Grupo Globo compra Bingão do Brasil de Luciano Huck e expande atuação em jogos

Bingo I 12.06.26

Por: Magno José

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Grupo Globo compra Bingão do Brasil de Luciano Huck e expande atuação em jogos
Marca registrada pela empresa Bingão do Brasil, de Luciano Huck, no Inpi – Instituto Nacional da Propriedade Intelectual (Imagem: Reprodução/Inp)

A Boa Lion, joint venture do Grupo Globo com o grupo MGM, adquiriu a empresa de videobingos Bingão do Brasil, que pertence ao apresentador Luciano Huck. O Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) aprovou a operação em 8 de junho. A notificação da transação foi feita ao órgão antitruste em 3 de junho.

O Bingão do Brasil ainda não iniciou operações. A empresa permanece em fase de desenvolvimento de produto, segundo o advogado Marcio Caminati, responsável por intermediar a negociação. A informação sobre a transação foi inicialmente divulgada pela Folha de S.Paulo.

Huck detém participação na companhia por meio da holding L.Eva Participações. Antonio Alberto Gouvêa Vieira Filho, sócio do apresentador, conduziu as tratativas com o Grupo Globo.

A aquisição expande a atuação do conglomerado no setor de jogos. O Grupo Globo já opera no segmento através do cassino online BetMGM, da plataforma Rei do Pitaco e da loteria Familhão. O programa é exibido na TV Globo durante o Domingão com Huck e também integra os investimentos do apresentador pelas holdings L.Eva Participações e Dilus Investimentos.

A Boa Lion administra a marca BetMGM, uma das plataformas de apostas autorizadas a funcionar no país.

Adequação à legislação brasileira

A BetMGM esclareceu que a versão virtual do bingo está em conformidade com a legislação de apostas vigente no Brasil.

“A operação envolve exclusivamente o segmento de jogos online e o bingo online é uma modalidade prevista pela lei nº 14.790/2023, regulamentada pelas normas complementares da Secretaria de Prêmios e Apostas”, informou a plataforma em nota.

A empresa declarou que a aquisição não possui relação com as discussões legislativas sobre bingos físicos em andamento no país. Os bingos físicos são proibidos em território nacional. Estados como Paraná e Paraíba, além de municípios no interior de São Paulo, autorizam máquinas de caça-níqueis eletrônicas (videocassinos).

Aspectos financeiros da transação

O capital social do Bingão do Brasil registrado na Junta Comercial de São Paulo é de R$ 8 milhões. O valor resulta de uma redução de R$ 22 milhões aprovada em 12 de maio. O montante anterior era de R$ 30 milhões, mínimo exigido pelo governo federal para que empresas solicitem autorização de funcionamento como plataforma de apostas.

Caminati declarou que não pode divulgar os valores da operação.

O CNPJ do Bingão do Brasil não consta na lista de pedidos de licença do Ministério da Fazenda para atuar como plataforma de apostas. A empresa também não possui licenças estaduais que permitam operar máquinas de caça-níqueis eletrônicas, autorizadas em estados como Paraná e Paraíba e municípios no interior de São Paulo.

Posicionamento das empresas

Por política global da MGM Resorts International, a BetMGM informou que não comenta detalhes de transações ou de sua estrutura societária. O Grupo Globo afirmou que não vai se manifestar.

O apresentador foi procurado via WhatsApp às 9h15. Huck não respondeu ao contato.

O Grupo Globo e o apresentador não informaram se existem planos de levar o jogo de apostas para a televisão, seguindo o modelo do Familhão.

Discussão sobre legalização de jogos

O Senado discute atualmente a liberação de bingos e do jogo do bicho em casas especializadas ou estádios de futebol, corrida de cavalos (turfe) e cassinos em resorts, hotéis e embarcações. O projeto de lei que legaliza bingos, cassinos e jogo do bicho em todo o país está na pauta do plenário do Senado. A discussão no Congresso Nacional se estende por mais de 30 anos.

O projeto enfrenta forte resistência da bancada evangélica no Senado. Em junho de 2024, a proposta foi aprovada na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) por 14 votos a 12. A articulação foi liderada pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e pelo relator, o senador Irajá (PSD-TO). Alcolumbre tenta destravar a votação da proposta há dois anos.

 


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