BSOP 2026 reúne 6 mil jogadores e distribui R$ 30 milhões em prêmios na Bahia

Cerca de 6 mil jogadores participaram da primeira etapa do Brazilian Series of Poker (BSOP) de 2026, realizada durante sete dias em um resort no norte da Bahia. O evento, que aconteceu na semana passada, distribuiu quase R$ 30 milhões em premiações entre competidores amadores e profissionais que conciliam suas carreiras com torneios de pôquer, registra reportagem da Folha de S.Paulo.
O servidor público Aloísio Dourado, 31 anos, natural de Salvador, conquistou o título principal do evento após uma final de quase 12 horas na modalidade “Texas Hold’em”. O soteropolitano derrotou o chileno Jorge Castillo, 41 anos, único estrangeiro presente na decisão.
O torneio principal contou com 854 participantes que pagaram R$ 5.000 de inscrição. O campeão recebeu R$ 550 mil, enquanto o vice levou R$ 450 mil. Além da competição principal, o evento ofereceu diversos torneios paralelos com taxas de inscrição entre R$ 1.000 e R$ 25 mil.
Dourado, que venceu uma etapa do World Series of Poker (WSOP) em Las Vegas em junho de 2025 na categoria “badugui“, mantém o pôquer como atividade secundária enquanto trabalha como servidor público em Brasília.
“Tenho que me virar, tirar férias, banco de horas, para poder funcionar. Mas não é fácil. No ano passado, acabei perdendo algumas etapas por causa dos compromissos no trabalho”, relatou Dourado. “Em determinado momento, tive que entender isso, começar a focar a minha carreira e levar o pôquer como um hobby.”

Entre os competidores superados por Dourado estava o paulista Lucas Rocha, conhecido como Rochinha, de 26 anos, que terminou na oitava posição e recebeu R$ 60 mil. Diferentemente do campeão, Rochinha abandonou a faculdade de engenharia de produção para se dedicar exclusivamente ao pôquer quando percebeu que seus ganhos superavam seu salário como estagiário.
O jogador profissional estima que sua taxa de sucesso varia entre 20% e 30% das mesas em que participa. Para compensar, ele foca em torneios com premiações mais expressivas. Sua maior conquista financeira foi em São Paulo, há dois anos, quando faturou R$ 750 mil em um torneio do BSOP.
“A rotina do jogador é um pouco solitária. Passamos a maior parte do tempo sozinhos, no computador, com dedicação aos estudos”, explicou Rochinha, que é um dos sócios do Samba Poker Team, um dos vários times de pôquer formados por centenas de jogadores.
“Como tem o fator sorte que influencia também, precisamos estar sempre o mais preparados possível para, quando a oportunidade aparecer, conseguir aproveitar”, acrescentou. “Estou me preparando para ter provavelmente o melhor ano da minha carreira. Tenho uma meta de ganhar cerca de US$ 200 mil (R$ 1 milhão) em 2026, embora seja algo de que a gente não tenha tanto controle.”
As competições no resort baiano começavam no início da tarde e se estendiam até a madrugada, com os jogadores reunidos durante toda a semana. Na competição principal, os participantes jogaram “Texas Hold’em”, modalidade em que cada jogador recebe duas cartas e utiliza outras cinco dispostas na mesa para formar a melhor combinação possível.
Rafael Moraes, CEO da BSOP e ex-jogador profissional, afirmou que a organização trabalha para elevar o pôquer brasileiro a um novo patamar. “O pôquer não precisa provar mais nada. Já é um jogo mental consolidado no Brasil e no mundo. E agora chegou a hora de crescer”, declarou.
Segundo Moraes, após uma fase em que o pôquer buscou se legitimar no Brasil como um jogo que envolve habilidades, não apenas sorte, o objetivo agora é levá-lo a uma “nova era”, popularizando os torneios junto ao grande público. “Queremos tornar o Brasil uma das paradas globais do mundo do pôquer”, afirmou.
Uma das estratégias adotadas pela BSOP para aumentar a popularidade do pôquer no país é atrair celebridades para seus torneios. Neymar, que já recebeu aulas particulares de Moraes e participou de etapas do circuito, é um dos principais nomes associados à modalidade. “Ele é um cara que ajuda muito o pôquer a crescer. É supercompetitivo e joga muito bem”, comentou o CEO da BSOP.
A popularidade do pôquer no Brasil tem crescido nos últimos anos, impulsionada pela associação com celebridades. O circuito anual BSOP determina os campeões brasileiros nas categorias masculina e feminina.
Torneio de pôquer no Brasil tem só 1,4% de participação feminina em competição na Bahia


