Morte de ganhador da Mega-Sena: Polícia procura dois dos quatro suspeitos pelo assassinato de vencedor da loteria

Loteria I 19.09.22

Por: Magno José

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Jonas Lucas Alves Dias, apostador que ganhou R$ 47 milhões em 2020, foi sequestrado e morto por uma quadrilha que já vinha monitorando seus passos

Foi presa mais uma pessoa suspeita de envolvimento no assassinato Jonas Lucas Alves Dias, um apostador que ganhou R$ 47 milhões na Mega-Sena.

Jonas, de 55 anos, foi sequestrado e morto por uma quadrilha que já vinha monitorando seus passos. Os criminosos sabiam que ele levava uma vida pacata e simples, mesmo sendo milionário.

“Ele era uma pessoa muito rica e levava uma vida muito simples. Não mudou de casa e continuava frequentando exatamente os mesmos lugares com os mesmos hábitos”, diz a delegada titular da Delegacia de Homicídios da DEIC de Piracicaba, Juliana Ricci.

Jonas virou milionário da noite para o dia, mas o dinheiro não mudou o seu jeito de ser, como contam os vizinhos.

“Sei que ele era igual a gente, pessoa simples, de chinelo, tranquilo”, conta o aposentado João Batista Alves.

Jonas mantinha algumas rotinas. Toda manhã, saía da casa a pé entre 5h30 e 6h, até uma padaria do bairro. Na manhã da última terça-feira, dia 13 de setembro, não foi diferente.

“Ele foi até a padaria, como sempre foi. Comprou pão, um suco de laranja e uma esfirra”, diz Juliana.

Imagens obtidas pelo Fantástico mostram Jonas pagando suas compras no caixa, e imagens de câmeras de segurança obtidas pela polícia mostram ele voltando para casa. Lá, entregou o saco de pão para a irmã e saiu mais uma vez.

Depois disso, as imagens mostram um carro preto passando por Jonas. Era um dos carros dos bandidos. Outra imagem mostra o mesmo carro preto e um segundo carro, uma caminhonete de cor prata. Para a polícia, nesse momento os dois carros fizeram a volta e seguiram para sequestrá-lo.

Segundo a investigação, quando os carros retornam pela rua, os bandidos já tinham capturado Jonas. Era por volta de 6h30. Duas horas depois, o mesmo carro preto se dirigiu a uma agência bancária na cidade de Campinas, que fica a menos de 30 minutos de onde Jonas foi sequestrado.

Marcos Vinicyus Sales de Oliveira, mais conhecido como Vini, foi até o caixa eletrônico do banco para tentar habilitar um aplicativo da conta de Jonas, para conseguir realizar transações pelo celular. Foi essa transferência que ajudou a investigação a localizar os bandidos.

A polícia identificou Rebeca Messias Pereira Batista como sendo a dona da conta para onde foram transferidos os mais de R$ 18 mil da conta de Jonas. Presa somente neste domingo, ela já havia dito que nunca viu Jonas e não sabia onde os bandidos o mantiveram preso. Mas foi por causa de seu depoimento que a polícia conseguiu identificar os outros suspeitos: um deles, Rogério de Almeida Spínola, também está preso.

Jonas teria passado por volta de 20 horas sequestrado. Durante esse tempo, os bandidos o obrigaram a enviar mensagens para a gerente da sua conta, pedindo para fazer uma transferência de R$ 3 milhões.

Por volta das 9 horas da manhã da última quarta-feira (14), Jonas foi encontrado na Rodovia dos Bandeirantes, uma das principais do interior de São Paulo. Ele estava muito ferido e, de acordo com a polícia, foi deixado lá pelos criminosos em algum momento entre a noite da terça-feira (13) e a madrugada de quarta. Jonas foi resgatado com vida pelos funcionários da concessionária que administra a rodovia, mas acabou morrendo no hospital.

Jonas sofreu ‘extrema violência’ durante crime, diz polícia

Outros dois suspeitos estão foragidos: Marcos Vinicyus, o Vini, que foi até o caixa com o cartão de Jonas – para a polícia, era ele quem dirigia a caminhonete prata; e Roberto Jeferson da Silva, conhecido como Gordo. Ele era o motorista do carro preto. Assista à reportagem completa do Fantástico.

Veja quem são os suspeitos

Justiça decretou a prisão de quatro pessoas investigadas pela polícia, e duas seguem foragidas. Jonas Lucas Alves Dias foi morto em Hortolândia; em 2020, ganhou R$ 47,1 milhões na loteria

As investigações conduzidas até este domingo (18) apontaram três homens e uma mulher como envolvidos na morte de Jonas Lucas Alves Dias, de 55 anos, ganhador de R$ 47,1 milhões na Mega-Sena em 2020. Dois foram presos e os outros seguem foragidos. Veja, abaixo, o que se sabe sobre cada um.

– Rogério de Almeida Spínola (48 anos) – preso

– Rebeca (24 anos) – presa

– Marcos Vinicyus Sales de Oliveira (22 anos) – foragido

– Roberto Jeferson da Silva, o Gordo, (38 anos) – foragido

Rogério de Almeida Spínola

Rogério Spínola, de 48 anos, foi o primeiro preso da investigação. Segundo a delegada da Deic Piracicaba, Juliana Ricci, ele tem uma série de passagens pela polícia por crimes como roubo, furto, homicídio, estelionato e lesão corporal.

Spínola cumpriu 15 anos de prisão e saiu da penitenciária em dezembro do ano passado. A prisão de Spínola ocorreu em Santa Bárbara d’Oeste e, segundo a polícia, ele nega participação no crime.

Juliana Ricci não detalhou a participação dele no esquema, mas informou que Spínola era parceiro de outra pessoa investigada.

“Nesse momento nós temos um rol de provas que permitiu que o judiciário decretasse a prisão dele, mas alguns detalhes eu não posso divulgar porque mantenho a investigação”, disse Juliana, durante coletiva de imprensa no sábado.

Rebeca

A Guarda Municipal de Santa Bárbara d’Oeste informou que Rebeca foi presa na manhã deste domingo no bairro Mollon e depois encaminhada para a Deic de Piracicaba (SP), delegacia que concentra as investigações do caso.

Segundo Polícia Civil, foi para uma conta no nome dela que os suspeitos transferiram parte do dinheiro da vítima.

Subinspetora da Guarda Civil Municipal, Érika Traldi afirmou que a mulher alegou ter sido “abordada” por dois homens, que a levaram até um banco e pediram para que abrisse uma conta. Rebeca passou dois apelidos dos homens e disse não saber os nomes.

Após o depoimento de Rebeca na Polícia Civil, o companheiro dela também foi levado para delegacia, onde foi ouvido e liberado.

Há a informação de que outra parte dos recursos da vítima foi transferida pra um CNPJ, mas a polícia disse que não poderia dar detalhes por que as investigações estão em andamento.

Marcos Vinicyus Sales de Oliveira

O diretor Departamento de Polícia Judiciária do Interior 9 (Deinter 9), Kleber Altale, informou que Marcos Vinicyus, conhecido como Vini, dirigia um dos dois veículos usados no crime, uma caminhonete S-10. A Justiça decretou a prisão dele, mas não foi encontrado.

A vítima foi abordada quando saía, a pé, de uma padaria, e obrigada a entrar na caminhonete. Os criminosos usaram violência ”extrema”, segundo a polícia, para que ele informasse os dados bancários.

A delegada Juliana Ricci afirma que foi Marcos Vinicyus o responsável pelos dois saques de R$ 1 mil e pela transferência no valor de R$ 18,6 mil da conta de Jonas Lucas. O suspeito foi flagrado por câmeras de segurança em uma agência da Caixa Econômica de Campinas, onde realizou as transações.

Segundo Juliana, Marcos Vinicyus também habilitou um aplicativo de celular para conseguir realizar as movimentações financeiras. O suspeito tem passagens por estelionato, receptação e deixou o sistema penitenciário em setembro de 2021.

Roberto Jeferson da Silva

Silva dirigia o Ford Fiesta preto também usado para abordar o milionário morto. A participação dele não foi detalhada pelos policiais civis. Ele não possui passagens pela polícia e segue foragido.

Segundo a Polícia Civil, as investigações prosseguem com análise de provas colhidas nessas ações e novas quebras de sigilos bancários e telefônicos. Nenhum dos veículos usados foi localizado.

‘Violência extrema’

A delegada que investiga o caso, Juliana Ricci, afirmou que Jonas Lucas foi vítima de “extrema violência”. Durante o período em que ficou sob poder dos criminosos, cerca de R$ 20 mil foram retirados de suas contas e houve uma tentativa de transferência de R$ 3 milhões, sem sucesso.

Jonas foi raptado depois de sair para caminhar na terça (13), sendo abandonado às margens do km 104 da Rodovia dos Bandeirantes (SP-348), em Hortolândia (SP), próximo da alça de acesso da SP-101.

Ele foi socorrido e apresentava sinais de espancamento. Chegou a ser levado ao hospital, mas morreu. Segundo a investigação, tudo indica que o grupo tinha conhecimento da situação financeira de Jonas Lucas, mas ele não os conhecia.

Prêmio motivou o crime

Antes mesmo das prisões, Polícia Civil já havia afirmado que a morte de Jonas Lucas foi motivada pelo prêmio de R$ 47,1 milhões da Mega-Sena.

Segundo a delegada Juliana Ricci, uma tentativa de saque de R$ 3 milhões foi feita via aplicativo de mensagens.

O crime

Jonas foi abandonado às margens do km 104 da Rodovia dos Bandeirantes (SP-348), em Hortolândia (SP), próximo da alça de acesso da SP-101. Ele foi socorrido e apresentava sinais de espancamento. Chegou a ser levado ao hospital, mas morreu.

A advogada da família relatou à polícia que a vítima havia levado apenas carteira e documentos para a caminhada. Ao final do dia, como não foi mais possível contatá-lo, familiares registraram ocorrência de desaparecimento na delegacia eletrônica.

Depois de ser encontrado, o homem foi socorrido pelo resgate da concessionária Autoban ao Hospital Mário Covas, mas não resistiu.

O médico da unidade que atendeu Jonas Lucas atestou traumatismo cranioencefálico como causa da morte.

O corpo de Jonas foi enterrado na sexta-feira (16). Um ônibus foi disponibilizado para levar amigos e vizinhos ao enterro. O sepultamento ocorreu no Cemitério da Saudade, em Sumaré (SP).

‘Era simples’

Vizinho do milionário da Mega-Sena, o aposentado João Batista Alves contou que muita gente nem acreditava que Jonas tinha ganhado a bolada em razão de como ele levava uma vida simples.

“Era igual a gente, pessoa simples, que andava de chinelo, tranquilo, sempre passava aqui, sempre atencioso com a gente”, disse.

Quem conhecia Jonas Lucas há décadas garante que ele não mudou nada com o prêmio milionário recebido.

“Eu fui muito comprar com ele quando trabalhava no depósito. [Após o prêmio] era a mesma pessoa, não mudou nada, continuou como se nada tivesse acontecido”, lembra Luiz. (g1)

Em áudios, ganhador da Mega tenta liberar dinheiro em banco antes de ser morto por criminosos: ‘Consegue agilizar isso pra mim?‘

 

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