Pandemia trava crescimento da Raspadinha em Portugal e modalidade perde 278 milhões de euros em apostas

Loteria I 28.09.21

Por: Elaine Silva

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Em abril do ano passado, mês marcado pelo confinamento geral do país, as vendas da Raspadinha caíram 61% face ao mesmo mês de 2019

A Raspadinha, o jogo social mais popular em Portugal, gerou vendas brutas de 1,440 bilhões de euros em 2020, registrando uma quebra de 16,2% face a 2019. Foi o terceiro jogo com mais impacto nas vendas brutas dos jogos sociais geridos pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML), provocado pelas restrições impostas para travar a pandemia da covid-19. Em abril, mês marcado pelo confinamento geral do país, as vendas da Raspadinha caíram 61%.

O ano de 2020 ficará marcado na história dos jogos da Santa Casa. As vendas brutas dos jogos sociais atingiram os 2,768 bilhões de euros, menos 17,6% (ou 591 milhões) quando comparado com o exercício de 2019, o que acabou por traduzir um volume de vendas líquidas de 709 milhões, uma queda de 18,2%.

Para este “revés de atividade sem paralelo”, os jogos que mais contribuíram negativamente no que toca ao volume de vendas foram o Euromilhões, o Placard e, como já referido, a Raspadinha, conforme descrito no Relatório & Contas de 2020 dos Jogos Sociais da Santa Casa divulgado na semana passada.

É “necessário recuarmos cerca de 10 anos para encontrarmos os níveis de vendas mensais que chegamos a registrar em alguns meses deste ano”, lê-se no documento. Apenas a Loteria Popular e o Totobola tiveram uma performance positiva.

“Fatores como o encerramento temporário de parte da rede de mediadores, por via das medidas de confinamento para combate à pandemia e o cancelamento e adiamento de inúmeros eventos desportivos, revelaram-se fatais para a boa performance”, diz ainda o relatório.

O Euromilhões e M1lhão geraram vendas brutas de 644 milhões de euros no ano passado, uma quebra de 21,9% quando comparado com 2019. Já a procura pelo Placard ficou-se nos 507 milhões, menos 20%. A Lotaria Clássica viu as vendas descerem 10,6%, para 46 milhões. Já o Totobola caiu 30,7%, atingindo vendas de quatro milhões.

Com um comportamento positivo há de assinalar a Lotaria Popular, cujas vendas brutas cresceram 5,1%, para 26 milhões, e o Totoloto, que registrou uma subida de 0,4%, para 101 milhões.

Abril negro
O mês que mais contribuiu para esta performance negativa dos jogos da Santa Casa foi abril. Como diz a instituição presidida por Edmundo Martinho, “abril foi o mês de maior impacto da pandemia. O valor de vendas atingido ficou 61% abaixo da média mensal verificada em 2019, tendo registrado exatamente a mesma variação face ao mesmo mês”. Foi também nessa altura que se verificou o maior número de mediadores encerrados.

Com a suspensão de quase todas as competições desportivas, nacionais e internacionais, o decréscimo de vendas do Placard chegou aos 92%, sendo que os concursos do Totobola foram mesmo cancelados.

No relatório, a Santa Casa sublinha a contribuição dos canais digitais na redução do impacto da pandemia na atividade. “A imposição do confinamento levou a uma variação de procura, também inédita, mas, desta feita, positiva, nas vendas dos canais digitais”, lê-se. Apesar da sua pouca dimensão no total das vendas, os canais digitais corresponderam a 4% do total.

Menos 156 milhões para os beneficiários
Face aos resultados obtidos em 2020, a Santa Casa vai distribuir quase 608 milhões de euros, menos 156 milhões do que em 2019, por um conjunto de beneficiários, de que se destacam várias instituições do Estado, a SCML e o Centro de Medicina de Reabilitação do Alcoitão. (Dinheiro Vivo – Sónia Santos Pereira – Portugal)


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