 31,7% são mulheres.
A faixa etária com maior concentração de usuários está entre 31 e 40 anos, representando 28,6% do total. Apostadores entre 18 e 24 anos correspondem a 22,7%, mesmo percentual observado na faixa de 25 a 30 anos.
Arrecadação e geração de empregos
O setor de apostas gerou uma arrecadação de R$ 8,8 bilhões entre janeiro e novembro de 2025, conforme dados da Receita Federal. Além do impacto econômico, a atividade foi responsável pela criação de 10 mil empregos diretos e 5,5 mil indiretos no país.
Fiscalização e combate a irregularidades
A Subsecretaria de Monitoramento e Fiscalização, vinculada à SPA, registrou 132 processos envolvendo 133 bets durante o ano passado. Deste total, 80 processos estão em andamento para aplicação de penalidades. Em um ano de mercado regulado para apostas de quota fixa no Brasil, a SPA registrou mais de 25 mil sites ilegais bloqueados em parceria com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
Em parceria com o Conselho Nacional de Autorregulação Publicitária (Conar), a SPA concluiu 412 processos de fiscalização de publicidade ilegal nas redes sociais contra influenciadores digitais. Como resultado dessas ações, foram removidos 324 perfis de influencers e 229 publicações.
O secretário de Prêmios e Apostas, Regis Dudena, afirmou que o governo planeja intensificar a fiscalização em 2026. “Desde a sua criação, a Secretaria vem passando por uma curva evolutiva consistente. Em 2024, estruturamos as regras do mercado; em 2025, avançamos no acompanhamento e na fiscalização, além de trabalharmos intensamente no combate aos ilegais. Em 2026, essas atividades devem seguir e se desenvolver ainda mais, para garantir a proteção das pessoas e da economia popular”, diz o secretário.
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