Depois de proibir as bets, campanha de Lula quer “dialogar” com as torcidas enquanto ministros articulam Caixa no Corinthians

A campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu olhar para as arquibancadas. Duas semanas depois de a Medida Provisória nº 1.394/2026 tirar as casas de apostas das camisas, dos estádios e das transmissões, a coordenação petista recebeu a proposta de ampliar o diálogo com as torcidas de futebol sobre as bets.
A sugestão foi do vice-governador do Maranhão, Felipe Camarão (PT), na reunião de segunda-feira (5), em Brasília. No X, ele justificou que o futebol “é paixão de milhões e exige atenção nesse debate”. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, a comunicação da campanha passa a ser coordenada pelo governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), ao lado da equipe do ministro Sidônio Palmeira.
Clubes respondem em campo
O diálogo proposto chega depois do fato consumado, e a reação já está nos gramados. Na 29ª rodada do Brasileiro, disputada na quarta (7) e na quinta-feira (8), as placas de publicidade de nove partidas exibiram mensagens contrárias à proibição. A iniciativa foi organizada pela Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e pelo Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR).
O Flamengo foi o primeiro a levar o protesto para a camisa: contra o Santos, na quinta-feira (8), estampou “Proibir não é proteger” no espaço antes ocupado pela Betano. Neste domingo (11), às 17h30, no Maracanã, pela 30ª rodada, terá a companhia do Fluminense. O presidente tricolor, Mattheus Montenegro, afirmou que houve alinhamento entre Superbet e Betano para a ação.
Outros clubes buscaram outras alternativa. São Paulo e Fluminense trocaram a marca da Superbet pela Superscore, plataforma gratuita de estatísticas esportivas do mesmo grupo econômico. No São Paulo, a mudança estreou contra o Cruzeiro, na quarta-feira (7); no Fluminense, contra o Coritiba, na quinta (8).
No Judiciário, Flamengo e Fluminense estão entre os clubes que pediram ao STF para atuar como amigos da corte pela suspensão da MP. O relator, ministro Luiz Fux, ainda não decidiu.
Caixa no lugar das bets
Enquanto a campanha fala em diálogo, o governo se movimenta em favor de um clube específico. Segundo a coluna de Igor Gadelha, do Metrópoles, os ministros Alexandre Padilha (Saúde) e Guilherme Boulos (Secretaria-Geral) articulam nos bastidores um patrocínio da Caixa Econômica Federal ao Corinthians, time de Lula e dos dois ministros. O clube perdeu a Esportes da Sorte, sua patrocinadora máster.
O pacote inclui a marca do banco na camisa, os naming rights do estádio em troca da quitação de parte da dívida de cerca de R$ 630 milhões e a criação de uma loteria instantânea do clube vinculada à Caixa. A assessoria do Corinthians disse que a negociação está “bem encaminhada” e já chegou ao conselho de administração do banco. Nesta semana, o clube assinou acordo que liberou R$ 27 milhões de uma conta-reserva ligada à dívida da arena.
A negociação dos naming rights é anterior à MP: em março já se noticiava a possibilidade de a Caixa substituir a Neo Química. A novidade pós-proibição é o patrocínio na camisa e a loteria. Há precedente judicial: em 2013, a Justiça Federal em Porto Alegre suspendeu o patrocínio do banco ao Corinthians, em ação que o apontava como contrário ao artigo 37 da Constituição.
Os demais clubes, que perderam a mesma fonte de receita, não têm banco público à vista.
Pesquisas
O movimento ocorre com Lula atrás nas pesquisas. Na AtlasIntel/Bloomberg divulgada na sexta-feira (9), Flávio Bolsonaro (PL) tem 51,1% e o presidente, 45,7%.


