Apesar de pequenas resistências, repercussão é animadora

Blog do Editor I 21.09.15

Por: sync

Compartilhe:

Uma das estratégias dos políticos para avaliar o nível de polêmica de uma proposta é deixar vazar a ideia e ver a repercussão da mídia e da sociedade. O nome desta estratégia na política é ‘balão de ensaio’.

No caso da legalização do jogo, a repercussão está sendo animadora, pois os principais jornais do país pautaram o tema através de reportagens, artigos, comentários, opinião dos leitores e notas.

O destaque fica por conta da reportagem isenta do jornal Zero Hora (RS), com direito a comentários positivos, que escolhemos como destaque da edição desta segunda-feira (21). Além disso, a colunista do jornal gaúcho Rosane de Oliveira destaca em seu artigo de sábado que os jogos de azar são alternativa palatável à recriação da CPMF.

Nesta segunda-feira (21), o jornal gaúcho veicula o Editorial ‘Jogo arriscado’ em que destaca a necessidade de reativar o debate sobre a legalização, mas critica que ele se dê em momento de crise e que a saída para as dificuldades de caixa da área federal é a racionalização da gestão de receitas e despesas.  (confira aqui)

A Folha de São Paulo debateu o tema através da editoria de opinião ‘Tendências & Debates’ com a veiculação de dois artigos, sendo um a favor e outro contrário. A pergunta ‘Jogos de azar devem ser legalizados no Brasil?’ foi respondida ‘SIM’ pelo advogado, professor titular aposentado da USP, desembargador aposentado e ex-deputado Régis de Oliveira através do artigo ‘Salvação do Orçamento negativo’ e ‘NÃO’ pelo deputado federal Mendes Thame (PSDB-SP) através do artigo ‘Destruidor de lares’ com foco na questão patológica. O jornal paulista também veiculou na editoria Painel dos Leitores três manifestações de leitores, sendo uma a favor e duas criticando a proposta. (confira aqui) 

Outra repercussão positiva foi observada no jornal O Dia do Rio de Janeiro, que além de uma reportagem ‘Deputados e população debatem a legalização de cassinos e bingos’ veiculada no sábado, em que o Secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, também se manifestou sobre a liberação de bingos, cassinos, entre outros jogos.

 

Beltrame quer regulamentação. PSOL tem dúvida

Secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, também se manifestou sobre a liberação de bingos, cassinos, entre outros jogos. Segundo ele, o processo precisa ser feito com transparência.  “Sou a favor, desde que seja regulamentado, tenha nota fiscal, idoneidade, que as pessoas que trabalhem tenham expertise, que a arrecadação funcione, que gere emprego. Se fizer tudo isso, sou totalmente a favor. Agora, se fizer só uma lei legalizando e não regulamentar, vai dar problema. E se der problema, quem vai ter que resolver? A polícia. Aí não dá”, comentou Beltrame.

 

O mesmo jornal O Dia veiculou neste domingo editorial defendendo a proposta e comentando que a proibição aos reflexos do mais arcaico carolismo. O jornal comenta que haverá resistência, mas que o debate é necessário e deve se pautar pela coerência. O editorial também comenta que os cassinos e bingos “são reconhecidamente fontes de renda e geradores de empregos, desde que minimamente regulamentados, o que no Brasil se faz até com certo exagero”.

 

Editorial O Dia: Jogo, questão de coerência e oportunidade

Um país com vasta tradição em loterias e que recentemente ensaiou conviver com bingos não teria argumentos para banir os cassinos

Rio – Faz mais de meio século que o jogo de azar foi proibido no Brasil. As razões — ou pressões — que levaram à decisão parecem, hoje, à luz da sensatez e da prudência, reflexos do mais arcaico carolismo. E o assunto tornou-se tabu, talvez atendendo a interesses de segmentos diversos. Como O DIA vem mostrando desde sexta, é grande o esforço do governo em liberar cassinos e bingos, mas a resistência será à altura.

O debate é necessário e deve se pautar pela coerência. Um país com vasta tradição em loterias e que recentemente ensaiou conviver com bingos — fora o universo de jogatinas que se mantém fervilhante no submundo — não teria argumentos para banir cassinos. Estes são reconhecidamente fontes de renda e geradores de empregos, desde que minimamente regulamentados, o que no Brasil se faz até com certo exagero.

Exageradas também as reações de quem enxerga a perdição irremediável caso os cassinos reabram. Não é essa a discussão que cabe. Com serenidade, todos terão a ganhar com o jogo legal. (O Dia – Rio de Janeiro)

 

Reações contrárias do O Globo e do Estado de São Paulo

Sem nenhuma surpresa, O Globo e O Estado de São Paulo colocaram-se novamente na vanguarda do atraso e do conservadorismo quando o assunto é a legalização dos jogos. Sempre com uma visão míope que a regulamentação desta atividade facilitaria a ação do crime organizado, como se no Brasil não tivesse nenhum tipo de jogo.

O editorial ‘Atração do abismo’ (confira aqui) faz um histórico sobre as outras tentativas de regulamentação dos jogos no país e condena sem nenhum fundamento que a legalização do jogo pode ser nocivo para o país.  

O Estadão também repercutiu o tema através do Fórum dos Leitores com a veiculação de opiniões favoráveis e contrárias dos leitores do jornal. (confira aqui)

Oposição editorial do O Globo, mas apoio dos leitores

Em menor escala, mas também colocando-se na oposição a legalização do jogo, O Globo manifestou-se contrário através de um mini-editorial veiculado no sábado na editoria País. Pelo menos na editoria ‘Dos Leitores’ do jornal carioca, as manifestações favoráveis a legalização são maiores que as contrárias. Inclusive com uma carta do signatário desta. (confira aqui)

 

Opinião do O Globo: Pacote

PURO OPORTUNISMO a iniciativa da bancada do jogo no Congresso de acenar para um governo quebrado com a chance de arrecadar algum dinheiro com a legalização da jogatina.

APERTADO, O Planalto concordaria com a manobra. Cabe lembrar o que vem junto neste pacote: máfias internacionais, algumas já conectadas com as nacionais, como a turma do caça-níqueis; e mais alternativas para a lavagem de dinheiro.

 

Além disso, a coluna Panorama Político do O Globo, veiculou nota informando que a proposta da legalização já enfrenta resistência nas bancadas cristãs do Congresso.

 

Fora de jogo

A proposta de legalizar jogos de azar enfrenta, desde já, forte resistência nas bancadas cristãs do Congresso. Com 91 deputados, a evangélica historicamente se posiciona radicalmente contra. A proposta é rejeitada pelos seus fiéis e eleitores. (Panorama Político – Ilimar Franco – O Globo)

EGT - 728 X 90EGT - 1280 x 90 1

Compartilhe: