Torneio de pôquer no Brasil tem só 1,4% de participação feminina em competição na Bahia

Apenas 81 mulheres participaram do torneio “Ladies” durante a etapa do Brazilian Series of Poker (BSOP) no resort Costa do Sauípe, na Bahia. O evento ocorreu no final de janeiro de 2026. As competidoras representaram aproximadamente 1,4% do total de 6 mil inscritos nas diversas categorias do campeonato.
Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, a bancária Priscila Martins, 42 anos, conquistou o título da competição feminina e recebeu premiação de aproximadamente R$ 15 mil. Para participar do torneio exclusivo para mulheres, as jogadoras pagaram taxa de inscrição de R$ 1.000.
O torneio principal do BSOP, aberto a todos os participantes, contou com 854 inscritos e taxa de inscrição de R$ 5.000. O campeão desta categoria recebeu R$ 550 mil, valor significativamente superior ao prêmio da categoria feminina.
A empresária Lúcia Risson, 61 anos, terminou em quinto lugar no “Ladies” e recebeu R$ 5.000. Ela é campeã brasileira em 2025 e bicampeã do torneio feminino.
“Quando você está iniciando e as pessoas não te conhecem, pelo fato de ser mulher, precisamos nos provar duas vezes. Eu já senti isso”, afirmou Priscila, que estava acompanhada da mãe durante a disputa no resort.
A bancária iniciou no esporte há cerca de oito anos, sendo a única mulher em um grupo de aproximadamente dez colegas de trabalho que jogavam recreativamente após o expediente.

“No meu começo, a primeira coisa que tinha de fazer era mostrar para os adversários que não sou fraca, que estamos jogando de igual para igual. Acho que talvez outras mulheres também já tenham sentido isso, mas conforme você vai jogando e se tornando conhecida no meio, isso vai diminuindo”, acrescentou.
Priscila destacou a necessidade de estudo e preparação para competir em alto nível. “O pôquer é um jogo da mente, é um jogo de pessoas. É um nível superalto, então vi que precisava estudar. E a ideia é trazer mais e mais mulheres, e mostrar para os homens que temos o mesmo nível técnico que eles”, afirmou.
Lúcia Risson, que se define como “workaholic”, explicou sua atração pelo jogo. “No momento em que estamos jogando, a gente não pensa em trabalho. Tem a resenha, a amizade, o jogo em si, que é extremamente estratégico, de observação, de leitura corporal, de matemática, de sentimento, e isso tudo me fascinou”, disse.
A empresária apontou possíveis vantagens femininas no pôquer. “Eu acho que a mulher, por ser multitarefa, consegue cuidar do filho, cozinhar, fazer várias ações ao mesmo tempo…Então, acho que gente acaba tendo uma maior sensibilidade na leitura do jogo. E a leitura corporal no pôquer é muito importante.”
Lúcia relatou ter enfrentado comentários preconceituosos sobre “lavar a louça” e “cuidar do marido”. Sobre o torneio exclusivo para mulheres, ela defendeu: “Quando você traz a mulher para esse espaço, ela se permite, ela tem a percepção que o ambiente é dela. Fica mais fácil, ela não tem medo de fazer uma jogada errada, de ouvir um comentário discriminatório.”
O circuito BSOP deve continuar realizando torneios exclusivamente femininos para incentivar a participação das mulheres no esporte. Não foram divulgadas informações sobre futuras etapas do circuito ou iniciativas específicas para aumentar a participação feminina nos próximos torneios.
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