Acusados por golpe de R$ 10 milhões em ganhador da Mega-Sena no RS viram réus na Justiça

A juíza Cláudia Junqueira Sulzbach, da 1ª Vara Estadual de Processo e Julgamento dos Crimes de Organização Criminosa e Lavagem de Dinheiro, em Porto Alegre, acolheu a denúncia do Ministério Público contra as duas pessoas suspeitas de aplicarem golpe de mais de R$ 10 milhões em Fredolino José Pereira, ganhador da Mega-Sena de Viamão, na Região Metropolitana da Capital . Com isso, o ex-sócio e a namorada dele se tornam réus no processo.
Além disso, a magistrada determinou as quebras de sigilo bancário, fiscal e financeiro dos denunciados. Eles têm 10 dias para responder à acusação, a partir da citação, que ocorreu na noite de sábado (20).
Ambos são acusados de apropriação indébita de bens de pessoa idosa e lavagem de dinheiro. O ex-sócio do ganhador da loteria ainda foi denunciado por estelionato, ameaça e falsificação de documentos públicos.
O MP-RS concluiu, após a “Operação Loteria”, que o casal “passou a administrar e a dilapidar os valores recebidos pelo idoso”. Segundo o promotor Mauro Fonseca Andrade, eles começaram a viver em nova condição econômica em função dos bens e rendimentos do idoso.
“Os denunciados, em conluio, valendo-se da condição de pessoa idosa, humilde e sem estudos do ofendido, […] abusando de sua condição de possuidor e detentor dos cartões bancários e acessos por senha às contas bancárias de Fredolino, passaram a gastar a maior parte dos valores como se seus fossem, deles se apropriando arbitrariamente, tanto para seu consumo e pagamentos ordinários, quanto para a aquisição de pessoas jurídicas, bens móveis e imóveis”, denunciou.
O promotor ainda cita que grande parte do valor foi usada para adquirir e impulsionar uma funerária, que teve a sociedade alterada sem consentimento de Fredolino e de modo fraudulento. Além disso, o ex-sócio adquiriu oito veículos no nome da empresa, repassando-os para as pessoas físicas dele e da namorada e jurídica da funerária, a fim de, conforme o MP, dissimular a origem do dinheiro.
“Ambos os imputados tinham ciência da origem ilícita dos valores utilizados para a aquisição do automóvel, e se utilizaram das pessoas jurídicas para branquearem o capital”, cita oito vezes na denúncia.
Relembre o caso
Em 3 de abril de 2018, Fredolino José Pereira juntou latinhas de cerveja na rua e vendeu em uma reciclagem. Ganhou R$ 13. Desses, usou R$ 7 para fazer duas apostas na Mega-Sena. O idoso lembra até hoje que jogou nos números 7, 11, 24, 36, 42 e 58. E quase não acreditou quando foi conferir o resultado.
O idoso de 71 anos acertou as seis dezenas da Mega-Sena e recebeu um prêmio de mais de R$ 10 milhões. Anos depois, ele se disse vítima de um golpe de um ex-sócio em uma funerária de Viamão e alega que perdeu todo o dinheiro — o que motivou a Polícia Civil a investigar o caso.
“A partir da aquisição dessa funerária, começaram os golpes e os furtos praticados contra a vítima. Imediatamente, logo depois da compra, com a justificativa de pagar funcionários, [o suspeito] pediu o cartão bancário da vítima e a partir dali não devolveu mais, começou a fazer sucessivos saques”, informou à época o delegado Juliano Ferreira. Leia a matéria e assista aos vídeos no g1 RS e RBS TV.


