Por que o Pix é central no combate ao mercado ilegal das bets?

Apostas I 12.05.26

Por: Magno José

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CEO da Pay4Fun, Leonardo Baptista alerta contra sites de apostas ilegais
Leonardo Baptista*

Existe hoje uma pergunta recorrente quando falamos do mercado bet no Brasil: por que, mesmo com a regulamentação, o ilegal ainda continua operando? A resposta é simples e, ao mesmo tempo, desconfortável. Porque ainda não atacamos o problema da forma mais eficiente.

Durante muito tempo, o combate ao mercado ilegal das bets se concentrou no bloqueio de sites. É um esforço importante, mas insuficiente. A dinâmica é conhecida: bloqueia-se um domínio hoje, outro aparece amanhã, com pequenas variações. É um trabalho quase infinito, que o próprio mercado costuma definir como “enxugar gelo”.

Se quisermos ser efetivos de verdade, precisamos mudar a abordagem. O caminho é outro: seguir o dinheiro. E é exatamente nesse ponto que o Brasil tem uma vantagem competitiva enorme, o Pix.

Hoje, somente o Pix é aceito como meio de pagamento no mercado de apostas no país. Ou seja, pela primeira vez, temos um instrumento que permite enxergar e principalmente interromper o fluxo financeiro que sustenta essas operações. Quando você corta o pagamento, você corta o negócio.

Esse movimento já começou a acontecer. A Secretaria de Prêmios e Apostas passou a ter instrumentos mais duros para atuar sobre instituições que operam com ilegais, com multas que podem chegar a valores extremamente relevantes. Ao mesmo tempo, o Banco Central elevou significativamente o nível de exigência para as instituições de pagamento.

Esse segundo ponto é fundamental. Nos últimos anos, vimos uma proliferação de instituições menores, muitas vezes com baixo nível de controle. Com o aumento das exigências de capital, compliance e prevenção à lavagem de dinheiro, boa parte dessas estruturas deixou de operar.

Na prática, isso já reduziu o espaço para o ilegal. Mas ainda não é suficiente. O mercado irregular ainda representa uma fatia relevante: apostas ilegais têm hoje uma participação entre 41% e 51% do mercado brasileiro de “bets”, segundo levantamento do Instituto Locomotiva e da LCA Consultoria Econômica.

Ou seja, estamos falando de um volume enorme de recursos que deixam de gerar imposto, emprego e proteção ao consumidor, uma perda que pode chegar a até R$ 40 bilhões por ano em arrecadação, segundo a mesma estimativa do setor.

E aqui entra um ponto importante: não faz sentido discutir aumento de carga tributária ou restrições adicionais para quem está no mercado regulado enquanto essa parcela continua operando fora da lei.

Se a gente aperta quem está dentro, o efeito é direto: empurra o operador e muitas vezes o próprio usuário para fora. O caminho mais eficiente para aumentar arrecadação não é subir imposto. É trazer o ilegal para o legal. Se fizermos isso, o mercado regulado praticamente dobra de tamanho e, junto com ele, dobram também os impostos arrecadados. Por isso, o foco precisa ser claro: fiscalização.

Fiscalizar meios de pagamento, fiscalizar provedores, fiscalizar quem está operando dos dois lados. Não dá mais para ter empresas “em cima do muro”, atendendo o mercado regulado e o ilegal ao mesmo tempo.

Outro ponto que precisa avançar é a integração entre reguladores. Banco Central e Secretaria de Prêmios e Apostas precisam trabalhar cada vez mais próximos. O combate ao ilegal passa diretamente por essa coordenação.

O Brasil construiu, em pouco tempo, um modelo regulatório sólido para apostas. O mercado está funcionando, gerando receita, gerando emprego e oferecendo mais proteção ao usuário. Agora, estamos entrando em uma nova fase: a consolidação. E, nessa etapa, não existe dúvida sobre onde devemos concentrar esforços. O combate ao mercado ilegal não vai acontecer na superfície, derrubando sites. Vai acontecer no fluxo financeiro. O Pix nos dá essa possibilidade. Talvez seja a ferramenta mais poderosa que temos hoje. A questão não é se ele pode ajudar. A questão é o quanto estamos dispostos a usá-lo de forma efetiva.


(*) Leonardo Baptista é formado em Ciência da Computação pela Faculdade Associadas de São Paulo (FASP) e Bacharel em Gestão de Marketing pela Universidade Anhembi Morumbi, Leonardo Baptista é CEO & Cofundador da Pay4Fun, a primeira instituição de pagamento, que atua no setor de apostas esportivas, a receber a autorização do Banco Central do Brasil. O empresário tem mais de 20 anos de experiência na indústria de jogos e tecnologia da informação: em 2004 montou o primeiro bingo na internet, operação já permitida no Brasil na época. Em 2022, Leonardo entrou para a lista dos dez CEOs mais inspiradores da CIO Business Review, que seleciona os executivos mais influentes do mundo dos negócios.

 

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