Esportes da Sorte pede rescisão de contrato com Corinthians por MP que proíbe bets

A Esportes da Sorte notificou a diretoria do Corinthians pedindo a rescisão do contrato de patrocínio master. A empresa quer encerrar o vínculo sem pagamento de multa, com base na suspensão do acordo determinada pela Medida Provisória (MP) 1.394/2026, que proíbe a operação de casas de apostas no Brasil.
A informação foi publicada inicialmente pelo UOL e confirmada pelo Estadão. O Corinthians, por sua vez, entende que qualquer decisão sobre o contrato depende do desfecho da MP no Congresso Nacional, etapa necessária para tornar a proibição definitiva.
Em nota, a Esportes da Sorte afirmou que o cenário atual torna “inviável a continuidade dos contratos” e defendeu o encerramento formal da parceria. “Diante desse impedimento legal, o caminho natural foi formalizar o encerramento das parcerias sem qualquer custo ou penalidade para as partes, exatamente como previsto nos acordos firmados”, diz o comunicado.
Contrato e impacto financeiro
O vínculo entre o clube e a bet foi renovado em fevereiro de 2026 e estendido até 2029. No acordo, a Esportes da Sorte se comprometeu a pagar R$ 150 milhões fixos por ano ao Corinthians. O contrato está suspenso desde 25 de setembro de 2026, data em que o Governo Federal editou a MP 1.394, que também suspendeu todos os demais acordos do futebol brasileiro que envolvem casas de apostas.
A magnitude financeira do setor para o futebol nacional fica evidente nos números; em patrocínios diretos, as bets responderam por 7,9% da renda dos clubes da Série A em 2025, além de investimentos em competições e anúncios televisivos.
Congresso e STF
Na terça-feira (3/11), o Corinthians e outros clubes participarão de audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF) para a discussão de processos sobre a atuação das bets no Brasil. Desde a publicação da MP, novas ações foram abertas na Corte, com crescente interesse de casas de apostas e clubes.
No Congresso, emendas à MP propõem a manutenção parcial das atividades do setor, com destaque para o papel das bets no financiamento esportivo. O cenário desenhado por alguns dos textos parlamentares é considerado incerto para o futuro do setor.
A própria Esportes da Sorte deixou uma porta aberta em seu comunicado. A empresa afirmou que tanto ela quanto os clubes “mantêm a confiança em uma solução positiva para o setor e estão prontos para retomar o diálogo caso a MP seja suspensa ou alterada”.
Veja a nota da Esportes da Sorte na íntegra:
Com o término das licenças de operação determinado pela Medida Provisória nº 1.394, as ações de patrocínio e a exposição institucional deixaram de ser permitidas pela legislação, tornando inviável a continuidade dos contratos.
Diante desse impedimento legal, o caminho natural foi formalizar o encerramento das parcerias sem qualquer custo ou penalidade para as partes, exatamente como previsto nos acordos firmados.
Mesmo diante desse cenário adverso, a empresa e os clubes mantêm a confiança em uma solução positiva para o setor e estão prontos para retomar o diálogo caso a MP seja suspensa ou alterada.


