Operação Calígula: uma crise de imagem que o setor terá que enfrentar

Blog do Editor I 11.05.22

Por: Magno José

Compartilhe:
Operação Calígula: uma crise de imagem que o setor terá que enfrentar
Os defensores do jogo legal sabem que o cenário da ilegalidade e clandestinidade imposto pelo Estado ao longo de 80 anos é um dos responsáveis pela relação conivente entre os operadores não regulados e agentes públicos

A Operação Calígula, deflagrada nesta terça-feira pelo Ministério Público do Rio de Janeiro – MPRJ e que mirou a operação de jogos de azar e a ligação com o PM reformado Ronnie Lessa — réu pela morte da vereadora Marielle Franco poderá representar uma crise aguda de imagem para o setor. Durante a operação, dois delegados da Polícia Civil do Rio de Janeiro foram presos acusados de ligação com o grupo criminoso.

Ainda segundo os Promotores de Justiça, a organização estabeleceu acertos de corrupção estáveis com agentes públicos integrantes de diversas esferas do Estado, principalmente ligados à Segurança Pública, incluindo tanto agentes da Polícia Civil, quanto da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro.

O balanço, até o início da tarde, confirmava onze prisões, além da apreensão de 17 aparelhos de celular, cinco notebooks, um HD e um pen drive, R$ 1,2 milhão na casa da delegada Adriana Belém, alvo de busca e apreensão, além de cheque, diversos documentos, pendrive, chips, noteiros, máquinas de cartão, 107 máquinas de caça-níqueis, cópias de processos e componentes eletrônicos.

Repercussão

A grande repercussão na mídia desta operação será muito maior do que o imaginado, principalmente se as investigações da força-tarefa do MPRJ vincularem o atentado à Marielle Franco aos bingos abertos após a morte da vereadora. De acordo com os promotores do Gaeco, no mês seguinte ao assassinato de Marielle, Lessa começou as tratativas para a abertura de um bingo clandestino na Barra da Tijuca. Para os promotores, no entanto, há poucos indícios que apontem o contraventor como mandante do crime.

Ainda é cedo para dimensionar o impacto da repercussão negativa da operação na tramitação do PL 442/91 no Senado Federal e para o setor de jogos, apostas e loterias. Mas é certo que vai gerar desgaste, mesmo com opiniões isoladas como a do jornalista Marcelo Lins na Globonews na tarde desta terça-feira, quando defendeu que se deixe a hipocrisia de lado e que já passou da hora dos governantes resolverem a questão do jogo ilegal para que esta atividade pare de gerar corrupção e financiar o crime.

Os defensores do jogo legal sabem que o cenário da ilegalidade e clandestinidade imposto pelo Estado ao longo de 80 anos é um dos responsáveis pela relação conivente entre os operadores não regulados e agentes públicos. Infelizmente, nem todos pensam assim e se aproveitam destas oportunidades para defender a rejeição do jogo legalizado e regulado no País.

A ‘indústria da proibição’ sempre foi uma atividade muito lucrativa e manter os jogos na ilegalidade durante oito Décadas foi uma forma encontrada para alimentar outra indústria, muito mais perigosa e que provoca muitos mais danos à sociedade: corrupção, esquemas de propina e chantagem política.

 

Comentar com o Facebook
error: O conteúdo está protegido.