Brasileiro ganha R$ 1 mi em fantasy game. É jogo de azar? Como funciona?

Apostas, E-Sports I 25.05.22

Por: Magno José

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Além de prêmios e ligas milionárias, o Rei do Pitaco recrutou, este ano, o streamer Casimiro, que irá transmitir ao vivo 19 jogos do Campeonato Brasileiro na Twitch

Praticamente todo brasileiro já é “técnico” do seu time do coração. Tem sempre uma opinião sobre quem tá jogando bem, que precisa ser substituído, quem precisa ser vendido para outro clube? Mas tem gente que transformou esse “papo de bar” em profissão – e está ganhando muito dinheiro com isso.

O amazonense Gerlison Ferreira foi o primeiro a ganhar R$ 1 milhão nos chamados “fantasy games”, um tipo de jogo em que você gerencia equipes esportivas virtualmente, mas escalando atletas de verdade, que atuam em times reais. Se você seleciona um atleta que tem uma boa performance nos campeonatos “da vida real”, você ganha pontos e até prêmios.

No país, esse tipo de diversão já gera uma receita anual de R$ 66 milhões, segundo um estudo da TechNavio, que analisa mercados globais para novas tecnologias.

“A notícia [de R$ 1 milhão acumulado em prêmios] me pegou de surpresa”, afirma Ferreira. “Esse dinheiro vai me ajudar a conquistar várias coisas que sempre quis, mas nunca tive condições de ter. O que realmente quero fazer é dar uma vida melhor aos meus pais que sempre batalharam muito para mim.”

Crescimento de 350 vezes em três anos

Pioneiro nas chamadas sports tech (empresas de tecnologia esportiva), os Estados Unidos movimentaram mais de R$ 44 bilhões no setor em 2021. Estima-se que o mercado global, avaliado em US$ 26 bilhões, cresça 120% até 2026.

No Brasil, segundo um levantamento de 2021 da aceleradora Liga Ventures, já existem 106 sports techs em atuação. A líder na modalidade de tiro curto, Rei do Pitaco, cresceu 350 vezes desde que foi criada, em 2019. Seu app acumula 3,2 milhões de downloads. Mais de 100 mil usuários já foram premiados com um valor total de R$ 50 milhões.

“Temos como missão transformar a vida dos apaixonados pelo esporte e, por isso, criamos constantemente ligas para entreter e encorajar nossos jogadores a alcançar seus objetivos também fora dos campos. Somente nas primeiras rodadas do Campeonato Brasileiro, por exemplo, já distribuímos mais de R$ 5 milhões em prêmios”, diz Mateus Dantas, CEO e cofundador do Rei do Pitaco.

Seu concorrente direto, o Cartola FC, também aderiu à ideia de proporcionar ganhos ativos aos usuários por rodada e anunciou, este ano, a chegada do Cartola Express.

O Cartola FC foi criado em 2005 e é o segundo maior fantasy game do mundo, realizando o feito de 30 milhões de downloads e 6 milhões de times ativos apenas em 2021.

De olho na Copa

Além de prêmios e ligas milionárias, o Rei do Pitaco recrutou, este ano, o streamer Casimiro. Com o patrocínio da sports tech e parceria com o Clube Athletico Paranaense, Casimiro irá transmitir ao vivo 19 jogos do Campeonato Brasileiro na Twitch.

“Sempre gostei muito de fantasy games de futebol. Meu público também joga e espera por esse tipo de conteúdo nas lives”, explica o influenciador, com 2,4 milhões de inscritos em seu canal na Twitch.

“Agora eu sempre escalo meu time e fico recebendo mensagens dos ‘nerdolas’ mostrando que ganharam dinheiro no app. Recebi recentemente o print de um que ganhou quase R$ 4 mil com o time que montou”, diz.

A Copa do Mundo 2022, que acontece no final deste ano, promete esquentar ainda mais o mercado de inovação e tecnologia das startups nesse universo. “Temos grandes expectativas para essa data”, afirma Dantas, sem revelar detalhes.

Tem lei que regula o fantasy game?

Fantasy games não são considerados “jogos de azar”. São definidos como jogos de habilidade, ou seja, o resultado depende da aptidão do jogador e não de um evento futuro e aleatório.

Segundo o advogado criminalista e professor de direito penal e processual penal Roberto Vasconcelos da Gama, “o Brasil ainda não possui uma legislação específica sobre a regulamentação dos aplicativos de apostas. Porém, o PL 442/91, recentemente aprovado pela Câmara dos Deputados, cria o Marco Regulatório dos Jogos no Brasil e permite a prática e exploração dos jogos de azar e cassinos no país”.

Entre as principais regras deste Marco Regulatório dos Jogos estão:

– Permissão da prática e exploração de jogos e apostas em estabelecimento físico ou virtual, desde que eles tenham consentimento do Poder Público;

– Criação do Sistema Nacional de Jogos e Apostas (Sinaj), composto por órgão regulador federal, entidades operadoras de jogos e apostas, entidades turfísticas e agentes de jogos e apostas, empresas de auditoria e entidades de autorregulação do mercado;

– Criação do Registro Nacional de Jogadores e Apostadores (Renajogo), para garantir controle à atividade do ponto de vista do jogador. O mesmo deve se registrar nesse órgão antes de participar de jogos e apostas;

– Implementação de uma instituição voltada para a Política Nacional de Proteção aos Jogadores e Apostadores, com regras ainda a serem definidas;

– Criação da Cide-Jogos (Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico), imposto destinado ao financiamento de ações nas áreas de turismo e esporte que sejam voltadas ao combate ao vício em jogos;

– Exigência de uma licença de operação para as empresas interessadas. As mesmas devem ter sede e administração no país e estarão sujeitas às normas a serem definidas por órgão regulador e supervisor federal;

Apesar dessas considerações, o ex-presidente da República, Michel Temer, em dezembro de 2018, sancionou a Lei 13.756/2018, que dispõe sobre o Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP), sobre a destinação do produto da arrecadação das loterias e sobre a promoção comercial e a modalidade lotérica denominada apostas de quota fixa.

Desse modo, torna legal no país as apostas esportivas, desde que atendam a alguns requisitos, entre eles que as apostas devem ser de cotas fixas, conhecidas como odds. Ou seja, no momento que é realizada a aposta, precisa ficar definido o quanto o apostador vai ganhar, caso seu palpite esteja correto. (UOL Notícias – Carolina Cristina Colaboração para Tilt, em São Paulo)

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