Congresso dos EUA pede investigação sobre apostas suspeitas de US$ 1,2 mi antes de ataque ao Irã

Apostas I 11.03.26

Por: Magno José

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Congresso dos EUA pede investigação sobre apostas suspeitas de US$ 1,2 mi antes de ataque ao Irã
Senadores e deputados suspeitam de vazamento de dados sigilosos do Pentágono após 6 contas lucrarem na Polymarket horas antes dos ataques que mataram Ali Khamenei em 28 de fevereiro (Foto: Reprodução)

Deputados e senadores norte-americanos solicitaram apuração de possível vazamento de informações confidenciais do Pentágono. A requisição ocorreu após análise identificar movimentações financeiras suspeitas em plataformas de apostas nas horas anteriores aos ataques aéreos que mataram Ali Khamenei, ex-líder supremo do Irã, em 28 de fevereiro. Os bombardeios foram realizados por Estados Unidos e Israel na capital iraniana, Teerã.

A Bubblemaps, empresa especializada em análise de mercados de blockchain, identificou que seis contas registraram ganhos financeiros com apostas realizadas na plataforma Polymarket pouco antes dos bombardeios. As apostas envolveram previsões sobre ações militares dos EUA contra o Irã e sobre a permanência de Khamenei no cargo de líder supremo iraniano.

A investigação foi solicitada devido à suspeita de que informações confidenciais sobre a operação militar possam ter sido divulgadas antecipadamente. A preocupação dos parlamentares se concentra na possibilidade de vazamento de dados sigilosos do Pentágono sobre a ação militar planejada.

Movimentações financeiras suspeitas

A Bubblemaps identificou que seis contas obtiveram ganhos totalizando US$ 1,2 milhão (aproximadamente R$ 6,3 milhões) com apostas na Polymarket. Segundo a agência Reuters, as apostas relacionadas ao ataque dos EUA ao Irã movimentaram US$ 529 milhões (aproximadamente R$ 2,7 bilhões) na plataforma.

Usuários da mesma plataforma apostaram adicionalmente US$ 150 milhões (aproximadamente R$ 785 milhões) na remoção de Khamenei do cargo de líder supremo iraniano. A plataforma Kalshi também mantinha apostas sobre a saída de Ali Khamenei do poder no período.

Não há confirmação sobre a identidade dos seis apostadores que obtiveram os ganhos na Polymarket. Também não foi comprovado se houve efetivamente vazamento de informações privilegiadas do Pentágono.

Reações de parlamentares

O senador democrata Chris Murphy declarou na rede X: “É insano que isso seja legal”. Murphy também afirmou: “Vou apresentar uma legislação o mais rápido possível para proibir isso”.

O deputado democrata da Califórnia Mike Levin escreveu: “Mercados de previsão não podem ser um veículo para lucrar com conhecimento antecipado de ações militares. Precisamos de respostas, transparência e supervisão”.

O senador Chris Murphy afirmou, sem apresentar provas, que pessoas próximas ao presidente Donald Trump estavam lucrando com o conflito.

O porta-voz da Casa Branca, Davis Ingle, respondeu às declarações de Murphy afirmando que “o único interesse especial que orienta a tomada de decisões do governo Trump é o melhor interesse do povo americano”.

Preocupações anteriores

Senadores democratas já manifestavam preocupação com mercados de previsão desde fevereiro, antes da ofensiva no Irã. Os parlamentares argumentavam que essas plataformas violavam regras dos EUA e criavam incentivos para estimular conflitos e divulgar informações sigilosas.

A preocupação anterior surgiu quando um apostador não identificado obteve aproximadamente US$ 410 mil (cerca de R$ 2,11 milhões) de ganhos apostando na deposição do então presidente venezuelano, Nicolás Maduro.

Novas apostas sobre o conflito

Em 10 de março, investidores realizaram novas apostas sobre o encerramento do conflito pelo presidente Donald Trump. As apostas foram feitas em meio a declarações do presidente dos EUA sobre a duração da guerra no Oriente Médio.

Um dos indícios para esse movimento seria o aumento do preço do petróleo, que ameaça o bem-estar do mercado global.

Posição das plataformas

A Polymarket não se manifestou quando procurada pela Reuters. A plataforma argumenta que mercados de previsão utilizam a “sabedoria coletiva” para criar previsões precisas e imparciais.

A Kalshi informou que não permite apostas diretamente ligadas à morte de autoridades. O diretor-executivo da plataforma, Tarek Mansour, declarou que a empresa não lucrou com previsões sobre Khamenei e que devolveu taxas pagas por usuários para fazer a aposta.

Crescimento dos mercados de previsão

Os mercados de previsão registraram crescimento em popularidade desde a eleição presidencial dos EUA em 2024. As probabilidades em tempo real se mostraram mais precisas do que pesquisas eleitorais ao prever a vitória de Donald Trump.

No ano passado, os mercados de previsão movimentaram US$ 47 bilhões (cerca de R$ 243 bilhões) em volume global de negociações, segundo analistas da corretora Clear Street. Empresas tradicionais de Wall Street demonstram interesse em participar desse mercado, atraídas pelos volumes financeiros movimentados.

Essas plataformas oferecem apostas em que o usuário escolhe apenas “sim ou não”, permitindo apostar em diferentes tipos de acontecimentos no mundo, desde esportes até política e economia.

Regulamentação e questões legais

As plataformas de apostas expandiram-se em uma zona cinzenta das leis regulatórias norte-americanas. A Comissão de Mercados Futuros de Commodities dos EUA, responsável por supervisionar a maior parte da negociação de derivativos listados, perdeu uma batalha judicial ao tentar proibir apostas sobre o resultado das eleições dos EUA.

A Comissão de Mercados Futuros de Commodities dos EUA afirma que acredita que os mercados de previsão estão dentro de sua competência e planeja criar uma estrutura federal para supervisioná-los.

A legislação dos Estados Unidos estabelece proibição para apostas contrárias ao interesse público, categoria que pode incluir guerras ou assassinatos. Apostar utilizando informações não públicas pode configurar ilegalidade, dependendo do mercado específico, da natureza da informação e de quem a utiliza.

 

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