Proibir bets não acaba com vício em jogos e empurra apostadores para a clandestinidade

Apostas, Opinião I 03.11.26

Por: Elaine Silva

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Regulamentação eficaz, fiscalização rigorosa e educação financeira são cruciais para conciliar proteção social e sustentabilidade do futebol

A proibição das bets não resolve o vício em jogos nem elimina o endividamento das famílias brasileiras, e seu efeito mais provável seria empurrar apostadores para plataformas clandestinas, sem mecanismos de proteção. Segundo análise publicada pelo Poder 360, regulamentação eficaz, fiscalização rigorosa e educação financeira são o caminho para conciliar proteção social e sustentabilidade do futebol.

O argumento central é que proteger famílias e preservar o esporte não são objetivos excludentes. Mudanças abruptas nas regras do mercado de apostas afetam não apenas grandes clubes com patrocinadores diretos, mas também centenas de milhares de trabalhadores que dependem do futebol como fonte de renda, além de federações e competições que organizaram seus orçamentos com base nas receitas projetadas.

Endividamento e causas estruturais

O endividamento das famílias tem múltiplas causas. As apostas podem ter agravado a situação de pessoas vulneráveis, mas juros elevados, crédito caro e renda insuficiente são apontados como fatores centrais do problema. Além disso, a publicidade do setor não se restringe a estádios e uniformes de clubes; circula em redes sociais e em conteúdos de influenciadores com alcance de milhões de pessoas.

A análise aponta que limites compatíveis com a capacidade financeira dos apostadores, restrições mais efetivas e barreiras de acesso para pessoas vulneráveis são mecanismos mais eficientes do que a proibição. O primeiro passo seria mapear a dimensão real do problema: quantas pessoas precisam de ajuda, qual é o volume das dívidas e como alcançá-las.

Educação como compromisso

Parte da arrecadação do setor de apostas deveria ser destinada à prevenção, à conscientização sobre os riscos do jogo e ao tratamento de quem precisar de apoio. A proposta inclui ensinar apostadores a reconhecer os próprios limites e a identificar o momento em que o jogo deixa de ser entretenimento.

A responsabilidade pela solução é descrita como compartilhada entre governos federal, estaduais e municipais, empresas, imprensa, plataformas digitais, clubes e federações. A Federação Paulista de Futebol afirma que, diante de eventual redução de receitas, vai adequar estrutura e orçamento à nova realidade, com planejamento e transparência junto aos clubes.

O texto conclui que o desafio não é escolher entre proteger famílias ou preservar o futebol, mas construir um caminho em que responsabilidade social, educação e sustentabilidade avancem juntas, com mercado regulado, regras claras e segurança jurídica.

 

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