Kalshi obriga usuários a informar emprego atual para negociar em mercados sensíveis

Apostas I 13.06.26

Por: Magno José

Compartilhe:
Justiça proíbe Kalshi de oferecer apostas esportivas sem licença em Massachusetts
Medida anunciada na terça-feira (9) visa coibir uso de informações privilegiadas em apostas vinculadas a dados privados e segurança nacional

A plataforma de mercado preditivo Kalshi implementou uma política que obriga usuários a informarem o emprego atual para negociar em determinados mercados. A medida foi anunciada na terça-feira (9). O objetivo é limitar o uso de informações privilegiadas na plataforma.

A empresa já exigia divulgação de trabalho para apostas que representem risco à segurança nacional. Agora, a regra se estende a mercados vinculados a informações privadas sensíveis, conforme reportagem do The New York Times.

Funcionamento da nova política

Os usuários devem preencher um formulário online informando onde trabalham para apostar em mercados específicos. Esses mercados podem incluir apostas em entregas de Teslas em um trimestre ou o preço de venda de uma obra de arte.

A Kalshi permite apostas em diversos temas. Entre eles estão esportes, política, clima e até o local do casamento de Taylor Swift e Travis Kelce.

A plataforma não verificará as informações de emprego fornecidas. A verificação ocorrerá apenas se um empregador sinalizar atividade suspeita relacionada a possível uso de informações privilegiadas. Em alguns casos, uma pessoa pode ser impedida de realizar uma negociação específica com base no local onde trabalha.

Contexto da mudança

A política surge em momento de pressão crescente sobre reguladores para reprimir abusos nos mercados preditivos. Esses mercados estão em rápido crescimento e são altamente lucrativos.

Há preocupações sobre o uso da plataforma por políticos e agentes econômicos que apostam nas próprias ações ou com base em informações restritas. Apostas certeiras sobre o momento de ações do governo no Irã e na Venezuela geraram alertas. Resultados de busca do Google feitos por um funcionário da gigante de tecnologia também levantaram preocupações sobre vazamentos de dados sensíveis.

Na semana passada, autoridades americanas informaram investigar se o ex-deputado George Santos havia feito uma aposta sobre a própria presença no discurso do Estado da União do presidente Donald Trump. O discurso ocorreu em fevereiro.

Medidas de segurança

A Kalshi formou um comitê consultivo este ano. O colegiado recomendou as novas medidas de segurança mais rígidas. Entre as recomendações está facilitar que denunciantes reportem atividades suspeitas.

A empresa investigará casos suspeitos. Poderá solicitar comprovante de vínculo empregatício ou encaminhar o caso às autoridades policiais quando houver sinalização de atividade suspeita.

“A Kalshi não oferece mercados sobre guerra, assassinato ou violência”, disse a empresa em comunicado. Mas “reconhecemos que mesmo mercados comuns sobre liderança ou política externa podem apresentar preocupações incidentais de segurança nacional”.

Legislação em andamento

Projetos de lei foram apresentados na Câmara dos Representantes e no Senado dos Estados Unidos. As propostas proibiriam qualquer funcionário público de fazer apostas em mercados preditivos usando informações não públicas obtidas no trabalho.

Governadores de estados como Nova York e Illinois assinaram legislações que proíbem funcionários estaduais de usar informações privilegiadas para apostas.

 


Compartilhe: