Flamengo prevê venda de atletas para cobrir impacto de proibição das bets

O Flamengo discutiu internamente, nos últimos dias, formas de enfrentar um eventual impacto financeiro caso a proibição das casas de apostas no Brasil se mantenha no ano seguinte. No pior cenário avaliado pela diretoria, a solução passaria pela venda de jogadores.
A análise foi revelada pela Coluna Diogo Dantas no Globo Online. Segundo a reportagem, os atletas apontados com maior potencial de venda são o atacante Samuel Lino, de 26 anos, e o meia Lucas Paquetá, de 29. Os dois têm parcelas contratuais em aberto com os clubes vendedores, o que pressiona ainda mais o orçamento rubro-negro para os próximos anos.
Samuel Lino é visto internamente como o jogador que renderia mais recursos em uma negociação no ano que vem. Recém-convocado para a seleção brasileira, o atacante vive boa fase no fim de temporada. A compra dele ao Atlético de Madrid custou 25 milhões de euros ao Flamengo. Apenas uma parcela foi quitada em 2025; outras duas vencem até 2027.
Paquetá, contratado ao West Ham por 42 milhões de euros, também segue com metade do valor pendente até 2027. Desde que chegou ao Flamengo, o meia não se consolidou como titular absoluto sob o comando de Leonardo Jardim. O diretor José Boto indicou, nesta quinta-feira (1º/10), que os pagamentos previstos podem sofrer atrasos.
“Quando o presidente diz ‘como é que eu vou pagar o Paquetá’, não é o salário do Paquetá. É como é que vamos pagar ao West Ham compromissos que assumimos”, afirmou Boto.
Outros jogadores na lista
Além de Lino e Paquetá, o clube pode negociar Gonzalo Plata. O atacante deixou de ser vendido ao Dinamo de Moscou, da Rússia, por 12 milhões de dólares após ser reprovado em exames médicos. O volante Everton Araújo, das categorias de base, também está na fila de possíveis saídas, mas uma lesão adiou a negociação que poderia ter se concretizado ainda neste ano.
O Flamengo também tem vendido jovens da base por valores mais modestos. O exemplo mais recente foi Lorran, transferido ao Sharjah FC, dos Emirados Árabes Unidos, por cerca de 1,3 milhão de euros.
Impacto do patrocínio da Betano
O cenário financeiro preocupante vai além das parcelas de Paquetá, cujo valor total chegou a R$ 315 milhões. A diretoria havia planejado usar recursos do contrato com a Betano, patrocinadora máster, para quitar compromissos relativos a outros jogadores contratados nas últimas duas janelas. A lista inclui Paquetá, Plata, Emerson Royal, Samuel Lino, Joaquín Freitas e Anthony Valencia. A estimativa era destinar cerca de R$ 40 milhões por ano do patrocinador para esses pagamentos.
O contrato vigente com a Betano prevê R$ 268 milhões por ano em receita. A empresa ainda não comunicou oficialmente o clube sobre eventual rescisão após a decisão do governo federal de proibir as bets no país, mas admite preocupação com o cenário regulatório. A verba do patrocínio referente a 2026 já foi antecipada pelo clube para viabilizar novas contratações.


