CazéTV muda formato de publicidade de apostas na Copa 2026

Apostas I 27.06.26

Por: Magno José

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CazéTV muda formato de publicidade de apostas na Copa 2026
Decisão ocorre após apuração do Ministério da Justiça por “publicidade abusiva” e restringe odds em transmissões de jogos; confira as alterações e o comunicado do canal

A CazéTV alterou o formato de publicidade de casas de apostas em suas transmissões da Copa do Mundo 2026. Narradores e comentaristas deixaram de mencionar odds ao vivo durante as partidas. A mudança foi anunciada em comunicado divulgado pela empresa após investigação do Ministério da Justiça por suposta “publicidade abusiva” de bets.

A empresa é da LiveMode e detém o direito exclusivo de transmitir todos os 104 jogos do Mundial. A decisão ocorreu depois que a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), órgão vinculado ao Ministério da Justiça, apurou as práticas publicitárias adotadas pelo canal durante as partidas.

No comunicado, a CazéTV afirma que ouviu o debate público antes de promover a mudança. “O mercado de apostas esportivas no Brasil é recente e está em constante amadurecimento. Como parte desse processo, decidimos adotar, a partir de agora, um padrão mais específico e conservador para ativações de marcas de apostas. Na prática, as ativações desse segmento passarão a seguir um formato mais tradicional de publicidade, preservando a espontaneidade que marca o canal em todos os demais segmentos. Sempre que entendermos que podemos evoluir, nós vamos evoluir”, informou a empresa.

A interação de narradores e comentaristas com patrocinadores é parte da identidade do canal. O modelo era aplicado também a parceiros de outros setores, como alimentos e bebidas alcoólicas. Com a mudança, apenas as marcas de apostas passam a seguir um padrão publicitário mais convencional.

Debate sobre eficácia da restrição

Para um especialista em estratégia de negócios, branding e mercado de apostas ouvido pelo jornal O Globo sob condição de anonimato, o caso tende a criar um precedente para o setor. A questão central, segundo ele, não é se uma emissora pode exibir odds, mas em que contexto essa exibição deixa de ser informação e passa a configurar estímulo ao jogo.

Caso a interpretação da Senacon prevaleça, o especialista avalia que o mercado deve caminhar para um padrão de propagandas mais restritivas. Esse entendimento, afirma, está alinhado à regulação brasileira, que tem enfatizado o jogo responsável e a proteção do consumidor desde o novo marco regulatório de 2023, com novas normas vigentes a partir de 2025. Na avaliação dele, transmissões esportivas devem evitar apresentar odds em tempo real com comentários promocionais, chamadas imediatas para apostas, QR codes ou links de acesso às plataformas durante as partidas, destaque para promoções como “odds turbinadas” ou “segunda chance”, além de qualquer associação direta entre a emoção do momento esportivo e o incentivo à aposta.

Cristiano Costa, psicólogo da Empresa Brasileira de Apoio ao Compulsivo (Ebac), tem avaliação distinta sobre o alcance da medida. “O veto à publicidade das apostas não ataca a raiz do problema. Hoje, o setor regulado já segue regras rigorosas de publicidade, enquanto o verdadeiro desafio é o histórico descaso com a saúde mental. Sem enfrentar essa questão, o efeito tende a ser apenas o deslocamento da compulsão para o mercado ilegal ou para outros comportamentos de risco”, afirma Costa. Para ele, quem aposta não o faz apenas por causa da propaganda, mas por fatores culturais, pela expectativa de ganho ou pela influência do próprio círculo social.

Bernardo Cavalcanti Freire, consultor jurídico da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e sócio do Betlaw, escritório especializado no setor, também questiona a medida. Para ele, impedir a publicidade das empresas autorizadas a operar no país é um equívoco confirmado pela experiência internacional. “Os mecanismos de proteção aos menores de idade e de combate ao vício já existem na lei vigente, inclusive com proibição de publicidade direcionada a este público”, declarou Freire, ao O Globo. Nessa fase inicial da regulamentação, uma restrição publicitária como essa, segundo o consultor, tende a fomentar o crescimento das bets ilegais.

A CazéTV reafirmou no comunicado que sua publicidade observa a legislação brasileira, as diretrizes do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) e as boas práticas do setor. A empresa informou ainda que trabalha exclusivamente com operadoras regularizadas pelo Ministério da Fazenda, em conformidade com a Lei 14.790/2023.

Casimiro Miguel e Luis Felipe Freitas durante transmissão da CazeTV

Confia o comunicado da CazéTV:

CazéTV ouve debate público e adota novo formato para publicidade de bets

A CazéTV nasceu para fazer diferente.

Foi assim quando mudamos a forma de transmitir esporte. E também queremos fazer diferente quando o assunto é responsabilidade.

Sempre que entendermos que podemos evoluir, nós vamos evoluir. Sempre que houver espaço para aperfeiçoar o que fazemos, nós vamos aperfeiçoar. Porque esse é o compromisso da CazéTV com quem nos acompanha: transparência, responsabilidade e diálogo permanente.

A CazéTV sempre buscou construir uma forma próxima, espontânea e transparente de se relacionar com o público e com as marcas que viabilizam suas transmissões gratuitas. Esse modo CazéTV, mais informal e integrado à linguagem do canal, é parte importante da nossa identidade e da relação que construímos com o nosso público.

O mercado de apostas esportivas no Brasil é recente e está em constante amadurecimento. Como parte desse processo, decidimos adotar, a partir de agora, um padrão mais específico e conservador para ativações de marcas de apostas.

Na prática, as ativações desse segmento passarão a seguir um formato mais tradicional de publicidade, preservando a espontaneidade que marca o canal em todos os demais segmentos.

Reforçamos que a veiculação de publicidade na CazéTV observa a legislação brasileira, as diretrizes do CONAR e as boas práticas do setor. Também trabalhamos exclusivamente com operadoras regularizadas pelo Ministério da Fazenda, em conformidade com a Lei 14.790/2023.

Seguiremos defendendo um modelo que permite levar grandes eventos esportivos gratuitamente ao público brasileiro, com responsabilidade, transparência e disposição permanente para ouvir, aprender e evoluir.

 


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