BSOP 2026 reúne 6 mil jogadores e distribui R$ 30 milhões em prêmios na Bahia

Pôquer I 19.02.26

Por: Magno José

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BSOP 2026 reúne 6 mil jogadores e distribui R$ 30 milhões em prêmios na Bahia
Primeira etapa do torneio de pôquer aconteceu durante sete dias em resort no norte baiano, com servidor público de Salvador conquistando título principal após 12 horas de final ( Rafael Terra/Divulgação)

Cerca de 6 mil jogadores participaram da primeira etapa do Brazilian Series of Poker (BSOP) de 2026, realizada durante sete dias em um resort no norte da Bahia. O evento, que aconteceu na semana passada, distribuiu quase R$ 30 milhões em premiações entre competidores amadores e profissionais que conciliam suas carreiras com torneios de pôquer, registra reportagem da Folha de S.Paulo.

O servidor público Aloísio Dourado, 31 anos, natural de Salvador, conquistou o título principal do evento após uma final de quase 12 horas na modalidade “Texas Hold’em”. O soteropolitano derrotou o chileno Jorge Castillo, 41 anos, único estrangeiro presente na decisão.

O torneio principal contou com 854 participantes que pagaram R$ 5.000 de inscrição. O campeão recebeu R$ 550 mil, enquanto o vice levou R$ 450 mil. Além da competição principal, o evento ofereceu diversos torneios paralelos com taxas de inscrição entre R$ 1.000 e R$ 25 mil.

Dourado, que venceu uma etapa do World Series of Poker (WSOP) em Las Vegas em junho de 2025 na categoria “badugui“, mantém o pôquer como atividade secundária enquanto trabalha como servidor público em Brasília.

“Tenho que me virar, tirar férias, banco de horas, para poder funcionar. Mas não é fácil. No ano passado, acabei perdendo algumas etapas por causa dos compromissos no trabalho”, relatou Dourado. “Em determinado momento, tive que entender isso, começar a focar a minha carreira e levar o pôquer como um hobby.”

Homem sorridente segura duas cartas de paus (3 e 5) ao lado de um troféu dourado do BSOP e pilhas de fichas de poker sobre a mesa verde. Fundo iluminado com o logo do BSOP.
Aloísio Dourado, vencedor da primeira etapa do Brasileiro de pôquer, na Costa do Sauípe (Rafael Terra/Divulgação)

Entre os competidores superados por Dourado estava o paulista Lucas Rocha, conhecido como Rochinha, de 26 anos, que terminou na oitava posição e recebeu R$ 60 mil. Diferentemente do campeão, Rochinha abandonou a faculdade de engenharia de produção para se dedicar exclusivamente ao pôquer quando percebeu que seus ganhos superavam seu salário como estagiário.

O jogador profissional estima que sua taxa de sucesso varia entre 20% e 30% das mesas em que participa. Para compensar, ele foca em torneios com premiações mais expressivas. Sua maior conquista financeira foi em São Paulo, há dois anos, quando faturou R$ 750 mil em um torneio do BSOP.

“A rotina do jogador é um pouco solitária. Passamos a maior parte do tempo sozinhos, no computador, com dedicação aos estudos”, explicou Rochinha, que é um dos sócios do Samba Poker Team, um dos vários times de pôquer formados por centenas de jogadores.

“Como tem o fator sorte que influencia também, precisamos estar sempre o mais preparados possível para, quando a oportunidade aparecer, conseguir aproveitar”, acrescentou. “Estou me preparando para ter provavelmente o melhor ano da minha carreira. Tenho uma meta de ganhar cerca de US$ 200 mil (R$ 1 milhão) em 2026, embora seja algo de que a gente não tenha tanto controle.”

As competições no resort baiano começavam no início da tarde e se estendiam até a madrugada, com os jogadores reunidos durante toda a semana. Na competição principal, os participantes jogaram “Texas Hold’em”, modalidade em que cada jogador recebe duas cartas e utiliza outras cinco dispostas na mesa para formar a melhor combinação possível.

Rafael Moraes, CEO da BSOP e ex-jogador profissional, afirmou que a organização trabalha para elevar o pôquer brasileiro a um novo patamar. “O pôquer não precisa provar mais nada. Já é um jogo mental consolidado no Brasil e no mundo. E agora chegou a hora de crescer”, declarou.

Segundo Moraes, após uma fase em que o pôquer buscou se legitimar no Brasil como um jogo que envolve habilidades, não apenas sorte, o objetivo agora é levá-lo a uma “nova era”, popularizando os torneios junto ao grande público. “Queremos tornar o Brasil uma das paradas globais do mundo do pôquer”, afirmou.

Uma das estratégias adotadas pela BSOP para aumentar a popularidade do pôquer no país é atrair celebridades para seus torneios. Neymar, que já recebeu aulas particulares de Moraes e participou de etapas do circuito, é um dos principais nomes associados à modalidade. “Ele é um cara que ajuda muito o pôquer a crescer. É supercompetitivo e joga muito bem”, comentou o CEO da BSOP.

A popularidade do pôquer no Brasil tem crescido nos últimos anos, impulsionada pela associação com celebridades. O circuito anual BSOP determina os campeões brasileiros nas categorias masculina e feminina.

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