Democratas são favoritos para retomar Congresso dos EUA em eleição de meio de mandato

Os mercados de previsão apontam o Partido Democrata como favorito para retomar o controle da Câmara e do Senado dos Estados Unidos nas eleições de meio de mandato de terça-feira (3/11). Na plataforma Polymarket, a probabilidade de os democratas conquistarem as duas Casas do Congresso simultaneamente chega a 70%.
Segundo o Valor, que analisou os dados das principais plataformas e modelos estatísticos, as apostas eleitorais movimentam cerca de US$ 1,5 bilhão na Kalshi e na Polymarket, conforme levantamento da Bloomberg com dados do site Dune. CNN, CBS News, CNBC e Dow Jones firmaram parcerias comerciais com essas plataformas, embora mais de uma dúzia de estados americanos tenham processado empresas do setor sob a alegação de que a atividade configura jogo ilegal.
Na Polymarket, o segundo cenário mais provável, com 26% de probabilidade, prevê vitória democrata na Câmara e republicana no Senado. A manutenção do controle republicano nas duas Casas aparece com apenas 7% de chance.
Analisadas separadamente, as probabilidades favorecem ainda mais os democratas na Câmara: 94% de chance de conquistar a maioria, contra 71% no Senado, segundo a mesma plataforma. A maioria dos modelos estatísticos acompanhados pela Bloomberg atribui aos democratas entre 62% e 79% de probabilidade de controlar o Senado.
Os modelos quantitativos apontam na mesma direção. Em atualização divulgada na sexta-feira (30/10), o Silver Bulletin, site do estatístico Nate Silver, classificou os democratas como grandes favoritos para retomar a Câmara e também como favoritos no Senado, com base nas pesquisas estaduais mais recentes.
Configuração atual do Senado
De acordo com relatório do banco suíço Mirabaud, os republicanos ocupam atualmente 53 das 100 cadeiras do Senado. Para assumir o controle da Casa, os democratas precisam de um ganho líquido de quatro assentos. A Polymarket projeta uma composição final de 52 senadores democratas e 46 republicanos.
Os mercados de previsão, porém, não são infalíveis. Antes da eleição presidencial brasileira, a Kalshi atribuía 80% de chance de vitória a Flávio Bolsonaro, que acabou derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva, segundo a Bloomberg. A probabilidade indicada pelas plataformas representa a chance de vitória de um candidato, não a margem de votos.
Setor financeiro e impactos esperados
No setor financeiro, gestoras de recursos e fundos de participação destinaram mais doações a candidatos republicanos do que a democratas neste ano, pela primeira vez desde 2016, conforme levantamento da Bloomberg com dados da OpenSecrets. As contribuições a candidatos e comitês republicanos foram quase 70% superiores às direcionadas aos democratas. O presidente-executivo da Blackstone, Steve Schwarzman, doou mais de US$ 33 milhões a republicanos e aliados neste ciclo eleitoral. Segundo a Bloomberg, o setor teme ser alvo de investigações e audiências no Congresso caso os democratas assumam o controle da Câmara.
Os juros do cartão de crédito também se tornaram tema de campanha. As taxas nos Estados Unidos superam, em média, 20% ao ano, enquanto a inadimplência está no maior nível desde 2011. Candidatos dos dois partidos defendem limitar os juros, proposta que os grandes bancos criticam.
Para as empresas, uma eventual vitória democrata nas duas Casas deve ter efeitos limitados no curto prazo, na avaliação do Mirabaud. Como o presidente Donald Trump mantém o poder de veto, o banco considera mais provável um cenário de paralisia legislativa até 2029, sem mudanças na tributação das empresas nesse período. Tarifas e sanções, por sua vez, dependem menos do Congresso e são, em sua maioria, decisões presidenciais.
Uma mudança mais expressiva no ambiente tributário poderia ocorrer caso os democratas também vencessem a eleição presidencial de 2028. Nesse cenário, propostas como o aumento da alíquota do imposto sobre o lucro das empresas voltariam à pauta. O Mirabaud cita estimativa do Goldman Sachs segundo a qual a elevação da alíquota de 21% para 28% reduziria em cerca de 5% os lucros das companhias do índice S&P 500, com varejistas e empresas voltadas ao mercado doméstico entre as mais expostas.


