Comportamento das mulheres nos bingos
A fanática:
Existem jogadoras que até tentam limitar sua média de gastos. Uma delas fixou seu limite em R$ 200,00, mas já chegou ao dobro em momentos de empolgação. Sua justificativa: quer ganhar para continuar jogando. Ela fica no salão no período em que deixa os filhos na escola até o horário de buscá-los. Sua paixão pelo bingo, no entanto, não é bem compreendida pela família. O marido e o pai odeiam esta atração pelo jogo. E para não piorar a implicância, ela procura não contar o quanto gasta com as cartelas, pois, se soubessem o valor, reclamariam mais.
A cuidadosa:
Toma todos os cuidados para não se viciar e nunca arrisca o que não tem. Para conseguir isso, ela evita jogar em computadores, onde o volume de apostas é maior, e só vai ao salão de bingo apenas duas vezes por semana. Além desses cuidados, limita o gasto com a jogatina a uma quantia baixa: R$ 30,00. E somente joga de novo se ganhar. Por causa das precauções e da sorte que tem, até acha lucrativo o divertimento (ao contrário da maioria dos freqüentadores).
A compulsiva:
Lembrar do tempo de assiduidade em bingos não traz nenhuma boa recordação para as mulheres que, diante das cartelas inocentes, começaram a jogar e não mais pararam. Uma delas estabeleceu a rotina de afogar as tardes de solidão nos salões de jogos. Ganhava, perdia, ganhava. E queria sempre mais. Mas, na matemática dos jogos de azar, acabou levando desvantagem. Um acumulado de 10 mil foi sua perdição. Quando percebeu, estava dominada pelo vício e chegou a fazer coisas antes impensáveis: utilizou o dinheiro do trabalho para pagar dívidas, soltou inúmeros cheques sem fundo e quase se suicidou, numa tentativa só frustrada pela falta de coragem. Começou a reencontrar a tranqüilidade quando passou a freqüentar as reuniões dos Jogadores Anônimos (JA). No local, encontrou problemas semelhantes aos seus e ex-viciados com disposição para ajudar. No dia da entrevista, já se mostrava mais otimista, pois estava há 41 horas sem jogar.


