Geração Z celebra 18 anos na Copa de 2026 e conhece o mundo das apostas esportivas

Sim, essa Copa ainda é dos Z, e os seus maiores representantes já entraram em campo brilhando pelo Brasil, pela França, pela Inglaterra e pela Espanha. Fala-se dos símbolos dessa geração em todo o mundo: Endrick, com 19 anos; Mbappé, camisa 10 da França; Bellingham, da Inglaterra, que completou 23 anos há poucos dias; Vini Júnior, que completa 26 anos em 12 de julho; e Yamal, que completa 19 anos neste Mundial, um dos destaques da Seleção Espanhola.
E não é só dentro das quatro linhas, fazendo dribles e malabares com a bola, que tais jovens chegam com tudo: na relação com apostas esportivas ou mercados preditivos, por exemplo, para alguns, esse é o primeiro momento.
O contexto é inédito. Em 2018, quando esses jovens tinham entre 8 e 10 anos, as apostas esportivas mal existiam legalmente no Brasil. Em 2022, entre os 12 e os 14, assistiram à Copa do Qatar numa consciência, quanto ao jogo, ainda incipiente. Em 2026, chegam à maioridade num mercado com 85 licenças concedidas, 187 sites autorizados e projeção de R$20 a R$25 bilhões em apostas durante o torneio. A estreia, para muitos, será dupla: primeira Copa como adulto e primeira aposta legalizada.
Para Cristiano Costa, psicólogo e diretor de conhecimento da Empresa Brasileira de Apoio ao Compulsivo (EBAC), o problema não está na aposta em si, já que empresas regularizadas do setor primam por preservar a condição financeira de seus usuários, evitando que haja excessos da banca e do jogador: “se feita (a aposta) em sites .BET.BR, pois tais instituições são autorizadas pelo Ministério da Fazenda. No mundo dos esportes, apostar é uma forma quase orgânica de incrementar o entretenimento O risco está no que vem depois, quando a diversão encontra vulnerabilidade. Entre os brasileiros que pretendem apostar durante a Copa, 79% já estão endividados”.
A geração Z, recém-egressa da menoridade, chega ao jogo com toda a energia de um estreante que entra para a vida adulta e a tudo o que é atribuído a ela, e é exatamente por isso que o mercado regulamentado precisa estar à altura: não para proibir, mas para proteger quem ainda não sabe onde o jogo termina e o problema começa.
“Eles cresceram navegando entre algoritmos e tomando decisões no ecossistema digital desde antes de aprender a ler. Por isso, o mercado regulamentado oferece algo que nenhuma plataforma ilegal jamais ofereceu, estrutura. Sem proibir, mas lhes dando a escolha de se informar antes de o apito soar alto nas arquibancadas. E, além disso, são obrigadas a disponibilizar limites de depósito configuráveis pelo próprio usuário. Esta é uma ferramenta que permite apostar dentro de um orçamento definido, sem que a emoção do jogo decida pelo apostador. Para uma geração acostumada a personalizar tudo, do feed ao perfil, ter controle sobre os próprios limites é uma linguagem conhecida.”
Em vista do mercado, quem são esses jovens que chegam à maioridade nesta Copa? São consumidores com poder de decisão real, acostumados a personalizar experiências, comparar opções e verificar credibilidade antes de agir. Cresceram como nativos digitais plenos, com mais de uma década de navegação acumulada antes mesmo de atingir a maioridade. Não são estreantes no ambiente online. São estreantes apenas no que a regulação permite: apostar legalmente, com estrutura, limite e proteção.
“A transparência é outro diferencial concreto. Para tais empresas regularizadas, as odds precisam refletir probabilidades reais e os termos precisam estar disponíveis claramente, na língua nativa do indivíduo. Um jovem de 18 anos que aposta pela primeira vez numa plataforma legalizada tem acesso a informações que o mercado ilegal deliberadamente esconde. Coisas como a margem da casa, as condições de saque, os requisitos das promoções ficam evidentes para esses usuários. Essa transparência não elimina o risco, mas alerta quanto à sua existência “, conclui Cristiano.


