Militares de Israel são presos por apostar sobre ataque ao Irã com informações sigilosas

Reservistas das Forças de Defesa de Israel foram presos por utilizar informações confidenciais para apostar sobre operações militares na plataforma Polymarket. As prisões ocorreram em fevereiro de 2026, após investigação conjunta do Diretor de Segurança do Ministério da Defesa, da agência Shin Bet e da Polícia de Israel.
As autoridades israelenses apresentaram acusações formais na segunda-feira (9/2) contra um reservista e um civil por “graves crimes de segurança”, além de suborno e obstrução da Justiça. Os suspeitos teriam apostado “com base em informações confidenciais às quais os militares tinham acesso em virtude de suas funções militares”.
A polícia revelou que várias pessoas foram recentemente detidas em conexão com atividades de apostas na plataforma. Os advogados que representam os acusados não estavam imediatamente disponíveis para comentar o caso.
Apostas sobre ataque ao Irã na Guerra dos Doze Dias
A investigação descobriu que os envolvidos apostaram sobre o momento exato do primeiro ataque israelense contra o Irã durante o conflito de junho de 2025, conhecido como Guerra dos Doze Dias. O caso ganhou notoriedade após a agência de notícias Kan revelar que órgãos de segurança investigavam o uso indevido de informações privilegiadas.
Segundo a mídia israelense, o caso provavelmente está ligado a uma investigação onde um usuário anônimo apostou que Israel atacaria o Irã na sexta-feira em que realmente o fez em junho de 2025.
O ataque israelense ao Irã aconteceu na madrugada de 13 de junho de 2025. Na operação, Israel utilizou 200 caças que lançaram mais de 330 “munições diversas” contra mais de 100 alvos em território iraniano, incluindo a instalação nuclear de Natanz e alvos relacionados a líderes militares e cientistas nucleares de alto escalão.
Polymarket e o esquema de apostas
Os suspeitos utilizaram a plataforma Polymarket, um mercado de previsões online onde usuários podem apostar em eventos futuros. As apostas foram realizadas especificamente sobre operações militares israelenses contra o Irã, aproveitando-se do conhecimento privilegiado que os reservistas possuíam.
Os mercados de previsão são compostos por questões tipicamente de sim ou não chamadas contratos de eventos, com preços conectados ao que os traders estão dispostos a pagar, o que teoricamente indica a probabilidade percebida de um evento ocorrer. O uso desses mercados disparou nos últimos anos, mas apesar de alguns ganhos impressionantes, traders ainda perdem dinheiro diariamente.
As autoridades ainda não divulgaram o valor financeiro envolvido nas apostas nem detalhes sobre como exatamente os suspeitos operacionalizavam o esquema na plataforma. A investigação continua em andamento, com possibilidade de novas prisões.
Posicionamento das autoridades israelenses
Em comunicado conjunto, as autoridades de Israel manifestaram preocupação com a gravidade do caso. “O Ministério da Defesa enfatiza que fazer tais apostas, com base em informações secretas e classificadas, representa um risco real à segurança das operações das Forças de Defesa de Israel e à segurança do Estado”, afirma o documento.
O Gabinete do Procurador-Geral de Israel decidiu processar os dois indivíduos após uma investigação conjunta conduzida pela polícia, inteligência militar e outras agências de segurança que resultou em várias prisões.
O exército israelense afirmou que “de acordo com os resultados da investigação, nenhum dano operacional foi causado no incidente atual”. No entanto, ressaltou que houve uma “grave falha ética e um claro cruzamento de uma linha vermelha, que não são consistentes com os valores das FDI e o que se espera de seus membros em serviço”. Procedimentos criminais e disciplinares serão tomados contra qualquer parte envolvida em tais ações, acrescentou.
Na mesma nota, as autoridades declararam que consideram “os atos atribuídos aos réus com a máxima severidade e agirão com firmeza” para impedir e levar à justiça qualquer pessoa envolvida no uso ilegal de informações classificadas.
Os promotores solicitaram que os acusados permaneçam detidos até a conclusão do processo judicial. Além do reservista e do civil já formalmente acusados, outras pessoas estão sendo investigadas e poderão enfrentar acusações semelhantes.
Não foram divulgados mais detalhes da investigação e as identidades dos envolvidos permanecem confidenciais sob uma proibição de publicação.


