Lula silencia sobre bets após o 1º turno e diretor do Paraná Pesquisas vê “tiro no pé”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deixou a proibição das bets fora das duas falas públicas que fez desde o resultado do primeiro turno. No domingo (4), admitiu que esperava vencer na primeira votação, fez apelo aos eleitores que não compareceram e atacou o adversário Flávio Bolsonaro (PL). Na segunda (5), na primeira reunião da coordenação de campanha, transmitida pelas redes sociais, falou por cerca de 19 minutos sobre o STF, a reforma do Judiciário e a estratégia para o segundo turno.
O silêncio contrasta com a reta final do primeiro turno. Na última propaganda eleitoral, exibida em 1º de outubro, o fim das bets era um dos destaques.
A mudança de tom coincide com o balanço interno do PT. Integrantes da campanha avaliam que a proibição, anunciada nove dias antes da eleição, prejudicou o desempenho do presidente, e a cúpula do partido responsabiliza o ministro Sidônio Palmeira por convencer Lula a extinguir todas as apostas online.
A leitura ganhou reforço externo. No Band Eleições de segunda-feira (5), o diretor do Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo, classificou a medida como “tiro no pé”. Para ele, o brasileiro continuará apostando, em sites clandestinos ou hospedados no exterior, enquanto o governo perde arrecadação e controle e cria um problema político desnecessário, além de se indispor com os clubes de futebol.
Apesar do silêncio de Lula, a MP nº 1.394/2026 segue em vigor e o governo mantém a defesa da medida no STF. Ainda não há pesquisa que estabeleça relação causal entre a proibição e o resultado das urnas.


