Clubes pedem mais prazo para bets no STF e criticam MP do governo

Clubes que recorreram ao Supremo Tribunal Federal pretendem insistir por um período de transição mais amplo para o encerramento das parcerias com casas de apostas esportivas caso a Medida Provisória que proíbe as bets no futebol brasileiro não seja revogada. A demanda será apresentada em audiência pública convocada pelo ministro Luiz Fux, marcada para terça-feira (3/11).
A reunião no STF reunirá representantes de dez clubes da Série A do Campeonato Brasileiro e de casas de apostas. Além do pedido por maior prazo de adaptação, o setor vai renovar o pleito pela suspensão da liminar que mantém a medida em vigor.
A avaliação dos clubes é de que a MP foi editada por motivação eleitoral. Com a reeleição do presidente Lula, as equipes entendem que o governo tem mais a ganhar politicamente se as bets voltarem a operar em patrocínios e uniformes no futebol nacional. Para as entidades envolvidas, a implementação foi abrupta e ocorreu em momento politicamente sensível.
Dilema da CBF
O presidente da CBF, Samir Xaud, enfrenta um momento delicado após o resultado das eleições. O dirigente se posicionou ativamente contra a MP das bets e está associado ao boicote dos clubes à reunião convocada pelo Ministério do Esporte para debater a proibição; o encontro foi cancelado pelo ministério diante do esvaziamento.
Internamente, a avaliação na entidade é de que Xaud precisará se reaproximar do governo federal, especialmente diante da proximidade da Copa do Mundo Feminina, evento que exige coordenação com Brasília.
A exposição política de Xaud vai além da questão das bets. Segundo interlocutores, o presidente da CBF apostou na vitória do candidato do PL nas eleições e se envolveu nas disputas em Roraima, estado onde sua mãe, Ilma Xaud, foi eleita segunda suplente da senadora Teresa Surita, do MDB e apoiadora de Flávio Bolsonaro. O movimento foi descrito por pessoas próximas como um “tiro no pé”.
A reconstrução das relações com o governo, segundo as mesmas fontes, passa também pelo grupo de Francisco Mendes, filho do ministro Gilmar Mendes e cotado para disputar o comando da CBF nas próximas eleições da entidade. Ainda não há confirmação sobre se Xaud participará pessoalmente da audiência de terça-feira (3/11) no STF.


