COB busca reduzir dependência de loterias e bets que representam 75% da receita total

Apostas I 19.02.26

Por: Magno José

Compartilhe:
COB busca reduzir dependência de loterias e bets que representam 75% da receita total
Entidade arrecadou R$ 594 milhões em 2025 e presidente do COB, Marco Antônio La Porta trabalha para atrair investimentos privados visando maior estabilidade financeira (Foto: Rafael Bello/COB)

O Comitê Olímpico do Brasil (COB) estabeleceu como meta estratégica diminuir sua dependência financeira dos repasses de loterias, que atualmente correspondem a 75% de sua receita total. A entidade arrecadou R$ 594 milhões em 2025, registrando o maior valor dos últimos cinco anos. Marco Antônio La Porta, presidente do COB há pouco mais de um ano, busca atrair investimentos da iniciativa privada para garantir maior estabilidade financeira à organização.

A preocupação com a diversificação de receitas surgiu após experiências que demonstraram a vulnerabilidade do modelo atual. Em entrevista à Folha de S.Paulo, La Porta detalhou os desafios enfrentados pelo comitê para garantir sustentabilidade financeira e reduzir a dependência dos recursos provenientes das loterias e casas de apostas esportivas. Em 2019, o comitê enfrentou a suspensão dos repasses quando a Caixa identificou uma dívida tributária vinculada à Confederação Brasileira de Vela, situação que só foi normalizada após intervenção do governo federal.

Dependência histórica preocupa gestão atual

A concentração de recursos provenientes das loterias atingiu níveis críticos em 2021, quando chegou a representar 91,9% das receitas em determinado período e 91,6% em outro momento do mesmo ano. Em 2019, cerca de 90% do orçamento da entidade dependia dessa fonte. O foco da atual gestão está justamente em diversificar as fontes de financiamento, reduzindo a exposição do COB às oscilações dos repasses das loterias e apostas esportivas.

“Sempre fazemos uma análise de ameaças e riscos [para a gestão]. As ameaças podem ser, por exemplo, o governo, com algum deficit, decidir revogar as leis que dão recursos ao esporte. Então, temos que estar prontos”, afirmou La Porta.

O dirigente assumiu o cargo após disputa com Paulo Wanderley, seu antecessor. Desde então, implementa ações para ampliar a captação de recursos privados e reconquistar patrocinadores que se afastaram após os Jogos Olímpicos do Rio em 2016. “Precisamos criar um modelo de negócio que seja atrativo para as empresas e que traga benefícios mútuos”, explicou o presidente em recente declaração.

Equilíbrio financeiro e atuação em Brasília

O COB herdou um deficit de R$ 78 milhões da gestão anterior, formado após o aumento do repasse às confederações, que passou de aproximadamente 45% para 60% das receitas de loterias. Para 2026, a entidade aprovou um orçamento com superavit de R$ 8 milhões, mantendo o repasse de 60% às confederações.

A organização intensificou sua presença em Brasília para articular aprovações de leis e outras medidas de interesse do esporte olímpico brasileiro. Entre as pautas prioritárias no Congresso Nacional estão questões relacionadas à regulamentação das apostas esportivas e à isenção para importação de material esportivo.

Na importação de equipamentos esportivos, como barcos, os impostos podem acrescentar R$ 50 mil a R$ 60 mil ao valor original. O comitê também atua por meio do recém-criado Conselho Nacional dos Comitês Esportivos.

Em relação ao primeiro ano de sua gestão, La Porta destacou o reposicionamento do COB na política nacional e internacional, mencionando a aprovação da Lei de Incentivo ao Esporte e avanços no campo comercial, como o contrato com a Adidas. “Estamos trabalhando para construir parcerias sólidas com a iniciativa privada que possam complementar os recursos das loterias e bets, garantindo maior estabilidade financeira para o desenvolvimento do esporte olímpico brasileiro”, afirmou o presidente. Sobre seus objetivos à frente do comitê, o dirigente foi enfático: “Essa é a nossa missão”.

 

 


Compartilhe: