Lula adia decisão sobre apostas esportivas e quer ouvir sociedade

Em entrevista ao SBT Brasil exibida nesta quinta-feira (10/9), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que tomará uma decisão sobre o futuro das apostas esportivas no Brasil com base nas consultas que realizou com entidades da sociedade civil, mas se recusou a adiantar qual será o encaminhamento.
“Ouvi a sociedade, anotamos tudo que eles falaram, já mapeamos e sistematizamos tudo. Agora, vou tomar uma decisão baseada naquilo que eu vi”, declarou Lula durante o programa, conduzido pelas jornalistas Basília Rodrigues e Marina Demori ao vivo do Palácio da Alvorada. A entrevista foi ao ar das 20h às 20h30 e reprisada no SBT News na sequência.
O processo consultivo
Ao explicar seu método de decisão sobre o tema, Lula descreveu a polarização do debate público — “fecha as bets, abre as bets, pune alguém” — e disse ter optado por convocar os diferentes grupos envolvidos antes de se posicionar. Segundo o presidente, foram ouvidos desde representantes de quem critica as plataformas de apostas até pessoas que conviveram com casos de endividamento e suicídio relacionados às bets.
“Chamei todas as entidades envolvidas com essas bets. As pessoas que se queixaram das bets, as pessoas que sentem que a família tá sendo roubada, as pessoas que conhecem gente que se matou por causa de dívida de aposta. Mas eu não vou tomar uma decisão sozinha. Eu não sou presidente de mim mesmo, eu sou presidente de 215 milhões de habitantes”, disse Lula.
O presidente afirmou ter ouvido cerca de 10 ou 11 pessoas nessa rodada de consultas. Questionado sobre qual será a decisão, negou qualquer antevisão; “Não me pergunte qual é a decisão, porque eu não vou contar para você.”
A posição pessoal e a crítica à tributação
A entrevista ao SBT retoma um posicionamento que Lula já havia expressado publicamente na reunião de 1º de setembro, no Palácio do Planalto, com entidades da sociedade civil. Naquela ocasião, o presidente se disse pessoalmente favorável à proibição das bets no Brasil. “Eu acho que nós temos que tomar uma decisão mais drástica. Porque nós não temos sequer inflação de demanda”, afirmou na época.
No mesmo encontro, Lula também questionou a lógica de usar a tributação como instrumento de controle das apostas. O argumento presidencial é que o imposto só funciona como desincentivo quando reduz o lucro de uma atividade; o que, segundo ele, não ocorre no caso das bets. “Muitas vezes nós, quando pensamos como Estado, fala que vamos cobrar imposto, achando que a gente vai dificultar. O imposto só dificulta quando ele atrapalha o lucro, mas quando ele é a decisão de legalizar a bandidagem, ele paga sem problema”, declarou o presidente, referindo-se às empresas do setor.
Lula acrescentou ainda que muitas dessas companhias não têm sede no Brasil e não recolhem impostos ao fisco brasileiro; o que tornaria a tributação um instrumento ainda menos eficaz para regular o setor.
Eleições e plano de governo
A entrevista ao SBT Brasil também foi o espaço escolhido por Lula para discutir seu plano de governo e suas expectativas para o primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro. O presidente concorre à reeleição pelo PT.
O padrão de decisão sobre as bets; consultar a sociedade, sistematizar e só então anunciar; foi apresentado pelo próprio Lula como ilustrativo de como pretende conduzir seu governo caso eleito. A questão das apostas, portanto, funcionou tanto como tema substantivo quanto como demonstração de método diante do eleitorado.
Fala sobre as Bets: 15:56 e 16:46


