Brasil tem 32,5 milhões de apostadores online, equivalente ao número de Las Vegas

BNL I 15.12.25

Por: Magno José

Compartilhe:
Pandemia do COVID-19 ajudou a aumentar a receita das slot machines em Las Vegas
Número equivale ao total anual de apostadores em Las Vegas, que levou oito décadas para se estabelecer como referência. Perfil é majoritariamente masculino, jovem e com renda superior à média

Um em cada cinco brasileiros acima de 10 anos realizou apostas pela internet nos últimos três meses, revela a pesquisa TIC.BR 2025. O estudo, divulgado nesta segunda-feira (15) pelo Núcleo de Informações do Comitê Gestor da Internet no Brasil, mostra que 25% dos homens e 14% das mulheres participaram dessas atividades no país.

O levantamento aponta que o Brasil alcançou um patamar de apostadores comparável ao de Las Vegas, tradicional centro de jogos nos Estados Unidos. O documento oficial menciona 30 milhões de apostadores brasileiros, enquanto a média calculada com base nos percentuais da população indica 32,5 milhões de pessoas que apostaram no último trimestre. Segundo informações discutidas no podcast A Hora Extra do UOL, esse número representa aproximadamente 19% dos usuários de internet no Brasil.

O mercado de apostas online no Brasil cresceu em ritmo acelerado. A cidade americana de Las Vegas estabeleceu-se como referência em cassinos ao longo de oito décadas, enquanto no Brasil o jogo online foi liberado em 2018, durante a gestão Temer, com regulamentação efetiva implementada apenas três anos atrás.

Em 2023, Las Vegas recebeu 41 milhões de visitantes. Pesquisas locais indicam que 78% desses turistas realizaram apostas durante sua estadia, o que representa 32 milhões de apostadores por ano – número próximo ao que o Brasil atingiu em apenas três anos após a regulamentação.

Os dados da TIC.BR 2025 mostram que o perfil dos apostadores brasileiros é majoritariamente masculino, jovem, urbano, com escolaridade e renda superiores à média nacional. A prevalência é maior nas classes mais altas e entre pessoas ocupadas, embora também atinja a população de menor renda.

A pesquisa abrangeu o território nacional com aproximadamente 25 mil entrevistas, amostra dez vezes superior às principais pesquisas eleitorais. O Ipsos-Ipec conduziu a coleta de dados por meio de entrevistas presenciais nas residências dos participantes, seguindo metodologia estabelecida e série histórica anual. Mais precisamente, foram realizadas entrevistas em 27.177 domicílios e ouvidas 24.535 pessoas de março a agosto de 2025, na primeira edição da pesquisa que incluiu perguntas específicas sobre apostas online.

O estudo identificou variações regionais na prática de apostas, com maior incidência em estados fronteiriços e grandes regiões metropolitanas. As modalidades preferidas pelos brasileiros são as Bets e os cassinos online, conforme detalhado no podcast “A Hora Extra”, conteúdo exclusivo para assinantes UOL. Especificamente, 8% dos brasileiros fizeram apostas em cassino online, 7% pagaram para participar de rifa digital ou sorteio, 7% fizeram apostas esportivas em sites ou aplicativos (bets) e 7% apostaram em loteria federal.

Os pesquisadores associam o crescimento rápido das apostas a consequências negativas, incluindo endividamento crônico, lavagem de dinheiro, corrupção de jogadores de futebol, aumento de casos de transtorno do jogo e envolvimento do crime organizado.

O levantamento indica que, apesar da contribuição do setor para a arrecadação estatal, os custos sociais e econômicos superam os benefícios fiscais. Os gastos com saúde pública e os danos econômicos causados pelo fenômeno das Bets não compensariam a receita tributária gerada, segundo a análise apresentada.

O programa “A Hora Extra” dedicou seu episódio semanal ao tema das apostas online no Brasil, apresentando análises detalhadas sobre os recortes por renda, gênero, escolaridade e região dos apostadores brasileiros.

A pesquisa TIC Domicílios também revelou que 85% dos brasileiros acessaram a internet em 2025, representando 157 milhões de pessoas, e que 75% dos brasileiros fizeram pagamentos ou transferências por PIX. Além disso, 39% ficaram sem pacote de dados no celular pelo menos uma vez nos três meses anteriores à pesquisa, e 32% usaram alguma ferramenta de IA generativa, principalmente para uso pessoal (84%), estudos escolares (53%) e atividades profissionais (50%).

Escute a íntegra nos principais players de podcast, como o Spotify e o Apple Podcasts já na sexta-feira pela manhã. À tarde, a íntegra do programa também estará disponível no formato videocast no YouTube. O conteúdo dará origem também a uma newsletter, enviada aos sábados.

 


Compartilhe: