Centrão aposta em vitória de Flávio Bolsonaro para liberar bets após segundo turno

Apostas I 08.10.26

Por: Magno José

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Centrão aposta em vitória de Flávio Bolsonaro para liberar bets após segundo turno
Reportagem da Folha de S.Paulo revela que deputados e senadores buscam meio-termo à proibição total, aguardando resultado das eleições para modular proposta de flexibilização das bets no Brasil (Pedro França/Agência Senado)

Integrantes do centrão articulam no Congresso uma modificação da medida provisória (MP) editada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que proibiu as bets no Brasil. A estratégia é aguardar o resultado do segundo turno das eleições para modular a proposta e buscar um meio-termo à proibição total.

O movimento ganhou força com a possibilidade de vitória de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial, segundo apuração da Folha de S.Paulo. O candidato do PL tem evitado defender a liberação das apostas esportivas publicamente, mas em suas declarações de campanha criticou apenas os cassinos online, o que o grupo interpreta como abertura para negociar a manutenção das apostas ligadas a eventos esportivos.

O grupo de congressistas é formado principalmente por deputados e senadores próximos a casas de apostas, à CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e aos clubes de futebol. Parlamentares avaliam, no entanto, que também há espaço para negociar com Lula uma flexibilização, caso ele seja reeleito, em razão da pressão dos clubes e da mídia pela publicidade.

Emendas e articulações

O deputado Júlio Arcoverde (PP-PI), vice-presidente do clube River-PI, apresentou emenda para liberar apostas relacionadas a eventos esportivos e manter o veto aos cassinos. “Tem que ser um meio-termo. Foi uma decisão muito assoberbada do presidente Lula para ganhar votos”, declarou.

Já o deputado Bebeto (PP-RJ) protocolou quatro emendas na segunda-feira (5/10), dia seguinte ao primeiro turno, para defender o funcionamento das bets e concentrar a proibição apenas no mercado ilegal, sem autorização do Ministério da Fazenda. “É onde se concentram os riscos reais ao consumidor, à integridade esportiva e à arrecadação pública. A experiência internacional e a própria trajetória recente do Brasil mostram que a proibição ampla não elimina a demanda por apostas”, afirmou.

Representantes do setor também procuraram o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador de campanha de Flávio Bolsonaro, e o deputado Dr Luizinho (PP-RJ), líder do PP na Câmara e coordenador da Frente Parlamentar do Jogo Responsável, para defender mudanças no texto da MP.

O prazo para apresentação de emendas à MP se encerrava antes do primeiro turno, mas o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), o prorrogou até 13 de outubro para separar a discussão do período de campanha. A comissão que discutirá a proposta só deve ser criada em novembro.

Posição de Flávio e leitura do centrão

Na quarta-feira (7/10), questionado sobre o tema, Flávio Bolsonaro atacou Lula, chamou o petista de “pai do tigrinho” e lembrou que votou contra a MP que regulamentou as bets, mas não respondeu diretamente se apoiará a liberação das apostas esportivas. “A gente tem que fazer uma distinção muito honesta e com responsabilidade”, disse, após receber apoio de políticos do União Brasil e do PP. Em Goiânia, no dia 25 de setembro, havia afirmado: “Vai estar proibido o jogo do tigrinho e vai estar proibido o cassino online.”

Um senador e um deputado ligados à CBF avaliam que a possibilidade de vitória de Flávio aumentou as chances de modificar a MP para liberar parte das apostas, ou até de derrotar a medida integralmente após a eleição. A MP vigora por quatro meses após a publicação, mas os prazos ficam suspensos no recesso parlamentar; a votação pode ocorrer até fevereiro de 2027, já no novo governo.

Pressão fiscal e resistência interna

As empresas de bets argumentam aos políticos e ao governo que liberar apenas as apostas esportivas, sem os cassinos online, será insuficiente para manter patrocínios e arrecadação nos níveis anteriores à proibição. Apostas esportivas representam 70% do lucro das empresas, segundo o setor. Em 2025, o segmento pagou quase R$ 9 bilhões em impostos.

Caso a MP seja mantida, o governo precisará compensar essa renúncia de receita no Orçamento do próximo ano com outras medidas. Parte dos integrantes do governo reconhece nos bastidores que a medida foi precipitada e que pode levar ao crescimento do mercado ilegal, onde a maioria dos golpes ocorre e sem recolhimento de impostos. Ainda assim, avaliam que recuar seria interpretado como estelionato eleitoral, já que Lula utilizou o veto como bandeira durante a campanha.

O próprio Lula regulamentou o setor em 2023, após anos de operação sem licença e sem pagamento de impostos durante os governos Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro (PL), período em que as bets se expandiram por todo o território brasileiro.

 


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