Morre Ciro Batelli, o ícone da luta pela legalização dos jogos
Morreu na manhã desta segunda-feira (5), em Las Vegas o empresário Ciro Batelli, aos 84 anos, vítima de um câncer que ele vinha se tratando. Infelizmente perdeu a guerra contra a doença assim como o seu querido filho Fernando Batelli, falecido há 56 dias.
O ‘menino celebridade’ de Ribeirão Preto virou vice-presidente da gigantesca Caesars World International Corp na capital mundial do jogo. Além disso, Ciro também foi diretor de projetos especiais na empresa Programa Amaury Jr. da Rede TV, produtor do Domingão do Faustão na Rede Globo, cronista e colunista de sites e jornais, dono do restaurante Batelli’s, candidato a deputado federal, entre outras atividades.
Batelli sempre foi bastante conhecido por um grande círculo de amigos que sempre o visitaram Las Vegas nas últimas décadas, foi o precursor e ícone na luta pela legalização dos jogos, quando fundou nos anos 70 o Comitê Pro-Legalização dos Cassinos no Brasil.
Durante a G2E de 2016, Ciro foi homenageado por um grupo de amigos brasileiros com um jantar no Venetian, de Las Vegas, pelos seus 45 anos de luta pela legalização dos jogos no Brasil. Durante o encontro muitas histórias foram lembradas e comemoradas. Estavam lá, Romulo Boasorte, Maurício Andrade, Osmar Moraes, Márcio Augusto, Ricardo Namen, Daniel Homem de Carvalho, Carlos Cardama, Igor Federal e o signatário desta coluna.
Na oportunidade, perguntei ao Ciro sobre o processo de liberação dos jogos no Brasil em tramitação no Congresso Nacional e ele comentou que “apesar do atraso histórico está sendo conduzido com muita dignidade”.
Sobre a cidade que escolheu para viver, Ciro brincava que “Las Vegas é Vaticano o resto é paróquia”.
O querido e polêmico empresário sempre definia a ‘Sin City’ ou ‘Cidade do Pecado’, como é carinhosamente conhecida pelos norte-americanos como o Vaticano: “Las Vegas é Vaticano o resto é paróquia”.
“Muitos de vocês conheciam-no como um executivo forte para o Caesars Palace, mas ele também era um marido, pai, avô, pai de direito e amigo. Eu sempre vou lembrar da sua capacidade de viver a vida ao máximo. Só lamento que os meus filhos Alexa e Connor não sejam capazes de crescer com a vovô deles. Alexa tornou-se tão ligada a ele que vai sentir falta dele como sente do Fernando. O meu pai deixou para trás um grande legado – nenhum mais importante do que a sua família. Descanse em paz papai. Agora é hora de estar com Fernando”, Flavia Batelli Neeman em sua conta do Facebook.
Opositores a legalização

Batelli foi candidato a deputado federal em duas oportunidades e nas duas oportunidades não foi eleito. Em 2014 foi de candidato a deputado pelo Partido Social Cristão – PSC de São Paulo com o número 2021 e com propostas para o setor de jogos através da plataforma ‘Jogo Limpo’ e ‘Tolerância Zero’, principalmente para políticos desonestos (veja o vídeo).
Em várias entrevistas, Ciro dizia que Las Vegas seria um exemplo a ser seguido, e não reconhecia que os cassinos provocavam efeitos colaterais, como prostituição, crimes, vícios, suicídios e, sobremaneira, favorecem a lavagem de dinheiro sujo, como afirmam com veemência vários promotores públicos.
Amigo do ídolo
Conheci pessoalmente o Ciro Batelli em 1998 no Rio de Janeiro, no escritório da Sodak Gaming do Brasil, apresentado por Marcelo Costa, Marcus Fortunato, Ricardo Namen, André Torres e Gilberto Azevedo. Encantado com o seu estilo e conhecimento sobre jogos, passei a admirar o empresário como um ídolo, afinal naquela época estava dando os primeiros passos no mundo encantado dos jogos.

Da amizade veio o convite para ser diretor de Comunicação do Comitê Pro-Legalização dos Cassinos no Brasil. Tivemos muitos diálogos sobre a legalização dos jogos, além da honra da coluna semanal ‘Direto de Vegas por Ciro Batelli’ veiculada durante alguns anos pelo BNL, sempre às sextas-feiras.
Sempre comentei com o Ciro, que uma das grandes delícias da vida é quando você vira amigo de seus ídolos.
Sempre que um amigo querido nos deixa, me lembro que algumas pessoas deixam herança. Outras, deixam lições. E tem aquelas que deixam a alegria de simplesmente terem feito parte de nossas vidas.


