25% dos brasileiros apostaram online no último mês, revela pesquisa Meio/Ideia

Apostas I 06.05.26

Por: Magno José

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25% dos brasileiros apostaram online no último mês, revela pesquisa Meio/Ideia
Instituto ouviu 1.500 pessoas por telefone em levantamento divulgado nesta quarta-feira sobre bets no país, com margem de erro de 2,5 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. Segundo o fundador do IDEA as bets serão um tema central das eleições presidenciais 

O instituto Meio/Ideia divulgou nesta quarta-feira (6/5) pesquisa sobre apostas online no Brasil. O estudo ouviu 1.500 pessoas por telefone. Os dados revelam que 25% dos entrevistados fizeram apostas nos últimos 30 dias. O levantamento abordou o tema “As bets e o Brasil” e tem margem de erro de 2,5 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

A pesquisa Meio/Ideia de maio aponta que as apostas online se consolidaram como uma das principais pautas morais e econômicas do país, reunindo forte apelo social e potencial de impacto eleitoral. “A questão política não é condenar os apostadores, é perguntar quem construiu a mesa, quem lucrou com o jogo e quem agora, às vésperas da eleição, deveria apagar as luzes do cassino”, afirmam Cila Schulman e Mauricio Moura, respectivamente CEO e fundador do Instituto Ideia.

Homens apostam mais que mulheres

A divisão por gênero mostra diferenças no comportamento dos apostadores. Entre os homens, 28,8% realizaram apostas no período analisado. As mulheres registraram percentual de 21,5%. Segundo o levantamento, 29% dos homens apostaram online nos últimos 30 dias, contra 22% das mulheres.

Homens apostam mais, perdem mais e defendem mais a continuidade do setor: 27% são favoráveis à manutenção das bets, contra 21% das mulheres. São as mulheres, porém, que administram as consequências: contas atrasadas, orçamento refeito às pressas, filhos sem material escolar.

A pesquisa identificou que a renda não determina maior ou menor adesão às apostas. Brasileiros que recebem até 1 salário-mínimo apresentaram índice de 25,8% de apostadores. O grupo que ganha entre 1 e 3 salários-mínimos registrou 26,6%. Na faixa de 3 a 5 salários-mínimos, o percentual foi de 25,7%. Os entrevistados com renda superior a 5 salários-mínimos tiveram o menor índice: 16,7%.

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Norte lidera em apostas entre regiões

As faixas etárias de 25 a 34 anos e de 45 a 59 anos concentram os maiores percentuais de apostadores. O primeiro grupo apresentou 26,7% e o segundo alcançou 28,3%. As faixas mais ativas são justamente as de 25 a 34 e 45 a 59 anos. E o fenômeno já atravessou a porta de casa: 34% dos adultos entre 25 e 34 anos afirmam que um familiar apostou recentemente e 31% acreditam que alguém da família aposta sem contar para ninguém.

A região Norte do país lidera o ranking de apostadores. O levantamento aponta que 41,4% dos entrevistados nortistas fizeram apostas recentemente. O Centro-Oeste aparece com 28,3%. O Nordeste registrou 26,4%. A região Sul teve 23,6%. O Sudeste apresentou o menor percentual entre todas as regiões: 20,6%.

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Maioria vê risco de endividamento e vício

O estudo investigou a percepção dos brasileiros sobre os efeitos das apostas online. A maioria dos entrevistados associa as bets ao endividamento. O percentual que concorda com essa relação é de 59%. Outros 19% discordam. Não souberam responder 22% dos participantes. O levantamento mostra que 59% dos brasileiros acreditam que as bets contribuem para o aumento do endividamento das famílias.

A possibilidade de vício também preocupa os brasileiros. O levantamento mostra que 61,9% concordam que as apostas online podem viciar. Discordam dessa afirmação 16% dos entrevistados. Segundo a pesquisa, 61,9% avaliam que as plataformas têm provocado vício na população. O público entre 35 e 44 anos já reconhece que as bets estão viciando os brasileiros, com 69% concordando com essa afirmação.

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Divisão sobre proibição e publicidade

A pesquisa questionou os participantes sobre a proibição das bets. O percentual que concorda com a proibição total é de 44%. Discordam dessa medida 24% dos ouvidos. Segundo o levantamento, 44% dos brasileiros defendem a proibição das bets no Brasil, contra 24% que rejeitam a medida.

Os dados são inequívocos: 60% das mulheres acreditam que as bets contribuem para o endividamento das famílias brasileiras, e 48% defendem a proibição total das casas de apostas no Brasil, contra 40% dos homens. Isso pode representar uma demanda política organizada, com peso eleitoral concreto: as eleitoras representam 52,8% do eleitorado brasileiro, 82,8 milhões de mulheres aptas a votar.

Uma terceira via aparece nos dados. O estudo aponta que 33% dos entrevistados defendem a continuidade das operações das bets. Esse grupo, porém, apoia a proibição da propaganda das plataformas de apostas.

O governo enfrenta constrangimentos simultâneos. Primeiro, a contradição arrecadatória: restringir as bets significa abrir mão de quase R$ 10 bilhões anuais, equivalente ao que o governo arrecadou entre impostos e taxas no primeiro ano completo de regulação, 2025, receita obtida às custas do endividamento da base eleitoral que mais precisa mobilizar. Segundo, o fosso entre a norma e o mercado real: as plataformas ilegais seguem ativas aos milhares e restrições às autorizadas empurram os apostadores para o mercado clandestino. Terceiro, o problema comportamental: a experiência americana mostra que o desvio de renda para apostas é permanente, não temporário.

Cenário eleitoral e avaliação do governo

O instituto considera que as apostas online serão tema central na campanha presidencial. “As bets colocam o Brasil diante de uma bomba-relógio socioeconômica que será um dos temas da eleição”, avaliam Cila Schulman e Mauricio Moura. Os dados eleitorais mostram empate técnico no segundo turno. Lula tem 44,7% das intenções de voto. Flávio Bolsonaro aparece com 45,3%. No primeiro turno, Lula registra 40% e Flávio alcança 46%.

A avaliação do governo atual foi classificada como ruim ou péssima por 46,3% dos participantes. O levantamento perguntou se o presidente merece continuar após 2026. Responderam afirmativamente 44% dos entrevistados.

O Meio/Ideia informou que divulgará mensalmente até outubro novos dados sobre o cenário eleitoral. As próximas edições abordarão percepções sobre custo de vida, endividamento e discussões sobre o fim da escala 6×1. O levantamento também mostra amplo apoio ao fim da escala de trabalho 6×1: cerca de 73,7% dos entrevistados se dizem favoráveis à mudança, apontando como principais benefícios mais tempo com a família e descanso.


Pesquisa Meio_Ideia Maio (1)


 

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