Casagrande defende regulamentação de bets e reforma no Judiciário

Apostas I 07.09.26

Por: Magno José

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Ex-governador e candidato ao Senado pelo ES propõe defendeu a criação da Loteria do Estado do Espírito Santo – Loteria Capixaba e a implantação da operação de jogos em formato físico e digital

O ex-governador Renato Casagrande (PSB), candidato ao Senado pelo Espírito Santo nas Eleições 2026, defendeu nesta quarta-feira (26/8) a regulamentação das bets e o fim do cargo vitalício para ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A entrevista foi concedida à Folha Vitória, em série especial dedicada aos candidatos ao Senado capixaba.

Um dos principais pontos da entrevista foi a plataforma de apostas do Banestes, o banco estadual do Espírito Santo. A autorização para que o Banestes crie Loteria do Estado do Espírito Santo – Loteria Capixaba e implante sua própria operação de apostas ocorreu durante a gestão de Casagrande como governador. A iniciativa será conduzida pela Banestes Loteria S.A., subsidiária do banco, e terá jogos em formato físico e digital. A fiscalização do serviço é responsabilidade da ARSP (Agência de Regulação de Serviços Públicos do Espírito Santo), que encerrou em julho de 2026 as consultas públicas para definir as normas de proteção ao apostador e prevenção a fraudes. Parte da arrecadação será destinada a áreas sociais, como assistência social, cultura, esportes, lazer e turismo.

Casagrande afirmou reconhecer que extinguir as bets seria inviável. Para o candidato, o caminho correto passa por regulamentação, aumento da taxação e destinação de parte dos recursos à saúde. Ele também defende limitar a publicidade das plataformas, com alertas obrigatórios sobre riscos, nos moldes do que é feito com cigarros e bebidas alcoólicas. “É enfrentar uma dificuldade muito maior se você quiser de fato acabar com as bets. Então, na minha avaliação, tem que regulamentar, taxar e limitar a publicidade das bets. Tem um caminho de acompanhar quem joga, isso causa uma dependência”, disse.

Reforma no Judiciário

O candidato propôs uma “profunda” reforma no Poder Judiciário. Entre as medidas defendidas por Casagrande estão a criação de mandato de até 10 anos para ministros do STF, o fim de supersalários e penduricalhos e a análise do impeachment de magistrados.

Casagrande declarou ainda ser contrário a decisões monocráticas de ministros que desfaçam deliberações do Congresso Nacional, posição que, na sua avaliação, deveria caber apenas ao Tribunal Pleno do STF. “Hoje, o Supremo é chamado para tudo, se envolve em tudo, opina em tudo”, afirmou.

Segurança pública e penas

Na área de segurança, Casagrande declarou ser contrário à progressão de regime para condenados por crimes contra a vida. “Progressão de regime para quem comete crime contra a vida não pode existir. Você não pode matar uma pessoa e três ou quatro anos depois estar livre, isso acaba levando a uma impunidade. Esse crime contra a vida temos que dar um sinal claro de endurecimento”, afirmou.

Outros temas da entrevista

Casagrande se disse favorável ao fim da escala de trabalho 6×1, mas condicionou a medida à existência de compensações ao setor empresarial, como redução da carga tributária sobre os empregadores afetados ou incentivo financeiro por parte do governo federal. A pauta, segundo ele, reflete uma demanda dos trabalhadores, especialmente pela baixa remuneração.

Sobre o aborto, o candidato declarou ser contra a legalização e defendeu a manutenção da lei vigente, que permite o procedimento em casos de estupro, anencefalia e risco de vida para a mãe.

Ao final da entrevista, Casagrande respondeu objetivamente sobre sua posição em diferentes temas. Afirmou ser razoavelmente favorável ao PL da Dosimetria, que reduziu a pena dos condenados pelos atos de 8 de janeiro; a favor da redução da maioridade penal, de cotas raciais nas universidades, do financiamento público de pesquisa e tecnologia, da reeleição para prefeitos, governadores e presidente, da Lei da Reciprocidade em resposta à taxação dos EUA, do Bolsa Família “da forma que é hoje, mas sabendo que pode ajustar”, do fim do foro privilegiado para políticos e de cotas femininas no Congresso; e contrário à flexibilização para porte e posse de armas, ao voto impresso e ao funcionamento das bets no formato atual. Sobre a internação compulsória de dependentes químicos em situação de rua, o candidato declarou que a decisão “depende” e precisa envolver família e Poder Judiciário.

 


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