60% dos brasileiros pretendem apostar em plataformas digitais durante Copa 2026

A Creditas realizou um levantamento em parceria com a Opinion Box sobre os hábitos financeiros dos brasileiros durante a Copa do Mundo de 2026. O estudo mostra que 20% dos entrevistados concordam em contrair dívidas para acompanhar o torneio. A pesquisa “Placar das Finanças: como o futebol mexe no bolso e na dívida dos brasileiros” ouviu 561 trabalhadores acima de 18 anos entre os dias 15 e 22 de abril deste ano.
O mundial será sediado, pela primeira vez, por três países: Estados Unidos, México e Canadá. A competição tem início oficial em 11 de junho, com abertura no Estádio Azteca, na Cidade do México, e os brasileiros estão animados com a possibilidade de ser hexacampeão.
Perfil dos entrevistados e justificativas para endividamento
O levantamento abrangeu todas as regiões do Brasil. A margem de erro é de 4,1 pontos percentuais.
Entre os brasileiros dispostos a se endividar pelo evento, 36% justificam a escolha pela periodicidade do campeonato. O torneio ocorre a cada quatro anos.
Dos participantes da pesquisa, 26% já chegam endividados ao período do mundial. Desse grupo, 47% pretendem elevar os gastos ao longo da competição. Quando as apostas em bets passam a ser percebidas como alternativa de renda, os endividados são os que mais aderem – 79% dos endividados pretendem apostar versus 48% dos não endividados. Ou seja, endividados têm 1,6 vezes mais probabilidade de apostar.
Geração jovem demonstra maior propensão a gastos
Os jovens apresentam a maior disposição para desembolsar dinheiro durante o torneio. O índice atinge 89% nessa faixa etária. Esse grupo pertence majoritariamente à geração que nunca viu a seleção brasileira vencer uma Copa do Mundo. Entre eles, 30% aceitam contrair dívidas.
Na faixa de 18 a 24 anos, 70% pretendem participar de apostas em bets ou bolões. Considerando o total de entrevistados, 56% não descartam apostar durante o mundial. O percentual sobe para 79% entre aqueles que já estão endividados. Segundo estimativas, há atualmente 25 milhões de CPFs que fizeram algum tipo de aposta no Brasil. Cada CPF tem pelo menos quatro contas abertas, ou seja, são mais de 100 milhões de apostas acontecendo.
Apostas vistas como alternativa de renda
Um terço dos participantes enxerga os jogos de aposta como forma de aumentar o orçamento. Desses, 31% pretendem usar eventuais ganhos para cobrir gastos. Outros 15% planejam quitar dívidas.
“É muito perigoso esse caminho de olhar a bet como uma estratégia para conseguir ter uma renda maior”, afirma Guilherme Casagrande, educador financeiro da Creditas, citando que o Brasil em 2024 foi o país que mais gastou dinheiro com apostas.
Para parte dos potenciais apostadores, bet deixa de ser “entretenimento”: um em cada três afirmam que apostar durante a Copa é forma de aumentar o orçamento. Também são os que nunca viram o Brasil campeão e os já endividados que mais associam bets a ganho financeiro rápido: 48% dos jovens entre 18 e 24 anos e 44% dos endividados confirmaram a tese.
“No momento que você está numa situação ruim, o risco passa a ser irrelevante. Eles pensam ‘Vai que dá certo, porque se o problema não resolver, só aumentou o valor da dívida que eu já tinha'”, comenta Casagrande.
“Eles pensam que, no fundo, não gastaram nada com a Copa, porque o lucro ajudou a cobrir os gastos. Mas na prática, não é assim e pode ajudar a comprometer a organização financeira das pessoas”, afirma Felipe Schepers, COO Opinion Box, acrescentando que a alta propaganda das bets também influencia esse movimento.
Mas há quem veja as apostas como diversão (54%).
Comportamento de consumo e planejamento financeiro
O estudo aponta que 74% dos brasileiros declaram que realizarão gastos durante o mundial. A pesquisa revela ainda que 80% podem gastar sem planejamento prévio.
A cada vitória da seleção brasileira, 47% dos entrevistados devem aumentar os desembolsos. A maioria dos participantes, 73%, planeja gastar mais de R$ 100.
Principais categorias de despesas
Comidas e bebidas lideram as intenções de gastos. O item concentra 51% das respostas. O resultado reflete a associação do evento com momentos de socialização. Para 49% dos entrevistados, essa característica justifica extrapolar o orçamento.
Produtos esportivos oficiais aparecem em segundo lugar, com 23% das menções. Festas e eventos privados ocupam a terceira posição, com 20%.
Apenas 26% dos participantes declararam que não pretendem realizar gastos durante a Copa do Mundo.


