ENTREVISTA – Joaquim Lima de Oliveira, vice-presidente de Fundos de Governo e Loterias da Caixa Econômica Federal
O BNL entrevistou com exclusividade o novo vice-presidente de Fundos de Governo e Loterias da Caixa Econômica Federal, Joaquim Lima de Oliveira. O dirigente comentou sobre o desafio de assumir o cargo depois da gestão exitosa do ex-governador Moreira Franco.
Joaquim também falou sobre mudanças nos produtos, novas extrações, reajustes nos preços, vendas de apostas pela Internet, apostas coletivas denominadas como ‘bolões’, melhoria do payout das Loterias Caixa, apostas esportivas (BET), sobre o PL 1986/03 que legaliza os bingos, sobre os jogos ilegais e que o crescimento das Loterias no Brasil está associado ao crescimento e fortalecimento da rede parceira. Confira!
BNL – O Senhor assume a vice-presidente de Fundos de Governo e Loterias da Caixa Econômica Federal (VIFUG) após uma gestão exitosa do ex-governador do Rio de Janeiro, Moreira Franco. Na sua avaliação, como será o desafio para manter a sequência de recordes dos últimos anos?
Joaquim Lima de Oliveira – Vamos dar continuidade a essa trajetória de sucesso. Não resta dúvida de que foi uma gestão de muita competência, com solução de questões relevantes como a retomada do reajuste dos preços de quase todos os produtos lotéricos, bem como o lançamento e reposicionamento de produtos. Os produtos lotéricos necessitam ser permanentemente modernizados e novos atrativos precisam ser acrescentados com muita criatividade, e inovação para atrair novos apostadores. Também estamos estudando a criação de novas loterias, afinal o mundo das loterias é muito dinâmico e inovador.
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“Vamos lançar o terceiro sorteio semanal da Lotofácil com a possibilidade de realizar apostas múltiplas de 16 a 18 números”
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BNL – Nos últimos meses, alguns produtos sofreram mudanças que melhoraram a performance das Loterias Caixa. Ainda existem ajustes para serem implementados?
Joaquim Lima de Oliveira – Sempre existe espaço para melhorar, o Gestor de qualquer produto tem que ser incansável na busca de agregar valor ao seu negócio. Ainda neste ano vamos lançar o terceiro sorteio semanal da Lotofácil. Além disso, o apostador passará a ter a possibilidade de realizar apostas múltiplas de 16 a 18 números.
Pretendemos realizar a cada trimestre um sorteio especial com o oferecimento de um grande prêmio, a exemplo do que já acontece com a Mega da Virada no mês de dezembro. O primeiro ocorrerá em junho de 2011, com a Quina de São João. Nossa intenção é dedicar um sorteio especial com o tema da Independência e outro ao da Páscoa, utilizando duas outras modalidades lotéricas do nosso portfólio.
BNL – Os empresários lotéricos passaram a ter um papel importante nas alterações e nas melhorias de alguns produtos como as loterias instantâneas e a Federal. O Senhor acredita na manutenção desta parceria? Ela pode ser ampliada?
Joaquim Lima de Oliveira – Um negócio só é bom quando todos ganham: ganha o lotérico, ganha a CAIXA e ganha a sociedade. A trajetória de sucesso se sustenta nessa parceira. A participação dos empresários lotéricos é fundamental nesse processo. Nossos parceiros estão atentos às necessidades dos apostadores e sabem muito bem o que é bom e o que não é em uma loteria. Afinal, temos de ouvir quem está em contato com o cliente e, com isso, reforçar a assertividade das decisões. Fazemos pesquisas de mercado para toda mudança em nossos produtos, mas a opinião do lotérico tem sido preponderante.
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“As vendas de apostas pela Internet permite atingir novos públicos de apostadores, em especial os jovens e as classes A e B, que movimentam o comércio eletrônico no Brasil”
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BNL – Os lotéricos reclamam com frequência sobre a defasagem dos valores dos preços das apostas e da demora da Secretaria de Acompanhamento Econômico – SEAE do Ministério da Fazenda em autorizar os reajustes nos valores das apostas. Como o Senhor avalia a possibilidade de mudar este cenário?
Joaquim Lima de Oliveira – Este cenário já se encontra em mudança. O assunto vem sendo conduzido com muita competência pela Superintendência de Loterias e pelo Ministério da Fazenda. Vale lembrar que os preços da Mega-Sena, Lotofácil, Quina, Loteria Federal e Instantânea foram reajustados no biênio 2008/2009, produtos que representam hoje, cerca de 90,00% da arrecadação total das loterias.
BNL – Um dos projetos de grande importância da VIFUG é a venda de apostas das Loterias Caixa pela internet. Como está o projeto e quando está previsto o início das operações?
Joaquim Lima de Oliveira – Esse é um projeto que coloca as Loterias CAIXA em um patamar de modernização e inovação que permite atingir novos públicos de apostadores, em especial os jovens e as classes A e B, que movimentam o comércio eletrônico no Brasil. O comércio eletrônico é uma realidade que cresce de maneira exponencial em todos os setores de produtos e serviços. O sentimento de cidadania leva as pessoas a requerem mais acessibilidade e comodidade. Trata-se de um projeto de grande envergadura, com elevado nível de complexidade. O modelo conceitual já foi amplamente debatido com a categoria lotérica e permite o envolvimento desses nossos parceiros estratégicos. Neste momento, a CAIXA encontra-se no desenvolvimento do modelo operacional e da solução tecnológica para o projeto. Estamos trabalhando com foco para, no menor tempo possível, oferecer esse novo canal de comercialização dotado de toda conveniência e segurança necessária.
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"Esta é uma discussão que precisa ser feita, direcionar os recursos das loterias para apenas um setor, seja a educação, a saúde, o esporte ou a previdência. Nesse contexto acho que poderemos discutir a questão do payout das loterias" |
BNL – Outro projeto importante é a oficialização das apostas cotizadas ou os famosos ‘bolões’. Como o Senhor avalia a prestação deste serviço pela rede lotérica, sua opinião sobre os percentuais em discussão (118% – lotéricos contra 60,23% – CEF) e quando o Senhor acredita que este serviço será efetivamente implantado.
Joaquim Lima de Oliveira – Temos de enfrentar esse desafio e regulamentar esse tipo de aposta, afinal a prática de organização de bolões pela sociedade brasileira tem origem na década de 70, sustentado especialmente por uma relação de confiança entre as partes. A regulamentação dessa forma de apostas oferecerá a segurança necessária para o recebimento dos prêmios relativos a cada participante, que terá em mãos seu comprovante original emitido pelo terminal lotérico.
Desde que cheguei à VIFUG tenho analisado esse projeto e tenho constatado que se trata de uma alteração de alta complexidade, dada a natureza unívoca existente entre a aposta e o comprovante, o que implica em promover alterações nas estruturas dos sistemas que dão sustentação às loterias. A grandeza das alterações trazem reflexos diretos em outros sistemas corporativos nos ambientes operacionais, gerenciais, contábeis, orçamentários e financeiros Naturalmente o assunto está sendo tratado com prioridade, sem perda de vista dos aspectos da legalidade, segurança, conformidade e transparência.
BNL – Um dos temas polêmicos sobre as Loterias Caixa é a questão do payout, que é definido pelo Congresso Nacional. Com frequência, os parlamentares usam os recursos das loterias como fonte de financiamento, o que acabou transformando o plano de premiação das loterias da União como os mais reduzidos do mundo (de 28% a 32%). Como a VIFUG vai enfrentar esta distorção? O Senhor acredita que é possível criar uma agenda junto ao Congresso Nacional para discutir este tema?
Joaquim Lima de Oliveira – Esta é uma mudança que não será fácil fazê-la, porque é uma distorção que existe desde o início das loterias. A origem está na pulverização dos recursos das loterias para diversas áreas. Acho este modelo inadequado, pois quando se pulveriza os recursos em diversas políticas públicas acaba não fazendo diferença em nenhuma delas, não tem visibilidade para a sociedade e não gera impacto nos resultados. Esta é uma discussão que precisa ser feita, direcionar os recursos das loterias para apenas um setor, seja a educação, a saúde, o esporte ou a previdência. Nesse contexto acho que poderemos discutir a questão do payout das loterias. Agora, ao pagar grandes prêmios, as loterias despertam maior interesse no apostador e com isso aumenta a arrecadação. É um ciclo virtuoso: maiores prêmios, maior arrecadação e um volume maior de recursos para promover a melhoria da qualidade de vida da população, por intermédio das políticas sociais.
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“As apostas em eventos esportivos vêm apresentando um crescimento expressivo e no Brasil certamente será um produto que cairá no gosto do apostador, afinal o brasileiro gosta de esportes, principalmente do futebol” |
BNL – A Caixa administra dez loterias da União. Alguns destes produtos, como a Timemania, Loteca e Lotogol têm baixa arrecadação. Qual seria a melhor solução para estes produtos: extingui-los ou modificá-los?
Joaquim Lima de Oliveira – Todo produto tem um ciclo de vida natural que consiste no lançamento, crescimento, maturidade e declínio. Os gestores precisam constantemente estudar os produtos para reposicioná-los no mercado, modificando-os embarcando tecnologia e agregando novos atrativos. A Loteca tem um público cativo que gosta de apostas esportivas. Porém, se queremos renovar e ampliar a base de apostadores teremos de agregar uma maior interatividade à modalidade. A freqüência também é importante, afinal o apostador gosta da loteria do dia. Foi assim com a Quina e agora com a Timemania. Com a introdução do segundo sorteio semanal, a modalidade teve um salto na arrecadação de 77% em relação comportamento anterior à mudança.
BNL – Com o advento da Internet as apostas em eventos esportivos (apostas BET) se popularizaram pelo mundo. Do Brasil aposta-se em qualquer lugar do mundo, bastando apenas um cartão de crédito internacional. A Caixa estuda a possibilidade de operar esta modalidade? Em caso afirmativo, esta operação seria terceirizada? Para evitar a tramitação no Congresso Nacional, não seria oportuno transformar a Loteca, Lotogol ou Timemania em um produto BET?
Joaquim Lima de Oliveira – Este é um exemplo da dinamicidade do mercado e da necessidade de se ocupar os espaços. A CAIXA está atenta ao cenário mundial e necessita acompanhar essa evolução. As apostas em eventos esportivos vêm apresentando um crescimento expressivo e no Brasil certamente será um produto que cairá no gosto do apostador, afinal o brasileiro gosta de esportes, principalmente do futebol. Entretanto, a CAIXA é uma empresa pública e deve está adstrita ao cumprimento das leis. Para exploração dessa modalidade é necessária a aprovação pelo Congresso Nacional.
BNL – Além dos jogos de loteria de prognósticos que a Caixa opera atualmente, o Senhor acredita que a CEF poderia ter um jogo eletrônico a nível nacional nas lotéricas?
Joaquim Lima de Oliveira – Isso é plenamente possível com a tecnologia hoje instalada. Agora é preciso estudar e avaliar as oportunidades, e ter a legalidade e conformidade necessárias, além de sempre ouvir o nosso parceiro lotérico.
BNL – Está na pauta do Congresso Nacional o PL 1986/03, que legaliza novamente os bingos e videobingos no Brasil. A proposta em pauta garante uma arrecadação de cerca de R$ 300 milhões anual para o órgão da União que assumir a fiscalização e controle desta atividade. O Presidente Lula, deputados e, até mesmo, os representantes deste setor defendem que a Caixa seja o operador destas modalidades. Como o Senhor avalia esta possibilidade?
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“É imprescindível que o empresário lotérico tenha a convicção de que o crescimento das Loterias no Brasil está associado ao crescimento e fortalecimento da rede parceira, afinal o nosso sucesso só é alcançado se estivermos juntos nessa empreitada”
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BNL – Em pesquisa realizada pelo BNL, concluiu-se que mercado de apostas no Brasil, durante o ano de 2009, movimentou cerca de R$ 20 bilhões entre o jogo legalizado e ilegal. Deste total, apenas R$ 8 bilhões são legalizados e regulamentados, sendo R$ 7,359 bilhões das Loterias da Caixa, R$ 400 milhões das loterias estaduais e R$ 300 milhões dos jockeys clubes. O país tem um movimento de cerca de R$ 12 bilhões em apostas ilegais através das operações de caça-níqueis (máquinas instaladas em bares e lanchonetes), jogo do bicho, bingos, cassinos, apostas na internet, entre outras opções. Como o Senhor vê essa situação? É possível enfrentar esta situação?
Joaquim Lima de Oliveira – Seus números são surpreendentes. É difícil imaginar um giro nesse montante de forma ilegal. Agora, de fato os reguladores mundiais de loterias de Estado estão voltados para o combate ao jogo ilegal. O enfrentamento dessa situação é possível e acredito que o caminho passa pela modernização das loterias oficiais, seja mediante o oferecimento de novas modalidades de apostas, seja por meio da diversificação dos canais de comercialização e eletronização dos meios de pagamentos.
BNL – A redação do BNL parabeniza e dá boas vindas para o Senhor nesta nova etapa. Para encerrar a nossa entrevista, reservamos esse espaço para alguma consideração que o Senhor tenha interesse em divulgar para o mercado lotérico brasileiro?
Joaquim Lima de Oliveira – Eu é que agradeço a oportunidade que o BNL me oferece de dialogarmos a respeito de temas de tão grande relevância, por meio desse fantástico canal de comunicação. Estamos falando a todo o momento em modernização para aumentar o interesse e atrair novos apostadores para as loterias oficiais. No entanto, para competir em igualdade de condições, esse processo exigirá cada vez mais o uso da avançada tecnologia disponível. Além disso, é imprescindível que o empresário lotérico tenha a convicção de que o crescimento das Loterias no Brasil está associado ao crescimento e fortalecimento da rede parceira, afinal o nosso sucesso só é alcançado se estivermos juntos nessa empreitada.
Joaquim Lima de Oliveira – Como você bem disse, a matéria está em tramitação no Congresso Nacional e tenho a convicção de que os nossos representantes darão o melhor encaminhamento a esse importante assunto.


