Patrocínios de casas de apostas caem e seis times da Série A começam temporada sem parceiros máster

Internacional, Bahia e Coritiba se somaram a Grêmio, Santos e Vasco na lista de equipes da Série A do Campeonato Brasileiro que perderam seus patrocinadores máster do setor de apostas esportivas. Nesta sexta-feira (9), confirmou-se que 30% dos times da elite do futebol brasileiro começam a temporada sem parceiros principais em seus uniformes. A situação representa uma mudança significativa em relação a 2025, quando 19 dos 20 clubes do Brasileirão exibiam marcas de empresas de apostas.
Os contratos foram encerrados por razões diversas. O Internacional rescindiu com a Alfa após dois meses sem receber os pagamentos, problema similar ao enfrentado pelo Grêmio em dezembro. Os dois clubes gaúchos tinham acordos válidos até 2027, que rendiam aproximadamente R$ 50 milhões anuais a cada um.
No caso do Bahia, a Viva Sorte Bet decidiu encerrar a parceria por insatisfação com o retorno obtido nos investimentos. O contrato, avaliado em R$ 40 milhões por temporada, estava previsto para durar até o final de 2026. A empresa Viva Sorte Capitalização, no entanto, manterá sua marca nos ombros da camisa do Esquadrão. O Banco BMG assumirá o papel de principal patrocinador financeiro do clube, com valores fixos e variáveis dependentes da quantidade de contas bancárias abertas vinculadas ao tricolor. No último sábado (3), o time sub-20 do Bahia entrou em campo com a marca do novo patrocinador na parte superior traseira do uniforme, mas ainda não há definição sobre qual empresa ocupará o espaço principal da camisa.
“Não há empresas de outros segmentos dispostas a pagar valores semelhantes ao das bets. E, quando conversamos com outras casas de apostas, ninguém chega perto do que recebíamos”, declarou um diretor de marketing de um clube da Série A à Máquina do Esporte.
O Coritiba foi informado pela Reals em dezembro que não haveria renovação após o término do vínculo no final de 2025. O clube paranaense ainda utilizou a marca da empresa na estreia do Campeonato Paranaense contra o Foz do Iguaçu, na última quarta-feira (7).
Para o Inter, a situação já é imediata. O clube entrará em campo sem patrocínio máster na estreia do Campeonato Gaúcho contra o Novo Hamburgo no próximo domingo (11), sinalizando ao mercado que está em busca de um novo parceiro principal.
O Vasco viu seu contrato com a Betfair encerrar sem renovação no final de 2025, enquanto o Santos anunciou em janeiro o fim do acordo com a 7K. No caso do clube paulista, o contrato estava previsto para durar até abril de 2027, mas foi rescindido de forma amigável. O acordo poderia render até R$ 150 milhões ao Santos caso determinadas metas esportivas fossem alcançadas. Em 2025, o clube recebeu R$ 51 milhões e deixou de arrecadar outros R$ 54 milhões previstos para 2026. O departamento de marketing do Santos enfrenta desafios adicionais com a não renovação de contratos com outros patrocinadores como Havan e Viva Sorte Capitalização.
O Fortaleza também pode entrar nessa lista em breve, já que recebeu notificação da Cassino Bet sobre possível encerramento antecipado do contrato de patrocínio máster. As negociações para definir o futuro da parceria estão em andamento, embora o acordo tenha vigência oficial até o final de 2026. O aporte financeiro da Cassino Bet aos cofres do clube cearense é de R$ 30 milhões por ano, sendo o maior contrato de patrocínio da história do Fortaleza.
Segundo especialistas do setor, as empresas de apostas estão reduzindo investimentos após os gastos elevados que caracterizaram 2025, primeiro ano com o mercado totalmente regulamentado no Brasil. Outro fator que inibe novos contratos é o aumento da tributação sobre as casas de apostas, que passará de 12% para 15% gradualmente até 2028.
A 7K, que deixou o Santos, também pode encerrar sua parceria com o Mirassol. O clube do interior paulista considera baixo o valor pago pelo patrocínio, especialmente após ter alcançado o quarto lugar no Brasileirão 2025 e se classificado para a fase de grupos da Libertadores. Em contrapartida, a mesma empresa deve manter o vínculo com o Vitória devido à proximidade entre seus executivos e a diretoria do clube baiano.
Em 2025, apenas o Red Bull Bragantino, entre os 20 clubes da Série A, não exibia patrocínio de casa de apostas, por estampar a marca da empresa de energéticos proprietária do clube.
O valor total destinado aos patrocínios máster dos clubes da Série A saltou de R$ 496 milhões em 2023 para R$ 1,117 bilhão em 2025, conforme levantamento da agência Jambo Sport Business, representando uma valorização de 125% em apenas dois anos. Alguns especialistas acreditam que os valores estão supervalorizados pelas casas de apostas e que o cenário poderá mudar com o primeiro ano de regulamentação.
Por enquanto, a única mudança confirmada para 2026 é a do Cruzeiro, que deixará de usar Betfair e passará a estampar Betnacional no espaço mais nobre da camisa. Ambas as marcas pertencem à Flutter Brazil, que decidiu reorganizar sua estratégia no mercado brasileiro.
Quem manterá os parceiros atuais conta, em geral, com contratos longevos. É o caso do Fluminense com Superbet (até 2030), Flamengo com Betano (2028) e um grupo maior, formado por Atlético-MG (H2bet), Botafogo (VBet), Palmeiras (Sportingbet), São Paulo (Superbet) e Vitória (7K), todos com vínculos até 2027.
A experiência internacional mostra que grandes ligas europeias já restringiram propagandas de bets em clubes de futebol. A Espanha proibiu a publicidade de casas de apostas em clubes em 2021, a Itália baniu qualquer propaganda de apostas desde 2019, e a Inglaterra adotou restrições, dando aos clubes da Premier League até o fim da temporada 2025/2026 para retirar patrocínios máster de bets.


