Lula dobra a aposta contra as bets no dia em que Datafolha mostra que proibição não rendeu votos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a atacar as casas de apostas nesta quinta-feira (8), no mesmo dia em que a primeira pesquisa Datafolha do segundo turno mostrou que a proibição do setor, editada a nove dias do primeiro turno, não alterou o quadro eleitoral nem a avaliação do governo.
Em conversa com jornalistas em Brasília, após gravações no QG da campanha, Lula reconheceu que há pessoas incomodadas com o fim das bets e afirmou que elas “viraram uma desgraça para o povo pobre”. Disse ainda que, enquanto for presidente, não permitirá que o dinheiro do leite, do pão e do feijão das famílias seja usado em apostas.
O presidente também voltou a mirar os clubes de futebol. Afirmou que os times não têm razão ao dizer que o futebol vai morrer e que não têm o direito de extorquir torcedores que já gastam com ingressos e camisas. Como alternativa aos patrocínios, defendeu a transformação dos clubes em empresas e, ao questionar por que isso não ocorre, respondeu: “Porque encontraram a facilidade no cassino”.
O que dizem os números
O Datafolha, encomendado pela Folha de S.Paulo e pela TV Globo, ouviu 2.520 eleitores em 153 municípios na terça (6) e na quarta (7). O senador Flávio Bolsonaro (PL) tem 52% dos votos válidos, contra 48% de Lula. Em votos totais, o placar é de 49% a 45%, com 5% de brancos e nulos e 1% de indecisos. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e a pesquisa está registrada no TSE sob o código BR-02949/2026.
O recorte religioso é o mais incômodo para o Planalto. Entre os evangélicos, que representam 28% da amostra, Flávio vence por 69% a 25%. Pesquisas da Secom indicavam apoio maior a regras mais duras para as bets justamente entre mulheres e segmentos religiosos, especialmente evangélicos, grupo que historicamente rejeita Lula. A medida não moveu esse eleitor.
A avaliação do governo também ficou onde estava: 49% desaprovam e 48% aprovam. Segundo O Globo, a desaprovação se mantém elevada mesmo depois do reajuste de 15% do Bolsa Família, para R$ 691, e da proibição das bets.
Apoio menor do que parece
Pesquisa Quaest divulgada na semana passada apontou aval de 62% da população ao veto. O número, porém, soma dois grupos distintos: 40% sabiam da decisão e a apoiam, e 22% não sabiam, mas a consideraram uma boa ideia ao serem informados pelo entrevistador. Ou seja, uma semana depois da MP, parte relevante dos brasileiros sequer tinha tomado conhecimento da proibição, e o apoio efetivamente consolidado é de quatro em cada dez.
Integrantes da própria campanha petista já avaliam que a proibição total a nove dias da eleição pode ter sido um erro de cálculo que custou votos. Lula, que classificou sua campanha como a “mais desorganizada” das sete que disputou, preferiu não comentar o Datafolha. Disse que não avalia pesquisa e que tem 17 dias para conquistar mais votos que o adversário.
As plataformas autorizadas saíram do ar na terça (6). O setor segue contestando a MP 1.394/2026 no Supremo Tribunal Federal, em ações sob relatoria do ministro Luiz Fux, e a medida ainda depende de aprovação do Congresso Nacional.


