Brasil tem 32,5 milhões de apostadores online, equivalente ao número de Las Vegas

Um em cada cinco brasileiros acima de 10 anos realizou apostas pela internet nos últimos três meses, revela a pesquisa TIC.BR 2025. O estudo, divulgado nesta segunda-feira (15) pelo Núcleo de Informações do Comitê Gestor da Internet no Brasil, mostra que 25% dos homens e 14% das mulheres participaram dessas atividades no país.
O levantamento aponta que o Brasil alcançou um patamar de apostadores comparável ao de Las Vegas, tradicional centro de jogos nos Estados Unidos. O documento oficial menciona 30 milhões de apostadores brasileiros, enquanto a média calculada com base nos percentuais da população indica 32,5 milhões de pessoas que apostaram no último trimestre. Segundo informações discutidas no podcast A Hora Extra do UOL, esse número representa aproximadamente 19% dos usuários de internet no Brasil.
O mercado de apostas online no Brasil cresceu em ritmo acelerado. A cidade americana de Las Vegas estabeleceu-se como referência em cassinos ao longo de oito décadas, enquanto no Brasil o jogo online foi liberado em 2018, durante a gestão Temer, com regulamentação efetiva implementada apenas três anos atrás.
Em 2023, Las Vegas recebeu 41 milhões de visitantes. Pesquisas locais indicam que 78% desses turistas realizaram apostas durante sua estadia, o que representa 32 milhões de apostadores por ano – número próximo ao que o Brasil atingiu em apenas três anos após a regulamentação.
Os dados da TIC.BR 2025 mostram que o perfil dos apostadores brasileiros é majoritariamente masculino, jovem, urbano, com escolaridade e renda superiores à média nacional. A prevalência é maior nas classes mais altas e entre pessoas ocupadas, embora também atinja a população de menor renda.
A pesquisa abrangeu o território nacional com aproximadamente 25 mil entrevistas, amostra dez vezes superior às principais pesquisas eleitorais. O Ipsos-Ipec conduziu a coleta de dados por meio de entrevistas presenciais nas residências dos participantes, seguindo metodologia estabelecida e série histórica anual. Mais precisamente, foram realizadas entrevistas em 27.177 domicílios e ouvidas 24.535 pessoas de março a agosto de 2025, na primeira edição da pesquisa que incluiu perguntas específicas sobre apostas online.
O estudo identificou variações regionais na prática de apostas, com maior incidência em estados fronteiriços e grandes regiões metropolitanas. As modalidades preferidas pelos brasileiros são as Bets e os cassinos online, conforme detalhado no podcast “A Hora Extra”, conteúdo exclusivo para assinantes UOL. Especificamente, 8% dos brasileiros fizeram apostas em cassino online, 7% pagaram para participar de rifa digital ou sorteio, 7% fizeram apostas esportivas em sites ou aplicativos (bets) e 7% apostaram em loteria federal.
Os pesquisadores associam o crescimento rápido das apostas a consequências negativas, incluindo endividamento crônico, lavagem de dinheiro, corrupção de jogadores de futebol, aumento de casos de transtorno do jogo e envolvimento do crime organizado.
O levantamento indica que, apesar da contribuição do setor para a arrecadação estatal, os custos sociais e econômicos superam os benefícios fiscais. Os gastos com saúde pública e os danos econômicos causados pelo fenômeno das Bets não compensariam a receita tributária gerada, segundo a análise apresentada.
O programa “A Hora Extra” dedicou seu episódio semanal ao tema das apostas online no Brasil, apresentando análises detalhadas sobre os recortes por renda, gênero, escolaridade e região dos apostadores brasileiros.
A pesquisa TIC Domicílios também revelou que 85% dos brasileiros acessaram a internet em 2025, representando 157 milhões de pessoas, e que 75% dos brasileiros fizeram pagamentos ou transferências por PIX. Além disso, 39% ficaram sem pacote de dados no celular pelo menos uma vez nos três meses anteriores à pesquisa, e 32% usaram alguma ferramenta de IA generativa, principalmente para uso pessoal (84%), estudos escolares (53%) e atividades profissionais (50%).
Escute a íntegra nos principais players de podcast, como o Spotify e o Apple Podcasts já na sexta-feira pela manhã. À tarde, a íntegra do programa também estará disponível no formato videocast no YouTube. O conteúdo dará origem também a uma newsletter, enviada aos sábados.


